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“Devemos estar prevenidos contra duas formas de reducionismo que esses escritos sugerem...

“Devemos estar prevenidos contra duas formas de reducionismo que esses escritos sugerem ou promovem. Uma delas é uma concepção redutiva das instituições, a qual, ao procurar mostrar o fundamento das instituições no inconsciente, não deixa campo suficiente para a operação de forças sociais autônomas. A segunda forma é uma teoria redutiva da consciência, a qual, querendo mostrar quanto da vida é governado por correntes sombrias fora do alcance da consciência dos atores, não pode apresentar adequadamente o nível de controle que os agentes estão caracteristicamente aptos a manter de modo reflexivo sobre sua própria conduta.” (Giddens, 2009, p. 5-6).


GIDDENS, Anthony. A constituição da sociedade. 3. ed. São Paulo: WWF Martins Fontes, 2009.


Neste trecho, Anthony Giddens argumenta pela necessidade de uma concepção de ação social não reducionista, coerente com sua teoria da estruturação social, uma vez que, para Giddens:


A

A estrutura social é resultado de um processo que se organiza a partir de dois níveis de consciência - discursiva e prática - que permitem estruturar reflexivamente a ação dos indivíduos e a organização social e política.


B

A ação humana caracteriza-se como fluxo (durée) ao invés de atos, organiza-se a partir dos níveis de reflexividade discursiva e prática, constituindo a capacidade de monitoração reflexiva que permite antecipar e mobilizar uma matriz de recursos (regras e materiais) resultados de estruturas sociais normativas e valorativas anteriores aos indivíduos no presente da ação.


C

A ação humana deve ser entendida como fluxo (durée), que se organiza a partir dos níveis de consciência (reflexividade) discursiva e prática, constituindo a agência em dualidade com a estrutura, essa que não se caracteriza como formas de padronização, mas como matriz de recursos (regras e materiais), passível de práticas, manipulações e organização, o que permite a dupla hermenêutica entre a estabilidade e a mudança social.


D

Há uma dupla hermenêutica entre agência e reflexividade (a priori ou a posteriori) que permitem a constituição de práticas de longa duração e extensão espaço-temporal, como as instituições sociais. Essa dualidade constitui um espaço-tempo social em diferentes níveis de sedimentação, portanto, mais ou menos institucionalizado, intensivo ou superficial, tácito ou discursivo, permitindo um fluxo (durée) entre estabilidade e mudança social.


E

As ações humanas são resultado de estruturas sociais (regras e materiais), estruturadas e estruturantes, e sempre anteriores aos indivíduos em relação à ação presente. Para Giddens, há um fluxo (durée) entre a estrutura social incorporada e a capacidade de agência e reflexividade dos indivíduos, que constitui o poder (capacidade de realizar algo) e por consequente, a mudança social.