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Pesquisas recentes no campo da linguagem indicam que os conceitos de língua, ensino da língua, alfabetização e letramento não podem ser compreendidos como categorias estanques ou tecnicamente neutras, pois estão historicamente marcados por disputas de sentido, ideologias linguísticas e projetos de sociedade. Assim, compreender língua como prática social implica reconhecer a pluralidade dos usos linguísticos, a diversidade de sujeitos e contextos e os múltiplos modos de apropriação da escrita. Tendo em vista tais premissas, é epistemologicamente coerente afirmar que:
A concepção de língua como sistema de signos autônomos sustenta um modelo de alfabetização que prioriza o ensino explícito da estrutura morfossintática e da ortografia, elementos essenciais para garantir o domínio técnico do código e a inserção funcional do indivíduo no universo letrado.
As práticas de letramento, ao articularem oralidade, leitura e escrita em contextos reais de uso, reconhecem que o domínio da língua não se limita à codificação do alfabeto, mas se constitui na capacidade de produzir sentidos em situações historicamente situadas de interlocução.
O ensino da língua, quando orientado pela perspectiva da variação e da heterogeneidade linguística, compromete a construção de um padrão de referência estável, necessário para o exercício pleno da cidadania e para a valorização da norma culta como expressão do capital cultural coletivo.
Os processos de alfabetização devem ser conduzidos de maneira progressiva e linear, uma vez que a aquisição do código é condição necessária para o letramento, cujo desenvolvimento se dá apenas após a fixação das correspondências entre sons e letras.