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Segundo Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2014, p. 560-561), “contrariando forças que buscam segmentar o campo da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT), separando em mundos isolados os que se dedicam às clássicas atividades da psicologia organizacional daqueles que se ocupam das questões do trabalho e da saúde do trabalhador, a Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT) lançou um relevante Manifesto, em 29 de novembro de 2009 (Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho, 2009), em que defende de forma clara e fundamentada a imperiosa necessidade de que trabalho e organização não sejam cindidos como mundos separados”. Apoiado nos pressupostos de que a psicologia é um campo disperso e de que o respeito à diversidade é fundamental, o documento destaca, em linhas gerais o seguinte, EXCETO:
A centralidade do trabalho, como atividade humana e social, e a importância de organizá-lo como processo, criticando a possibilidade de se pensar o trabalho descolado da discussão sobre os modos de organizá-lo.
A importância das organizações como mecanismos socialmente criados para atender às necessidades coletivas, que também são diversificadas em termos de cultura, políticas e práticas de gestão, questionando a possibilidade de se fazer uma psicologia apenas voltada para o “trabalho”, sem pensar nas “organizações” em que ele ocorre.
As transformações ocorridas no campo revelam um processo contínuo de alargamento do espaço de atuação de um número expressivo de psicólogos no Brasil – tal ampliação conduziu a uma crescente consciência de que trabalho e gestão são fenômenos imbricados e de que decisões e políticas organizacionais podem ser à base de bem-estar ou de adoecimento no trabalho. As condições de trabalho podem ser desumanizadoras e precárias em inúmeros segmentos, formas e tipos de organizações: industriais, comerciais, escolares, hospitalares, sindicais, judiciais, esportivas, militares, legislativas, cooperativas populares e outras.
Os profissionais de saúde ocupacional deveriam considerar funcionários diagnosticados como portadores de problemas psicológicos a fim de avaliar criticamente suas atividades de aconselhamento e ajudá-los a explorar maneiras de obter maior satisfação no trabalho. No entanto, apenas o desenvolvimento de políticas de gerenciamento de estresse para identificar e erradicar as práticas laborativas que mais causam insatisfação no trabalho não é suficiente para melhorar a saúde do trabalhador.