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Após o processo de massificação da educação básica, sobretudo na Europa e nos EUA, diversos estudos em Sociologia da Educação buscaram discutir o papel da escola e sua capacidade de promover mobilidade social em um contexto de economia industrial e do conhecimento emergente. Dentre esses estudos, destacam-se as obras Os Herdeiros e A Reprodução, de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron. Marque a alternativa que expressa a tese da reprodução das desigualdades sociais a partir da construção teórica desses autores.
Os diferentes grupos e classes sociais articulam-se pelo controle e distribuições das credenciais e diplomas na sociedade moderna. A partir da manipulação da cultura legítima, tais grupos organizam estruturas e ações que mantêm o privilégio social de seus filhos, garantindo a reprodução das suas condições sociais.
Ao se deparar com as condições sociais de sua família, ou grupo de referência, os estudantes projetam os custos e benefícios que suas escolhas proporcionarão. Estudantes em maior desvantagem cultural, econômica e social tendem a projetar caminhos mais comuns e considerados seguros, buscando o trabalho ao invés do investimento a longo prazo nos estudos. Dessa forma, estrutura-se uma tendência de reprodução das condições sociais da família, esmaecida como escolha racional dos estudantes.
Estudantes com melhores condições sociais de origem apresentam maior capacidade competitiva entre seus pares escolares. Apesar de a escola atuar na compensação das desigualdades sociais de origem e na busca por um regime meritocrático minimamente eficiente, tais vantagens de origem permanecem e influenciam ao longo de toda a trajetória escolar e na posição sócio-ocupacional futura.
Os agentes escolares, imbuídos de autoridade pedagógica, estruturam os currículos e as avaliações em consonância com o capital cultural legítimo correspondente àquele das classes dominantes. Assim, constitui-se um arbitrário cultural ao qual aderem estudantes com melhores vantagens a partir de seus capitais sociais, econômicos e culturais de origem. Desta forma, vantagens sociais de origem convertem-se em vantagens escolares e são então institucionalizadas em títulos, credenciais e diplomas.
As instituições escolares, assim como as demais instituições sociais, reproduzem uma estrutura de controle, favorecendo aqueles que se coadunam com o arbitrário cultural socialmente legítimo. Essas formas e mecanismos institucionais independem das ações dos indivíduos e agentes escolares, pois funcionam de forma sistêmica, selecionando e impulsionando aqueles com melhores vantagens sociais, econômicas e culturais de origem para uma trajetória de maior longevidade escolar e, por consequência, melhores posições profissionais.