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Ouso dizer que só uma sociedade que teve escravos poderia imaginar que as tarefas ligadas ao corpo e a atividades básicas para a conservação da vida – alimentação, higiene – seriam feitas por pessoas diferentes daquelas que lidam com a cognição! Só uma sociedade que teve escravos – expressão máxima da desigualdade –, que teve seu espaço social dividido entre a casagrande e a senzala, poderia separar essas duas instâncias da educação e entender que cuidar se refere apenas à higiene, e não ao processo integrado, envolvendo a saúde, os afetos e valores morais. Mas mesmo uma sociedade que teve escravos, como é o caso dos Estados Unidos, pôde se organizar, e cem anos após o fim da escravidão, ultrapassar a visão discriminatória em relação ao corpo no atendimento à criança pequena. Por que, entre nós, ainda prevalece o estigma e a marca de classe?
NASCIMENTO, A. et al. Educar e cuidar: muito além da rima. In: KRAMER, S. (Org.). Profissionais da educação infantil: gestão e formação. São Paulo: Ática, 2005. p. 64.
Considerando as ideias apresentadas no texto, de qual aspecto da Educação Infantil a autora está tratando?
Da contratação de cuidadores que devem exercer as duas funções: cuidar e educar.
Da necessidade de superação da visão assistencialista que temos da creche, incluindo o educar nas atividades realizadas.
Da indissociabilidade entre cuidar e educar, pois essas ações devem acontecer de forma separadas e exercidas por profissionais diferentes.
Da indissociabilidade entre cuidar e educar, na perspectiva construtivista, onde o educar deve superar a questão do cuidar na Educação Infantil.
Da indissociabilidade entre cuidar e educar, entendendo que ambas as ações estão interligadas e não podem ser exercidas por profissionais diferentes na Educação Infantil.