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Considere os parágrafos da crônica “Queixa de defunto”, de Lima Barreto:
Antônio da Conceição, natural desta cidade, residente que foi em vida, na Boca do Mato, no Méier, onde acaba de morrer, por meios que não posso tomar público, mandou-me a carta abaixo que é endereçada ao prefeito. Ei-la:
Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Doutor Prefeito do Distrito Federal. Sou um pobre homem que em vida nunca deu trabalho às autoridades públicas nem a elas fez reclamação alguma. Nunca exerci ou pretendi exercer isso que se chama “os direitos sagrados de cidadão”. Nasci, vivi e morri modestamente, julgando sempre que o meu único dever era ser lustrador de móveis e admitir que os outros os tivessem para eu lustrar e eu não.
http://www.dominiopublico.gov.br/ download/texto/bi000173.pdf Acesso em: 22 fev. 2022.
O Manual de redação da Presidência da República, em sua terceira edição, de 2018, faz considerações sobre o emprego das formas de tratamento, no vocativo. Na hipótese de aplicarmos as prescrições desse documento à crônica, publicada em 1920, seria correto afirmar que
o uso da forma ‘ilustríssimo’ estaria adequado ao cargo de prefeito do Distrito Federal.
‘ilustríssimo’ deveria ser suprimido; já ‘doutor’, evitado.
as formas de tratamento estariam adequadas, dada a posição de subalternidade hierárquica do emissor em relação ao receptor.
bastaria apenas a forma ‘ilustríssimo’, que, por si, já confere a formalidade necessária.