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Ler o texto a seguir:
O exercício de redação, na escola, tem sido um martírio não só para os alunos, mas também para os professores. Os temas propostos têm se repetido de ano para ano, e o aluno que for suficientemente vivo perceberá isso. Se quiser, poderá guardar redações feitas na quinta série para novamente entregá-las ao professor da sexta série, na época oportuna: no início do ano, o título infalível “Minhas férias”; em maio, “O Dia das Mães”; em junho, “São João”; em setembro, “Minha Pátria”; e assim por diante... Tais temas, além de insípidos, são repetidos todos os anos, de tal modo que uma criança de sexta série passa a pensar que só se escreve sobre essas “coisas”. Para o professor, por outro lado, vem a decepção de ver textos mal redigidos, aos quais ele havia feito sugestões, corrigido, tratado com carinho. No final o aluno nem relê o texto com as anotações. Muitas vezes o atira ao cesto de lixo assim que o recebe. A proposta que aqui desenvolvemos procura fugir de tais temas, e, ao mesmo tempo, permite que se dê aos textos produzidos pelos alunos outro destino que não o cesto de lixo. Antes de mais nada, é preciso lembrar que a produção de textos na escola foge totalmente ao sentido de uso da língua: os alunos escrevem para o professor (único leitor, quando lê os textos). A situação de emprego da língua é, pois, artificial. Afinal, qual a graça em escrever um texto que não será lido por ninguém ou que será lido apenas por uma pessoa (que por sinal corrigirá o texto e dará nota para ele)?
(Fonte: João Wanderley Geraldi, et al. — Adaptado.)
Diante da problemática descrita no trecho acima, aponte a prática pedagógica de produção de texto para estudantes do 6º ano do ensino fundamental alinhada ao modelo tradicional criticado pelo texto:
Distribuir semanalmente temas de redação consagrados pelo uso corrente entre os alunos, portanto, já conhecidos por eles, para posterior leitura e detida avaliação docente.
Orientar os estudantes na concepção, planejamento e desenvolvimento de um projeto de criação de uma revista ou jornal da turma com vista a divulgar os textos desses discentes nas demais classes da escola.
Fomentar a prática e a reflexão sobre a escrita de modo compartilhado entre os estudantes, partindo do contexto sociocomunicativo destes.
Organizar um livreto com os estudantes, uma coletânea de narrativas, como resultado do trabalho de produção textual de um ciclo ou período letivo.