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O trecho a seguir é de autoria de Pretto e Bonilla (2022).
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Portanto, como mencionamos, desde aquela época, anos 1990, insistíamos sobre as limitações da concepção instrumental que vinha presidindo os programas e os projetos de introdução das tecnologias na educação, por considerar as tecnologias digitais como (meros) recursos didático-pedagógicos, colocando-as como simples evolução dos retroprojetores ou dos livros didáticos. Lideramos essa crítica (Pretto, 2013), pois entendíamos (e continuamos entendendo) que essa redução esvaziava as tecnologias digitais de suas características fundamentais, transformando-as em animadoras da velha educação, o que perdurava apenas enquanto o dispositivo era novidade. Mantinham-se, assim, os velhos modelos educacionais, só que agora reforçados com os novos e avançados recursos tecnológicos (Pretto, 2002, p. 124).
Nossa perspectiva defende a inserção das tecnologias nos processos educacionais como fundamento, como elementos carregados de conteúdos e como representantes de uma nova forma de pensar e sentir, a qual começa a ser gestada quando a humanidade se desloca de uma razão operativa para uma nova razão, baseada na globalidade e na integridade (Pretto, 2013). Ou seja, ao extrapolar a dimensão utilitarista de uso das tecnologias, pode-se incorporá-las como elementos estruturantes de novos territórios educativos, com [...] novas formas de ordenação da experiência humana, com múltiplos reflexos na área cognitiva e nas ações práticas, ao possibilitar novas formas de comunicação e produção de conhecimento, gerando com isso transformações na consciência individual, na percepção de mundo, nos valores e nas formas de atuação social. (Bonilla, 2002, p. 246).
Dessa forma, a escola aproxima-se da cultura digital, que se alastra com a chegada da internet, na década de 1990, desencadeando um movimento social e cultural de interação em rede e, com isso, as possibilidades de uso das tecnologias começam a se diversificar, abrindo novas formas de fazer, aprender, interagir, ser e estar em sociedade. Também na educação, novas frentes de pesquisa, análise e práticas se delineiam, aproximando-se da perspectiva estruturante que sempre defendemos.
[...]
Fonte: PRETTO, Nelson de Luca; BONILLA, Maria Helena Silveira. Tecnologias e educações: um caminho em aberto. Em Aberto, v. 35, n. 113, 2022. Disponível em: https://emaberto.inep.gov.br/ojs3/index.php/emaberto/article/view/5085. Acesso em: 02 abr. 2026.
Pretto e Bonilla (2022) apontam em seu artigo que o grupo de pesquisa do qual participam vem encampando algumas defesas ao longo dos anos sobre o uso das tecnologias nas escolas. Assinale a afirmativa que não registra uma dessas defesas.
O grupo de pesquisa vem argumentando no sentido de que a presença das tecnologias nas escolas é necessária, embora a simples presença não seja suficiente, e que ela precisa se dar não só pelos dispositivos, mas também por meio de uma conexão à internet de qualidade, que possibilite colocar a escola em interação com o mundo, reconfigurando assim as noções de tempo e espaço.
O grupo de pesquisa defende que já não se trata mais de transferir aos alunos conhecimentos, e, sim, de tornar alunos e professores autores, com capacidade para desconstruir e reconstruir os conhecimentos a partir de outras combinações, formatos e perspectivas, sempre pensando que essa produção deva se dar de forma colaborativa.
O grupo de pesquisa defende que não podemos nos restringir apenas ao consumo de informações, necessitando analisá-las com criticidade, selecionando as que são relevantes ou não em função do contexto e, mais do que tudo, estar sempre analisando e comparando cada informação segundo a fonte em que ela foi buscada e encontrada.
O grupo de pesquisa defende ser necessário desenvolver as habilidades de um letrado digital – relacionadas à compreensão do contexto tecnológico, ao conhecimento das funcionalidades, às linguagens, aos protocolos, aos registros e às licenças, [...], que permitam a alunos e professores interagir com as tecnologias e estar conscientes das possibilidades e das repercussões que elas têm na vida social.
O grupo de pesquisa conclui que, ao longo dos anos, não foi possível constatar avanços em termos pedagógicos na relação entre tecnologias e educação, uma vez que não se passou a pensar a presença das tecnologias ancoradas na sua apropriação crítica por parte de professores e alunos, não os preparando para a vida e para o mundo do trabalho.