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Texto para questões de 61 a 63
TEXTO I
A concepção de linguagem e de gramática que agora consideramos tem bases fortemente humanistas: todo homem, sejam quais forem suas condições, nasce dotado de uma faculdade da linguagem como parte de sua própria capacidade e dignidade humanas. Mesmo que restem muitos pontos obscuros quanto à natureza e à extensão dessa faculdade, isso significa que, sem distinção, todas as crianças desenvolvem uma gramática interna.
Fica excluída, assim, toda valoração de uma língua ou modalidade de língua em relação a outra e qualquer forma de discriminação preconceituosa da modalidade popular.
Não faz sentido contrapor uma linguagem erudita a uma linguagem vulgar, nem tentar substituir uma pela outra. Trata-se de levar a criança a dominar uma outra linguagem, por razões culturais, sociais e políticas bastante justificáveis.
FRANCHI, C. Mas o que é mesmo gramática?. São Paulo: Parábola, 2006 (adaptado).
TEXTO 2
Franchi (2006) apresenta a seguinte reflexão de uma professora acerca de uma redação contendo desvios normativos: “esse aluno escreve como fala. E isso a gente pode ver na grafia e nos erros de concordância. Eu não aceito essa onda de que não tem mais certo e errado. A redação fica horrível nessa linguagem vulgar. Há regras e normas para tudo e as crianças têm que aprender a escrever de acordo com o que foi estabelecido pelos bons escritores e pelos que conhecem a língua. O aluno tem direito de conhecer as belezas da sua própria língua.”
Com base no texto 1, qual conduta docente se alinha a uma perspectiva crítica e científica para trabalhar produções textuais com usos que se distanciam da norma-padrão?
Estimular a reescrita dos textos conforme a norma-padrão, explicando aos estudantes que, embora os desvios revelem características da oralidade e do contexto social, a escrita formal requer adequações específicas.
Identificar explicitamente os desvios encontrados nas produções dos estudantes, explicando que o contato frequente com a norma-padrão permite abandonar formas linguísticas populares e internalizar formas padronizadas.
Elaborar atividades que contrastem a norma-padrão com as formas utilizadas nas redações, explicando aos estudantes que há um uso correto da língua a ser adotado em contextos de interação.
Analisar com os estudantes os modos de uso da língua presentes em seus textos, explicando possíveis variações e observando como diferentes aspectos do contexto social, histórico e escolar podem estar relacionados ao uso da norma-padrão.