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O processo de apropriação da linguagem escrita ultrapassa a dimensão técnico-instrumental da codificação, envolvendo operações simbólicas, cognitivas e sociais que articulam sujeito, texto e cultura, pois à luz das teorias da psicogênese da língua escrita, da abordagem enunciativo-discursiva e das concepções socioculturais da escrita como prática social, é correto afirmar que:
O ensino da leitura, se orientado por situações comunicativas autênticas, não garante, por si, a compreensão da natureza do sistema de escrita, sendo necessário que o sujeito elabore hipóteses sobre o funcionamento gráfico da linguagem, em contextos nos quais o texto seja simultaneamente objeto de uso e de análise.
O fracasso escolar em leitura e escrita decorre majoritariamente da dissociação entre fonologia e ortografia nos anos iniciais, uma vez que a ausência de consciência fonêmica impede a aquisição de fluência, sendo a valorização da cultura escrita um fator relevante apenas nos estágios mais avançados de escolarização.
Embora a reflexão metalinguística contribua para o avanço da consciência fonológica, a aprendizagem do sistema alfabético se dá prioritariamente por exposição sequencial a modelos de textualidade estáveis, o que torna secundária a atuação do sujeito enquanto produtor de linguagem no processo inicial da alfabetização.
A plena inserção do sujeito na cultura escrita, no contexto da alfabetização, depende da antecipação metodológica das correspondências fonema-grafema, uma vez que o fracasso em dominar tal aspecto no início compromete a construção de sentidos e impede o desenvolvimento autônomo de estratégias de leitura.