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A cultura escolar, como um conjunto de saberes, práticas e valores, molda a experiência educacional dos estudantes. A escola fornece à sociedade uma cultura constituída de duas partes: os programas oficiais, que explicitam sua finalidade educativa, e os resultados efetivos da ação da escola, os quais, no entanto, não estão inscritos nessa finalidade. Dito de outro modo, a cultura escolar não pode ser compreendida simplesmente como cultura adquirida na escola, mas sim como a cultura que tem na escola sua origem. Tendo em vista essa definição, a escola tem uma função social básica, que vai além de prestar serviços educativos. Assim:
A escola, como instituição social, tem como principal função a reprodução das relações sociais existentes, contribuindo para a manutenção do status quo e impedindo qualquer tipo de transformação social.
A estrutura organizacional da escola está sustentada tão somente por um plano racional determinado pela burocracia. A escola compreende as relações ordenadas conscientemente e as que derivam de sua existência enquanto grupo social.
Pode ser entendida como uma organização social, uma vez que essa figura burocrática está calcada na necessidade de gerir seu espaço e tempos particulares, o que não contradiz as premissas que instituem a função social da escola, bem como o seu entendimento como um mundo social instituído de uma cultura própria.
O modo como a escola vem se organizando tem reforçado mecanismos geradores de adaptação e dominação. São esses mecanismos que, certamente, informam os processos pedagógicos, os organizativos, de gestão e de tomada de decisões no interior da escola, os quais vão além da legislação. Assim, a escola, responsável pela educação formal dos indivíduos, difere de outras organizações sociais.