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Sobre o ensino de língua portuguesa e o papel do professor...

Leia o trecho a seguir, retirado do Currículo Referência de Minas Gerais, para responder às questões 29 e 30


Nosso objeto de estudo, a linguagem, mostra-se diferente aos olhos do observador, conforme ele a investigue. Por exemplo, como representação do pensamento, e este como representação do mundo. Entretanto, sabemos que, no uso cotidiano da língua, não pensamos conscientemente em formas para traduzir conteúdos, nem em conteúdos preexistentes que buscam formas. Forma e pensamento nascem juntos; nossos pensamentos e representações são feitos de palavras e se constroem, ou na interação contextualizada com o outro ou no diálogo interno com outros discursos também feitos de palavras. Sabemos que os enunciados produzidos nas línguas naturais têm uma parte material - os sons, no caso da língua oral, e as formas, no caso da escrita -, mas têm também uma parte subentendida, essencial para a produção de sentido na interação. Essa parte subentendida, digamos, “invisível”, está no contexto de produção do enunciado, em sua enunciação e coenunciação, nos conhecimentos de mundo e nos valores partilhados pelos interlocutores. Assim, uma frase como “A porta está aberta” pode ter vários sentidos, pode fazer realizar diferentes atos – convidar, expulsar, pedir –, dependendo da entoação, da situação em que é enunciada e das relações existentes entre os interlocutores. Portanto, ensinamos linguagem, não para “descobrir” o verdadeiro significado das palavras ou dos textos, nem para conhecer estruturas abstratas e regras de gramática, mas para construir sentidos, sempre negociados e compartilhados, em nossas interações. Nosso conceito de natureza e de sociedade, de realidade e de verdade, nossas teorias científicas e valores, enfim, a memória coletiva da humanidade está depositada nos discursos que circulam na sociedade e nos textos que os materializam. Textos feitos de gestos, de formas, de cores, de sons e, sobretudo, de palavras de uma língua ou idioma particular. Assim, a primeira razão e sentido para aprender e ensinar o componente curricular está no fato de considerarmos a linguagem como constitutiva de nossa história e de nossa identidade como seres humanos, e a língua portuguesa como constitutiva de nossa identidade sociocultural.


Minas Gerais, 2018. Currículo Referência de Minas Gerais. Minas Gerais, 2018.

Sobre o ensino de língua portuguesa e o papel do professor, descritos no Currículo Referência de Minas Gerais, é INCORRETO afirmar que:


A

O ensino de Língua Portuguesa deve qualificar os estudantes para o aprendizado permanente e para o exercício da cidadania, formando-os locutores/autores e interlocutores capazes de usar a língua materna para compreender o que ouvem e leem e para se expressar em variedades e registros de linguagem pertinentes e adequados a diferentes situações comunicativas.


B

Ao componente Língua Portuguesa cabe assegurar os direitos de aprendizagem aos estudantes, proporcionando-lhes experiências que contribuam para a ampliação e aprofundamento dos diferentes letramentos já adquiridos e aquisição de novos letramentos e multiletramentos, de forma a possibilitar a participação significativa e crítica nas diversas práticas sociais.


C

Os objetos de conhecimento, assim como as práticas de ensino, devem ser selecionados em função do domínio de conceitos e classificações como fins em si mesmos. Assim, devem compor o currículo do componente curricular Língua Portuguesa aqueles conteúdos considerados essenciais à vida em sociedade, especialmente aqueles cuja aprendizagem exige domínio das estruturas linguísticas do idioma e das teorias linguísticas canonizadas pelos estudos acadêmicos da linguagem.


D

As práticas pedagógicas de compreensão e produção devem dar preferência a textos reais dos gêneros em circulação na sociedade, começando pelos mais familiares aos alunos e se encaminhando para os mais distantes de sua experiência imediata. A função social e a estrutura de determinados gêneros é mais facilmente apreensível que a de outros, consideradas as possibilidades da faixa etária e da etapa de desenvolvimento do aluno.