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Lerner (2002) afirma que distribuir os conteúdos no tempo é uma exigência inerente ao ensino. Especificamente em relação ao ensino da língua escrita, a autora apresenta a seguinte descrição sobre uma forma de distribuição do conteúdo:
“[...] propor, no começo, certas sílabas ou palavras e introduzir outras nas semanas ou meses consecutivos, graduando as dificuldades; no primeiro ciclo, apresentar exclusivamente textos de determinados gêneros e reservar outros para o segundo... O ensino se estrutura, assim, conforme um eixo temporal único, segundo uma progressão linear, acumulativa e irreversível.”
Segundo a autora, essa forma de ensinar
dificulta a escolarização da leitura, apesar de ser fiel à versão social dessa prática.
replica com exatidão o tempo e o ritmo da própria aprendizagem individual.
é especialmente bem-sucedida por evitar o parcelamento e a sequenciação do ensino.
diverge da função escolar, por visar à formação de uma comunidade de escritores.
entra em contradição com a natureza indissociável das práticas de leitura e escrita.