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No trabalho nas maternidades, algumas das intercorrências com que o psicólogo precisa lidar são situações de óbito fetal.
Que diferenças o psicólogo encontrará no processo de luto relativo ao óbito fetal, em comparação com outros lutos?
A ausência de memórias do filho perdido, a menor valoração social da perda sofrida e a subvaloração do luto na figura masculina farão com que esse luto tenha dificuldades muito peculiares para se estabelecer
O luto nesses casos é muito mais da função parental perdida do que da criança, sendo preciso trabalhar a perda dos ideais parentais, já que, na realidade, a criança não chegou a existir
O valor social dado à perda de um filho determina, em grande parte, os sentimentos experimentados pelos pais, devendo-se sustentar que a gravidez interrompida pode ser substituída por outra gravidez, permitindo que o processo de luto não assuma proporções patológicas.
O luto perinatal tende a ser menos doloroso, uma vez que o que torna o processo de luto mais ou menos trabalhoso diz respeito à magnitude das adaptações que precisarão ser feitas na vida prática, que, nesse caso, inexistem.
Se o luto é pensado a partir das teorias que o descrevem em fases, pode-se entender que no luto perinatal não são possíveis as fases de negação e barganha, o que torna o processo particularmente difícil e jamais completamente resolvido.