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As principais teorias do desenvolvimento e da aprendizagem (piagetiana, histórico-cultural, cognitivista e psicanalítica) oferecem diferentes chaves de leitura sobre o aprender e, consequentemente, orientam de modos distintos a intervenção psicopedagógica. Considerando essas correntes e suas implicações na prática profissional, pode-se afirmar que a prática psicopedagógica deve:
Priorizar exercícios graduais de treino cognitivo, pois a repetição sistemática assegura a consolidação das estruturas mentais do aprendiz.
Integrar construção cognitiva, mediação social e dimensão afetiva do sujeito, utilizando avaliação processual e intervenções situadas nos contextos de aprendizagem.
Centrar-se na correção de déficits individuais por meio de técnicas diretivas, minimizando a influência do contexto escolar e familiar.
Concentrar-se na aplicação de protocolos padronizados de estimulação, garantindo uniformidade diagnóstica e comparabilidade dos resultados.
O currículo escolar não é um instrumento neutro, mas um espaço onde se confrontam culturas hegemônicas e subalternas. Miguel Arroyo define a escola e o currículo como territórios de disputa onde não se negociam apenas conhecimentos, mas fundamentalmente a afirmação de:
Identidades.
Calendários.
Estatísticas.
Orçamentos.
Matrículas.
Em determinada escola da rede municipal de Campos dos Goytacazes, o professor de geografia do 9º ano, ao realizar o planejamento do semestre, decide reorganizar a sequência de conteúdos estabelecida no livro didático. Ele percebe que seus alunos, residentes em uma área com forte herança histórica e cultural, possuem saberes tradicionais que não são contemplados no material oficial. O professor propõe, então, um projeto curricular que articula os conceitos geográficos globais (conhecimento universal) com as dinâmicas territoriais e identitárias da comunidade local, tratando o currículo não como uma lista estática, mas como uma construção social que produz subjetividades. Considerando a dinâmica do currículo e os aspectos didáticos que o constituem, analise a seguinte afirmação: “A prática do professor é pedagogicamente fundamentada, pois entende o currículo como um instrumento potente para a transformação do ensino, no qual o docente assume o papel de pesquisador-inovador de sua própria práxis, articulando a intencionalidade do projeto institucional à realidade dos sujeitos”. Nesse contexto, infere-se que a afirmativa é:
Verdadeira, pois o terceiro nível de concretização do currículo ocorre na sala de aula, onde a relação professor-aluno-conhecimento deve ser mediada pelo movimento de ação-reflexão-ação, validando o professor como gestor da inovação curricular.
Verdadeira, contudo, tal inovação só é permitida se o professor restringir a abordagem da cultura local aos momentos de formação continuada, preservando o espaço da sala de aula exclusivamente para a transmissão do conhecimento científico sistematizado.
Falsa, porque, embora o currículo produza subjetividade, a função do professor no processo de inovação curricular é a de executor técnico de propostas externas, devendo evitar a problematização da realidade para não comprometer a neutralidade científica.
Falsa, visto que a autonomia docente para modificar a sequência de conteúdos fere a dimensão teleológica do currículo, uma vez que a finalidade educativa (o “norte” institucional) deve ser garantida pela padronização nacional e não pelas subjetividades locais.
O conceito de "Currículo Oculto" refere-se às aprendizagens que ocorrem na escola de forma não explícita. Sobre esse fenômeno, é correto afirmar que ele:
Compreende as atividades extracurriculares planejadas pela coordenação pedagógica, como feiras de ciências e excursões.
É composto pela carga horária destinada às disciplinas de livre escolha do aluno, como os itinerários formativos do novo ensino médio.
Constitui-se por atitudes, valores e normas que são transmitidos pelas relações sociais e pelas rotinas escolares, muitas vezes reforçando desigualdades.
Refere-se aos conteúdos que o professor decide omitir do plano de ensino por considerá-los ideologicamente perigosos.
As DCNs Gerais definem o currículo como um espaço de disputa e construção. Segundo o documento, o currículo possui uma base comum e uma parte diversificada que:
Constituem um todo integrado e não podem ser consideradas como dois blocos distintos, devendo estar consubstanciadas no projeto político-pedagógico.
São independentes entre si, sendo a base comum responsabilidade do Governo Federal e a parte diversificada uma opção voluntária da coordenação pedagógica.
Devem ser aplicadas de forma sequencial, onde a parte diversificada só inicia após a conclusão total dos conteúdos da base comum.
Priorizam a base comum em detrimento da diversificada, sendo esta última restrita a atividades físicas e artes.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece competências gerais que orientam o desenvolvimento integral dos estudantes, envolvendo aspectos cognitivos, sociais, emocionais e éticos, necessários para a participação crítica na sociedade contemporânea. Com base nas competências gerais da BNCC, analise os itens a seguir:
I. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis para formular e defender ideias.
II. Promover o respeito aos direitos humanos e à consciência socioambiental nas interações sociais.
III. Desenvolver posicionamento ético nas decisões relacionadas ao cuidado consigo, com os outros e com o planeta.
É CORRETO o que se afirma em:
II e III, apenas.
I, apenas.
II, apenas.
I e II, apenas.
I, II e III.
"O currículo não se encerra na dimensão planejada ou prescritiva. Não se limita à concretização do planejamento. Ele é diretamente afetado pelas reações e iniciativas dos alunos, o que exige por parte do professor um trabalho de improviso em sala de aula [...]. As atividades, o trabalho escolar dos alunos escapa parcialmente ao seu controle, porque, no seu percurso didático, nem tudo é escolhido de forma perfeitamente consciente e, sobretudo, porque as resistências dos alunos e as eventualidades da prática pedagógica [...] fazem com que as atividades nunca se desenrolem exatamente como previsto."
(PERRENOUD, P. Ofício de aluno e sentido do trabalho escolar. Porto: Porto Editora, 1995. Adaptado).
O texto de Perrenoud descreve a tensão dialética entre o ideal planejado e a prática cotidiana. Na teoria curricular, a dimensão descrita, que se concretiza na interação professor-aluno, representando a transposição didática do planejamento, as adaptações práticas e o fazer pedagógico efetivo em sala de aula, é denominada
Currículo Oculto.
Currículo Prescrito.
Currículo Real.
Currículo Formal.
Currículo Nulo.
O currículo da escola prevê desenvolvimento progressivo de argumentação, mas, ao analisar planos e cadernos, a equipe de coordenação observa predominância de cópia, respostas curtas e pouca oportunidade de justificar escolhas. Docentes afirmam que “cumpriram o conteúdo”, porém não conseguem apontar indícios de habilidade.
Sem engessar o trabalho docente, qual ação traduz melhor a articulação currículo–prática?
Uniformização documental por modelo único de plano, tomando padronização formal como principal garantia de alinhamento pedagógico.
Tradução das habilidades em metas observáveis, com exemplos de tarefas, critérios de verificação e observação em sala com devolutivas formativas.
Inserção nominal da habilidade no plano (por exemplo, “argumentação”), preservando tarefas e avaliações atuais para manter a rotina.
Referência a um docente “mentor” para orientar colegas, sem condução coletiva por área e sem seguimento sistemático da coordenação.
Adoção da matriz de descritores da prova externa como guia central, rebaixando o currículo institucional a papel secundário na organização didática.
O Parecer CNE/CEB 20/2009 fundamenta a função sociopolítica e pedagógica da Educação Infantil, superando a visão meramente assistencialista ou preparatória. O documento reafirma que a prática pedagógica deve ter como eixos norteadores as interações e a brincadeira, garantindo no currículo a indissociabilidade entre:
Teoria e Prática.
Escola e Comunidade.
Lúdico e Cognitivo.
Família e Estado.
Cuidar e Educar.
A carreira de docente EBTT nos IFs caracteriza-se pela indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, além de atribuições específicas de gestão acadêmica. Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando a atribuição docente à sua respectiva dimensão formativa ou institucional.
Coluna 1
1. Participação em colegiado de curso.
2. Elaboração e revisão do PPC.
3. Orientação de TCC.
4. Orientação de estágio supervisionado.
5. Acompanhamento de atividades acadêmicas.
Coluna 2
( ) Articulação entre formação teórica e inserção profissional, com acompanhamento metodológico e científico do estudante.
( ) Tomada de decisões coletivas sobre planejamento curricular, avaliação institucional e acompanhamento do processo formativo.
( ) Garantia da coerência entre perfil do egresso, competências formativas e diretrizes institucionais, com participação coletiva do corpo docente.
( ) Acompanhamento da transição entre formação acadêmica e prática profissional, articulando teoria e mundo do trabalho.
( ) Monitoramento contínuo do processo de aprendizagem, com ações de suporte pedagógico e prevenção à evasão.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
3 – 1 – 2 – 4 – 5.
4 – 2 – 1 – 5 – 3.
2 – 4 – 5 – 1 – 3.
5 – 3 – 2 – 1 – 4.
3 – 2 – 1 – 5 – 4.
Ao discutir a relação entre currículo e conhecimento, Michael Young propõe o conceito de "conhecimento poderoso". Para o autor, esse conceito se diferencia do "conhecimento dos poderosos" porque:
Refere-se ao conhecimento técnico voltado exclusivamente para o mercado de trabalho altamente qualificado.
Baseia-se em conhecimentos disciplinares especializados que permitem ao estudante ir além de sua experiência local e quotidiana para explicar o mundo.
É um conhecimento construído de forma espontânea pelos alunos, sem a mediação do professor ou de referenciais teóricos.
Trata-se do conjunto de saberes populares que devem substituir os conhecimentos científicos nos currículos das periferias.
O currículo escolar deve se limitar à reprodução dos conhecimentos formais, historicamente acumulados pela humanidade, não podendo incluir os saberes oriundos da cultura local e do cotidiano não comprovados e validados cientificamente.
Certo
Errado
Em uma escola, além dos conteúdos previstos oficialmente no currículo, os estudantes também aprendem outros aspectos relacionados à organização institucional e às relações sociais presentes no cotidiano escolar.
Nesse contexto, assinale a alternativa que conceitua corretamente o currículo oculto:
Instrumento normativo que organiza formalmente conteúdos, competências e objetivos previstos para cada etapa da escolarização básica.
Sistema institucional de avaliação destinado à classificação do desempenho acadêmico dos estudantes ao término dos períodos letivos.
Conjunto de valores, atitudes e aprendizagens socialmente transmitidos pelas práticas, relações e dinâmicas cotidianas da cultura escolar.
Conjunto de materiais pedagógicos selecionados pela escola para orientar o desenvolvimento das atividades didáticas em sala de aula.
O currículo, como prática social, ultrapassa a simples seleção de tópicos formais. Ele incorpora valores e objetivos que definem o rumo do projeto educativo na escola. Marque a descrição que condiz com esse enfoque curricular.
Sistematizar os componentes curriculares a partir de princípios de equidade, criando condições para aprendizagens mais amplas.
Conduzir a grade de disciplinas somente com base em rankings de desempenho.
Inibir a participação da comunidade escolar na formulação do projeto curricular, priorizando resultados imediatos.
Definir trajetórias de ensino desvinculadas da análise das realidades sociais que cercam a escola.
Na Proposta Curricular de Santa Catarina (2005), o capítulo sobre Alfabetização com Letramento defende que:
alfabetizar implica ensinar o sistema de escrita em contextos reais de uso da linguagem, vinculando-o às práticas sociais de leitura e produção textual.
alfabetização e letramento são processos independentes, conduzidos em momentos distintos do ensino.
alfabetizar é memorizar o alfabeto e as famílias silábicas de forma mecânica.
o letramento é uma etapa posterior à alfabetização, voltada à compreensão dos textos escolares.
o ensino da leitura deve preceder a escrita, garantindo domínio técnico do código.
O currículo operacional é aquele que é incorporado nas próprias práticas de ensino e testes. Além do mais, ele também é denominado currículo relevante, sendo, assim, resultado da aplicabilidade e da utilidade do currículo, ao passar da teoria à prática.
Certo
Errado
Sobre o conceito de currículo na Educação Infantil, assinale a alternativa INCORRETA.
A vida social em sua complexidade está presente no currículo da Educação Infantil.
Os contextos sociais, e neles os contextos familiares, merecem ter destaque na formulação dos princípios e dos conhecimentos curriculares.
O currículo não será compreendido como prescrição, mas como ação produzida entre professoras e crianças na escola, tendo por base os princípios educativos.
O currículo é mais consistente e comprometido quando estabelece, com cuidado, uma listagem prévia de conteúdos disciplinares a serem ensinados às crianças.
O foco do currículo é nas crianças e em suas relações, concebendo-o como construção, articulação e produção de aprendizagens que acontecem no encontro entre os sujeitos e a cultura.
Apple (2006), em seus estudos, aponta saídas para superar esta condição da prevalência da lógica do capital sobre o sistema educacional. Para o autor, prioritariamente, faz-se necessário entender que tipo de escola se quer defender, reconhecendo os elementos positivos e negativos, construindo uma esfera pública que desafie o modelo neoliberal. Para Apple, há uma luta entre o domínio das necessidades sociais e, nesse sentido, a defesa de políticas de inclusão e de educação de qualidade. Ocorre, assim, o domínio da racionalidade financeira em defesa de políticas neoliberais, prevalecendo no indivíduo a culpa e, portanto, a exclusão.
APPLE, Michael W. Ideologia e currículo. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
Sobre a defesa de políticas de inclusão, o currículo de abordagem crítica defende que
o currículo tem como cerne os elementos do processo de ensino e aprendizagem, principalmente a didática e a avaliação.
os conteúdos curriculares devem estar interligados à realidade dos educandos, tais como a desigualdade social, pois além de reconhecer que é pela cultura que a escola transmite as experiências acumuladas socialmente aos alunos, é também por meio da educação e de seus conteúdos que se pode mudar a cultura que reafirma as desigualdades.
a tolerância entre as diferentes identidades culturais constitui o discurso para o currículo multicultural que difere do currículo normativo escolar.
as relações de desigualdade social ou de gênero são narrativas discursivas sobre a identidade e se fundamentam no currículo pós-colonial.
O currículo em movimento propõe a flexibilização dos itinerários formativos, permitindo que o estudante escolha trajetórias personalizadas, o que se aplica tanto à educação profissional quanto ao ensino regular da educação básica.
Certo
Errado
Qual das afirmativas abaixo não condiz corretamente com as especificidades do currículo escolar?
Os currículos não podem ser entendidos como conteúdos prontos a serem passados aos alunos.
As dinâmicas da sociedade são responsáveis por orientar a consecução dos currículos.
Os currículos compreendem a sistematização de conhecimentos e práticas produzidas em contextos concretos e em dinâmicas sociais, políticas e culturais, intelectuais e pedagógicas.
Se a escola e especificamente o ordenamento curricular são constituintes de protótipos de alunos, as imagens sociais que projetamos sobre eles nos chegam de fora, influenciadas por uma série de fatores, como por exemplo, a cultura social.
O ordenamento curricular caracteriza-se por sua neutralidade dentro da realidade social.