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O reconhecimento da Libras como língua legítima de instrução, expressão cultural e produção de conhecimento por parte da comunidade surda tem implicado um reposicionamento epistemológico no campo da tradução intermodal. Diante da centralidade do corpo, da espacialidade tridimensional e da iconicidade na constituição linguística da Libras, como abordado por Cuxac, Ronice Müller de Quadros e Janice de Souza, qual alternativa expressa uma leitura complexa e teoricamente fundamentada sobre os desafios tradutológicos dessa configuração?
A materialidade visual e espacial da Libras representa um obstáculo tradutório contornável por estratégias de linearização textual e neutralização gestual, assegurando, assim, a fidelidade à língua-alvo.
A iconicidade, ainda que presente na Libras, pode ser considerada elemento estético e acessório, não afetando diretamente os princípios formais que orientam o processo tradutório para línguas orais-auditivas.
A tradução intermodal se realiza prioritariamente no eixo da correspondência lexical e semântica, cabendo ao tradutor apenas a adaptação superficial das formas não verbais à lógica discursiva da língua-alvo.
A conversão da Libras para o português escrito pressupõe a abstração dos marcadores gestuais, sendo o foco principal do tradutor a equivalência gramatical e lexical entre os sistemas linguísticos.
A dimensão enunciativa da Libras exige, na prática tradutória, um deslocamento de paradigma, que reconheça a produção de sentido como indissociável da corporeidade, da espacialização e das formas icônicas de articulação.