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Caffagni (“Qual a função social da escola? Reflexões de nuances sociais e políticas a respeito da instituição escolar”, 2024) aborda as muitas perspectivas sobre a função social da escola. Nessa trilha, a autora resgata as contribuições de Bourdieu, que debate a existência de capitais para além do econômico – os capitais cultural e social, constituídos por conhecimentos, culturas e relações pessoais e interpessoais de classe dominantes.
Para Bourdieu, isso resulta em
transformação da realidade, com a escola como o mais importante agente de promoção de justiça social na medida em que se incumbe, sobretudo, da democratização da cultura e do conhecimento a partir de suas práticas de ensino.
imparcialidade das práticas escolares, com a escola operando como agente social livre de extremos ideológicos, o que é necessário para que a educação atenda os diferentes públicos e grupos que hoje a acessam.
excessivo foco nos objetos de conhecimento conceituais, com a escola negligenciando a formação experiencial dos estudantes, o que se percebe pelo espaço diminuído dos componentes curriculares de arte e movimento.
reprodução social e cultural, com a escola como um dos fatores mais eficazes de conservação social, seja legitimando desigualdades, seja valorizando a herança cultural dominante, assumida como dom natural em vez de social.
aproximação entre as culturas eruditas e populares, com a escola como tradutora de ambas as referências e como principal responsável pelo intercâmbio de culturas locais e globais, o que caracteriza o hibridismo da atualidade.