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“Identificar se as práticas construídas na escola configuram ou não um projeto pedagógico pode nos levar a problematizar a própria ideia de ‘projeto pedagógico’. Afinal, as práticas escolares – em muitos casos genuínas e criativas – devem ser reformuladas para atender a algum modelo de projeto pedagógico? Onde é fabricado este modelo e por quem?”
MATE, Cecilia H. O coordenador pedagógico e as relações de poder na escola. PLACCO, Vera M.N. Souza, ALMEIDA, Laurinda R. O Coordenador pedagógico e o cotidiano da escola. São Paulo: Edições Loyola, 2003., p. 146
Ao propor tais indagações sobre a construção e desenvolvimento do Projeto Pedagógico, Cecília Hanna Mate chama atenção para as relações de poder na escola e a dicotomia entre a construção de um projeto vinculado a uma dada realidade e os modelos preestabelecidos por uma tradição escolar. Para evitar essa dicotomia e construir um Projeto Pedagógico adequado, deve-se
observar que o projeto pedagógico é um conjunto de regras e normas que balizam o trabalho coletivo da escola, estabelecidas por instâncias superiores.
atender ao repertório consagrado e legitimado pelas esferas diretivas, articulando de maneira harmoniosa propostas que sejam consensuais.
suspeitar do repertório consagrado e de projetos consensuais, enfrentar padronizações e considerar a imprevisibilidade da sala de aula.
respeitar a hierarquia que legitima as decisões centralizadas no diretor e coordenador pedagógico, melhor preparados para a reestruturação do currículo.
exercer práticas de resistência à constituição de redes de saberes e relações de poder, evitando discussões, problematizações e confrontos.


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