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Pesquisas recentes sobre o desenvolvimento da linguagem escrita, inspiradas em abordagens construtivistas, psicolinguísticas e socioculturais, indicam que o processo de aprendizagem da escrita não se reduz à decodificação do código alfabético, mas envolve a constituição do sujeito como produtor de sentidos em práticas discursivas situadas. Nesse contexto, o ato de escrever emerge como forma de pensar e de interagir simbolicamente com o mundo, implicando dimensões cognitivas, sociais e ideológicas, uma vez que:
o desenvolvimento da linguagem escrita, enquanto processo de apropriação simbólica, pressupõe a interiorização progressiva das convenções gráficas e discursivas da língua, em um percurso que se consolida quando o sujeito alcança o domínio normativo dos gêneros textuais escolarmente legitimados.
o processo de construção da escrita, ainda que permeado por interações sociais, é essencialmente individual, pois requer o amadurecimento interno das estruturas cognitivas responsáveis pela correspondência entre oralidade e grafia, sendo as mediações externas apenas circunstanciais.
a emergência da escrita no sujeito em formação manifesta-se por meio de construções provisórias que expressam hipóteses sobre o funcionamento da língua, constituindo momentos legítimos de elaboração simbólica que precedem o domínio formal do sistema gráfico.
a consolidação da escrita enquanto prática social exige a completa superação das fases pré-silábicas e silábicas, uma vez que a permanência dessas representações indica lacunas cognitivas que comprometem a progressão textual e o reconhecimento do outro como interlocutor.