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Em determinada escola da rede municipal de Campos dos Goytacazes, o professor de geografia do 9º ano, ao realizar o planejamento do semestre, decide reorganizar a sequência de conteúdos estabelecida no livro didático. Ele percebe que seus alunos, residentes em uma área com forte herança histórica e cultural, possuem saberes tradicionais que não são contemplados no material oficial. O professor propõe, então, um projeto curricular que articula os conceitos geográficos globais (conhecimento universal) com as dinâmicas territoriais e identitárias da comunidade local, tratando o currículo não como uma lista estática, mas como uma construção social que produz subjetividades. Considerando a dinâmica do currículo e os aspectos didáticos que o constituem, analise a seguinte afirmação: “A prática do professor é pedagogicamente fundamentada, pois entende o currículo como um instrumento potente para a transformação do ensino, no qual o docente assume o papel de pesquisador-inovador de sua própria práxis, articulando a intencionalidade do projeto institucional à realidade dos sujeitos”. Nesse contexto, infere-se que a afirmativa é:
Verdadeira, pois o terceiro nível de concretização do currículo ocorre na sala de aula, onde a relação professor-aluno-conhecimento deve ser mediada pelo movimento de ação-reflexão-ação, validando o professor como gestor da inovação curricular.
Verdadeira, contudo, tal inovação só é permitida se o professor restringir a abordagem da cultura local aos momentos de formação continuada, preservando o espaço da sala de aula exclusivamente para a transmissão do conhecimento científico sistematizado.
Falsa, porque, embora o currículo produza subjetividade, a função do professor no processo de inovação curricular é a de executor técnico de propostas externas, devendo evitar a problematização da realidade para não comprometer a neutralidade científica.
Falsa, visto que a autonomia docente para modificar a sequência de conteúdos fere a dimensão teleológica do currículo, uma vez que a finalidade educativa (o “norte” institucional) deve ser garantida pela padronização nacional e não pelas subjetividades locais.