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Para mim seria impossível engajar-me num trabalho de memorização mecânica dos ba − be − bi − bo − bu. Ensino em cujo processo o alfabetizador fosse “enchendo” com suas palavras as cabeças supostamente “vazias” dos alfabetizandos. Pelo contrário, enquanto ato de conhecimento e ato criador, o processo da alfabetização tem, no alfabetizando, o seu sujeito. O fato de ele necessitar da ajuda do educador, como ocorre em qualquer relação pedagógica, não significa dever a ajuda do educador anular a sua criatividade e a sua responsabilidade na construção de sua linguagem escrita e na leitura desta linguagem.
(Adaptado de: FREIRE, P. A importância do ato de ler. Rio de Janeiro: Cortez, p. 11)
O texto de Paulo Freire deixa entrever uma visão sobre o aprendiz, sintetizada como
o indivíduo que, antes de dominar a escrita, já possui um repertório de relação com o mundo.
alguém que precisa ser alfabetizado para conseguir raciocinar sobre o mundo.
o profissional competente, que prescinde da escrita para demonstrar sua capacidade.
a pessoa que possui déficits de aprendizagem, portanto necessita do auxílio de um psicopedagogo.
um indivíduo autodidata, capaz de traduzir na escrita seu conhecimento de mundo sem a intermediação de um processo de ensino.