Imagem de fundo

Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre 1990 e 2020, a popula...

Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre 1990 e 2020, a população encarcerada no Brasil experimentou um aumento significativo, focando, em especial, nos grupos de jovens entre 18 e 29 anos. Em 1990, o Brasil tinha cerca de 90 mil pessoas encarceradas. Em 2020, esse número ultrapassou 760 mil pessoas, representando um aumento de mais de 740%. O salto na população encarcerada levou especialistas a considerarem que: “O encarceramento (em massa) da juventude pobre (...) alimenta o extermínio, a execução dos jovens em incursões policiais e as chacinas revelam a necropolítica que nos governa.”


Batista, Vera Malaguti. Difíceis Ganhos Fáceis: Drogas e Juventude Pobre no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Revan, 2003, p. 113.


No Brasil, políticas de encarceramento em massa impactam desproporcionalmente a juventude negra e pobre, contribuindo para um ciclo marcado simultaneamente pela desestruturação das comunidades vulneráveis, pelo aprofundamento da repressão policial e pela reprodução da segregação espacial dos pobres e dos negros. O uso da expressão “necropolítica que nos governa” pela autora sugere que:


A

As políticas de encarceramento no país são marcadas por técnicas de classificação, controle e disciplina dos grupos de jovens vivendo em comunidades pobres.


B

No Brasil, as políticas de segurança pública alcançaram o objetivo de conter a criminalidade, ainda que às custas da morte de jovens traficantes.


C

O órgão principal da governança pública nas comunidades pobres é o assédio policial sistemático que encarcera e extermina, sobretudo, a população mais jovem.


D

Nos últimos trinta anos, a elevação do encarceramento no país decorre do aumento demográfico da população mais vulnerável tendo em vista a queda da taxa de mortalidade infantil verificada no período.


E

O aumento no número de jovens encarcerados ou vitimados pela ação das forças policiais não decorre de uma política do Estado, mas do aumento da pobreza e da presença de traficantes nas comunidades pobres.