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“Para Bakhtin, a construção de sentidos é dialógica por natureza. Isso significa que não podemos analisar as enunciações apenas na perspectiva de quem as produz, mas também na perspectiva do(s) interlocutor(es), esteja(m) ele(s) fisicamente presente(s) ou não […] Outra ideia trazida por Bakhtin, fundamental para a compreensão do processo de significação, é a noção de vozes. Para Bakhtin, essa noção não se refere apenas aos sons emitidos na fala, mas envolve um fenômeno muito mais geral das perspectivas dos sujeitos envolvidos e de suas visões de mundo. […] A construção do entendimento está, portanto, relacionada com as muitas formas como duas ou mais vozes entram em contato”.
MACHADO, 1999, p. 58-59.
De acordo com as ideias bakhtinianas apresentadas por Machado (1999), a significação e a construção de sentidos:
Ocorrem quando o professor explica o conteúdo a ser aprendido pelo estudante usando diversos exemplos de aplicações cotidianas dos conhecimentos científicos.
São prejudicadas pela conversa em sala de aula, pois as vozes dos estudantes se confundem com a voz do professor, gerando a construção de significados cientificamente incorretos.
São determinadas pelas vozes na mente do aluno, produzidas a partir de um processo de reflexão sobre as próprias concepções de mundo e de ciência.
Se dão nas interações dialógicas entre múltiplas vozes, que podem ser o texto do livro didático, falas de colegas de classe, a explicação do professor ou experiências vivenciadas dentro e fora da escola.
Promovem a enunciação de várias vozes pelo aluno, de modo que a construção do entendimento não depende de outros interlocutores.