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Paulo Freire (2011) afirma que ensinar exige muitos saberes importantes para a “prática educativo-crítica”, entre eles, compreender que, “como experiência especificamente humana, a educação é uma forma de intervenção no mundo”. Endossando essa concepção e fundamentando-se em Marx, Vasquez e Wallon, Vasconcellos (2002), na obra sobre o processo de planejamento, aborda-o como ação humana intencional, na realidade que se quer transformar na direção de finalidades/objetivos nascidos de necessidades vividas/sentidas nessa mesma realidade. Essas reflexões se aplicam tanto à ação didático-pedagógica de cada professor como, igualmente, ao trabalho educativo do conjunto dos professores de uma mesma escola. Nesse caso, trata-se de intencionar a ação pedagógica da escola – seu “projeto” educacional – o qual, ao ser elaborado de modo participativo, ganha, de acordo com Vasconcellos,
divulgação clara das decisões, porque todos estavam presentes e puderam perguntar, opinar, tomar conhecimento do que foi aprovado na votação de cada parte do que deve ser feito pela escola.
aprovação da maioria, permitindo à direção/coordenação exigir o cumprimento do projeto por todos os que trabalham na escola, independentemente da opinião dada durante sua elaboração.
qualidade política, pois a participação abre possibilidade de um maior fluxo de desejos, de esperanças e, portanto, de forças para a tão difícil tarefa de construção de uma nova prática.
neutralidade ideológica, pois as diversas visões do papel da escola puderam ser explicitadas e debatidas, obrigando-se, cada um, a escutar os argumentos do outro para poder ser escutado.
um caráter inovador frente à Constituição Federal e à LDBEN no 9.394/96, as quais deixam em aberto o modo pelo qual deve ser planejado o processo educativo nas escolas públicas.