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Gabriela e Flávia vivem em união estável há cinco anos. Gabriela é professora e trabalha em dois turnos, enquanto Flávia, mulher trans, que não exerce atividade remunerada, cuida das tarefas domésticas. Nas últimas semanas, Flávia passou a relatar episódios frequentes em que Gabriela a empurra e arremessa objetos durante discussões. Além disso, Gabriela zomba de sua aparência, diz que ninguém mais a aceitaria por ser mulher trans e ameaça constantemente expulsá-la de casa. Flávia também tem seu acesso ao cartão bancário controlado por Gabriela, que exige justificativas para cada gasto, recusa-se a dividir o saldo da conta conjunta e faz transferências para a própria família sem consultar a companheira.
Diante desse contexto, é correto afirmar que:
como se trata de uma relação entre duas mulheres, há igualdade entre as partes, sendo inadequado aplicar o conceito de violência à relação;
sendo Gabriela a principal provedora da casa, o controle dos recursos financeiros por ela não configura forma de violência;
o caso envolve práticas de violência física, psicológica e patrimonial reconhecidas pela legislação brasileira como formas de violência doméstica;
o fato de Flávia ser uma pessoa trans impede que sejam caracterizados como violência doméstica os atos praticados por Gabriela;
a situação descrita não caracteriza violência psicológica, pois não há registro de sofrimento mental clinicamente diagnosticado.
Nos últimos anos, duas abordagens distintas têm marcado o debate sobre as desigualdades no Brasil. De um lado, pesquisas como as reunidas na obra Trajetórias da desigualdade: como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos, organizada pela cientista política Marta Arretche, enfatizam os efeitos positivos de políticas públicas na redução das desigualdades em diversas áreas — como o acesso à educação básica, aos serviços urbanos, à renda e à participação política. Esses avanços, segundo os autores, resultam de mudanças incrementais nas regras de provisão e financiamento das políticas sociais. De outro lado, estudos como Uma história da desigualdade: a concentração de renda entre os ricos no Brasil (1926-2013), do cientista político Pedro Ferreira de Souza, destacam a persistência histórica da concentração de renda no topo. Para Souza, essa concentração revela uma resistência estrutural às reformas graduais, sugerindo que transformações redistributivas significativas só ocorrem em momentos de crise e ruptura política, devido à capacidade das elites de impor vetos a mudanças mais profundas.
Considerando os dois diagnósticos sobre a trajetória das desigualdades no Brasil, a alternativa que expressa corretamente um ponto de tensão entre as abordagens é a seguinte:
ambas as abordagens associam a ampliação do sufrágio universal a uma queda sustentada da desigualdade, destacando a eficácia da participação eleitoral como principal motor redistributivo;
uma das abordagens atribui a redução das desigualdades à institucionalização de espaços participativos, enquanto a outra identifica na fragmentação federativa o principal entrave à coordenação de políticas redistributivas;
uma abordagem destaca o impacto de políticas redistributivas pontuais na inclusão social, enquanto a outra enfatiza os limites dessas ações frente à estabilidade dos interesses das elites econômicas;
uma das abordagens enfatiza a herança econômica do regime autoritário como fator de continuidade da desigualdade, enquanto a outra sustenta que a manutenção dos altos níveis de desigualdade decorre do excesso de gasto social em períodos de crescimento;
ambas as abordagens convergem ao explicar a desigualdade brasileira a partir de traços culturais persistentes, como o patrimonialismo e o clientelismo, que impedem a consolidação de políticas públicas universais.
A pesquisa do Instituto Marielle Franco, intitulada “Regime de Ameaça: Violência Política de Gênero e Raça no Âmbito Digital”, revela que a violência política digital não é pontual, mas sistêmica e coordenada. Entre os casos mapeados, 71% das ameaças envolveram morte ou estupro, e 63% das ameaças de morte faziam referência direta ao assassinato de Marielle Franco, revelando um padrão simbólico e violento que transforma esse feminicídio político em advertência às mulheres negras que ousam disputar o poder. Diante dessa realidade, foi homologada lei que tipifica o crime de violência política de gênero, que busca contribuir para mudar o seguinte quadro brasileiro:
55% da população brasileira se reconhece como negra, sendo a bancada feminina a maioria no Congresso Nacional.
52% da população brasileira se reconhece como do gênero feminino, mas a bancada feminina no Congresso Nacional é menor que 18% do total.
55% da população brasileira se reconhece como do gênero masculino, mas a bancada feminina no Congresso Nacional é menor que 18% do total.
31% da população brasileira está na faixa de renda C, e a bancada negra no Congresso Nacional é maioria.
52% da população brasileira se reconhece como do gênero feminino, sendo a bancada feminina também maioria no Congresso Nacional.
A desigualdade social no Brasil é um fenômeno histórico e estrutural, resultante de diversos fatores que moldaram a formação econômica e social do país.
Entre as principais origens da desigualdade social brasileira, destaca-se:
A abolição da escravidão em 1888, que garantiu plenos direitos e condições de igualdade aos ex-escravizados, mas não foi suficiente para eliminar todas as diferenças sociais.
O processo de industrialização tardia do Brasil, que ocorreu simultaneamente a uma ampla reforma agrária, garantindo equidade no acesso à terra e oportunidades econômicas.
A colonização baseada na exploração económica e no trabalho forçado, seguida pela manutenção de privilégios para determinadas camadas sociais ao longo da história.
A promulgação da Constituição de 1988, que ampliou os direitos sociais, mas ao mesmo tempo intensificou a desigualdade entre as classes devido ao aumento da carga tributária sobre os menos favorecidos.
Uma política de valorização do salário-mínimo desde o início do século XX, que aumentou a concentração de renda prejudicando o setor empresarial.
Joana é uma mulher negra que trabalha como empregada doméstica desde os 14 anos. Apesar de ter se alfabetizado ainda criança, Joana não teve acesso à educação formal contínua, por ser a principal provedora de renda em sua família.
A trajetória de Joana reflete o fenômeno da:
discriminação de gênero, caracterizada por desigualdades baseadas no fato de a pessoa ser mulher;
discriminação racial, relacionada ao preconceito e à exclusão baseados na raça ou identidade étnico-racial;
discriminação etária, identificada quando pessoas são prejudicadas em razão da sua idade, especialmente no acesso a direitos e oportunidades;
discriminação de classe, que se refere às desigualdades econômicas e sociais decorrentes da posição que o indivíduo ocupa na estrutura produtiva;
discriminação múltipla ou agravada, que ocorre quando diferentes fatores, como raça, gênero e classe, interagem concomitantemente na produção de desigualdades.


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O Programa Bolsa Família (PBF) foi criado em 2003 como forma de combate à fome e à extrema pobreza, visando a unificar diversos outros programas sociais existentes.
Em relação à estrutura e ao escopo do PBF, é correto afirmar que:
seu baixo custo levanta questionamentos sobre a extensão de seus impactos positivos;
pode ser considerado universalista, por ser focalizado entre os mais pobres do país;
atua, por seus condicionantes, para além da simples transferência monetária aos beneficiários;
contribui para a redução da oferta de trabalho e teve efeito adverso na fertilidade das famílias atendidas;
exclui parte significativa dos indivíduos que poderiam ser abrangidos pelo programa, em virtude da exigência de que a transferência do benefício seja feita via Caixa Econômica Federal.
Apesar dos avanços das últimas décadas, a desigualdade e a pobreza permanecem elevadas tanto no Brasil quanto em escala global, apontam organismos oficiais nacionais e internacionais.
O envelhecimento populacional, a informalidade do mercado de trabalho, a fragilidade fiscal dos Estados, os desastres naturais e as mudanças climáticas a um só tempo demandam e dificultam a implantação de políticas sociais efetivas.
Com relação aos desafios na implementação das políticas sociais no Brasil, é correto afirmar que:
a garantia de fontes de financiamento estáveis e suficientes para políticas sociais é um dos problemas a equacionar, especialmente em contextos de crise econômica. A sustentabilidade fiscal não foi prestigiada pela última reforma da previdência, encampada pela Emenda Constitucional nº 103/2019;
a persistência da desigualdade social exige políticas que combinem universalização e direcionamento. O modelo brasileiro, em geral, alterna entre programas amplos (como o bolsa família) e direcionados (como o Sistema Único de Saúde), o que vai ao encontro de resultados distributivos;
as transformações no mercado laboral, como o crescimento do trabalho informal e por plataformas e o fenômeno da “pejotização”, dificultam o acesso à proteção previdenciária e aos direitos trabalhistas, desafiando o modelo securitário, cuja base de financiamento radica precipuamente na folha de salário e nos demais rendimentos do trabalho;
a articulação das ações dos diversos segmentos de proteção social em estratégias convergentes enfrenta dificuldade ainda hoje, levando a desperdício de recursos, sobreposição de iniciativas e lacunas na tutela social, apesar de a União Federal exercer a competência privativa no combate às causas da pobreza e aos fatores de marginalização;
grupos como população em situação de rua, povos indígenas, migrantes, pessoas com deficiência e idosos ainda enfrentam obstáculos para acesso pleno aos direitos sociais. Essa realidade reflete insuficiências estruturais e institucionais, apesar da instituição do “sistema especial de inclusão previdenciária”, destinado a integrar esses segmentos historicamente excluídos ao seguro social.
Em geral, as populações econômica e socialmente mais vulneráveis são as que mais padecem com a emergência climática dos dias atuais, justamente porque são impelidas a ocupar áreas mais suscetíveis a fenômenos naturais extremos, como encostas e beiras de rios.
Certo
Errado
O Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial, apresentando uma das maiores áreas habitáveis e produtivas do mundo. No entanto, é também um dos países com maior índice de desigualdade social. Como informa o IBGE, em 2021, pelos critérios do Banco Mundial, 62,5 milhões de pessoas (29,4% da população do Brasil) estavam na pobreza e, entre elas, 17,9 milhões (8,4% da população) eram extremamente pobres. Em 2021, a proporção de crianças menores de 14 anos de idade abaixo da linha de pobreza chegou a 46,2%, o maior percentual da série iniciada em 2012. Já a proporção de pretos e pardos abaixo da linha de pobreza (37,7%) é praticamente o dobro da proporção de brancos (18,6%).
Considerando os dados apresentados pelo IBGE, para melhorar os indicadores com responsabilidade ambiental e diminuir as desigualdades sociais caberia
implementar políticas de combate à grilagem da terra.
reservar o crédito agrícola para os grandes proprietários.
promover políticas de uso agrícola de terras indígenas.
revisar os dados e resultados divulgados pelo IBGE.
incentivar o garimpo industrial em terras improdutivas.
Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre 1990 e 2020, a população encarcerada no Brasil experimentou um aumento significativo, focando, em especial, nos grupos de jovens entre 18 e 29 anos. Em 1990, o Brasil tinha cerca de 90 mil pessoas encarceradas. Em 2020, esse número ultrapassou 760 mil pessoas, representando um aumento de mais de 740%. O salto na população encarcerada levou especialistas a considerarem que: “O encarceramento (em massa) da juventude pobre (...) alimenta o extermínio, a execução dos jovens em incursões policiais e as chacinas revelam a necropolítica que nos governa.”
Batista, Vera Malaguti. Difíceis Ganhos Fáceis: Drogas e Juventude Pobre no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Revan, 2003, p. 113.
No Brasil, políticas de encarceramento em massa impactam desproporcionalmente a juventude negra e pobre, contribuindo para um ciclo marcado simultaneamente pela desestruturação das comunidades vulneráveis, pelo aprofundamento da repressão policial e pela reprodução da segregação espacial dos pobres e dos negros. O uso da expressão “necropolítica que nos governa” pela autora sugere que:
As políticas de encarceramento no país são marcadas por técnicas de classificação, controle e disciplina dos grupos de jovens vivendo em comunidades pobres.
No Brasil, as políticas de segurança pública alcançaram o objetivo de conter a criminalidade, ainda que às custas da morte de jovens traficantes.
O órgão principal da governança pública nas comunidades pobres é o assédio policial sistemático que encarcera e extermina, sobretudo, a população mais jovem.
Nos últimos trinta anos, a elevação do encarceramento no país decorre do aumento demográfico da população mais vulnerável tendo em vista a queda da taxa de mortalidade infantil verificada no período.
O aumento no número de jovens encarcerados ou vitimados pela ação das forças policiais não decorre de uma política do Estado, mas do aumento da pobreza e da presença de traficantes nas comunidades pobres.


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Em seu ensaio Economia brasileira: crítica à razão dualista (1972), o sociólogo Francisco de Oliveira tematizou as contradições e complexidades do desenvolvimento econômico e social brasileiro partindo de uma crítica às interpretações de nossa formação histórica apoiadas na separação entre um setor “moderno” e um setor “atrasado” da economia. Contrariamente às visões predominantes na época, Oliveira argumentou que essa dualidade seria, na verdade, uma relação estrutural onde ambos os setores estariam intrinsecamente ligados. Entre as principais consequências teóricas e interpretativas dessa visão sobre a formação da sociedade brasileira, destaca-se:
A compreensão de que nossa economia seguiria um caminho de desenvolvimento diferente das economias centrais marcado por uma dependência estrutural em relação ao centro do sistema capitalista.
A ideia segundo a qual a estrutura econômica do Brasil superaria a pobreza e a dependência por meio da industrialização.
A noção de que o desenvolvimento do setor moderno excluiria progressivamente o setor atrasado, superando as contradições herdadas do passado colonial, em especial, a pobreza e o racismo.
A ideologia desenvolvimentista segundo a qual a industrialização e o crescimento econômico resolveriam os problemas sociais e econômicos do país.
Oliveira concluiu que a modernização do setor produtivo se traduz em melhorias para a maioria da população, apesar da concentração de riqueza e poder trazida pela industrialização.
A desigualdade regional no Brasil superou o quadro histórico que sempre acompanhou a trajetória brasileira, uma vez que, atualmente, os indicadores econômicos e sociais das regiões Norte e Nordeste não mais apresentam discrepâncias significativas em relação aos das demais regiões.
Certo
Errado
Em sua obra "A Elite do atraso", o sociólogo Jessé Souza realiza uma revisão crítica das explicações sobre o Brasil que, segundo ele, em vez de superar o racismo e as desigualdades, os recriaram sob nova roupagens, culturalistas. Tratar-se-ia de uma tradição intelectual que se apresenta como crítica, mas deixa de revisar profundamente o problema da escravidão e suas consequências. Isso se revela de diversas formas no presente, inclusive no desprezo que mantêm as elites em relação aos pobres no Brasil.
Nas palavras o autor:
“Até a década de 1920, o racismo fenotípico, baseado na cor da pele e nos traços fisionômicos, era reconhecido como ciência tanto internacionalmente quanto nacionalmente. Era ele que esclarecia, por exemplo, a questão fundamental de explicar a diferença de desenvolvimento entre os diversos povos. Pouco a pouco esse tipo de racismo foi criticado e substituído pelo culturalismo. O culturalismo julgava ter vencido o paradigma racista e tê-lo superado por algo não só cientificamente superior, mas também moralmente melhor.
Afinal, não seria mais simplesmente habitar um corpo com certas características fenotípicas ou certa cor de pele que explicaria o comportamento das pessoas, mas, sim, o estoque cultural que ela herda. Essa explicação tornou-se tão dominante que ela rapidamente saiu dos círculos científicos e tomou o senso comum que compõe o conjunto de crenças dominantes compartilhadas pela esmagadora maioria de indivíduos de uma sociedade.
O culturalismo tornou-se uma espécie de "senso comum internacional" para a explicação das diferenças sociais e de desenvolvimento relativo no mundo inteiro. O instante de ouro do culturalismo foi a entronização da teoria da modernização produzida especialmente nos EUA do segundo pós-guerra e disseminada a partir daí no mundo inteiro. Ela explicava precisamente o porquê de algumas sociedades serem ricas e adiantadas e outras pobres e atrasadas" (Souza, 2017, p. 15-16).
Quatro autores da lista a seguir são objeto da crítica incisiva de Jessé de Souza. Quais são eles?
1.Celso Furtado.
2.Chico de Oliveira.
3.Gilberto Freyre.
4.Maria de Conceição Tavares.
5.Octavio lanni.
6.Raymundo Faoro.
7.Roberto DaMatta.
8.Sérgio Buarque de Holanda.
Assinale a alternativa correta:
1-5-6-8.
3-6-7-8.
2-4-6-7.
2-4-5-6.
1-3-6-8.
O Brasil é marcado por altos níveis de desigualdade e [...] o papel crescente do Estado na redistribuição de renda aponta caminhos para resolver esse problema. [...] O Brasil é conhecido por sua alta concentração de renda, onde o 1% mais rico da população detém 28,3% da renda total, tornando-o um dos países mais desiguais do mundo.
Disponível em: https://www.ipea.gov.br. (adaptado).
Diante do contexto apresentado, pode-se afirmar que a desigualdade de renda no Brasil configura-se como um
problema atualmente sanado, devido aos significativos avanços na economia e na distribuição de renda nos últimos anos.
fenômeno exclusivamente regional, não apresentando relações com padrões nacionais de desigualdade.
problema socioeconômico relevante, o qual pode ser atenuado por ações redistributivas do Estado.
fenômeno ligado exclusivamente à falta de qualificação profissional da população mais pobre.
No ensaio O Ornitorrinco, o cientista social Francisco de Oliveira usou este animal como metáfora para descrever a realidade socioeconômica brasileira.
No sentido empregado pelo autor, a metáfora indica que o Brasil
exibe uma economia em evolução, organizada de um modo que desafia as convenções teóricas tradicionais.
revela uma amálgama contraditória de elementos arcaicos e contemporâneos em sua configuração socioeconômica.
demonstra uma estrutura econômica e social que parece desvinculada das influências da modernidade.
é distinguido por um hibridismo inerente que possibilita maior produtividade e adaptabilidade econômica.
apresenta uma configuração econômica diversificada, unindo a agricultura tradicional a avanços tecnológicos.


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Para Sidney Chalhoub, professor da UNICAMP e de Harvard, “a meritocracia como valor universal, fora das condições sociais e históricas que marcam a sociedade brasileira, é um mito que serve à reprodução eterna das desigualdades sociais e raciais que caracterizam a nossa sociedade. Portanto, a meritocracia é um mito que precisa ser combatido tanto na teoria quanto na prática. Não existe nada que justifique essa meritocracia darwinista, que é a lei da sobrevivência do mais forte e que promove constantemente a exclusão de setores da sociedade brasileira.”
(disponível em: https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2017/06/07/meritocracia-e-um-mito-que-alimenta-desigualdades-diz-sidney-chalhoub ; acesso 14/03/23)
Sobre a questão da meritocracia e as minorias sociais é CORRETO afirmar:
O sistema de cotas não é eficiente para combater a meritocracia porque ele atenua apenas a questão racial, mas não leva em consideração o aspecto econômico.
A desigualdade social no Brasil é um dos aspectos que deslegitimam a meritocracia.
A meritocracia pode ser uma forma de combater o racismo porque trata os negros e os brancos em pé de igualdade.
O sistema de cotas, ao diminuir o efeito da meritocracia, diminuiu também a qualidade na educação porque permitiu que estudantes despreparados ingressassem na vida acadêmica.
Apesar de teoria de Darwin sobre a seleção natural, a meritocracia não se sustenta porque o ser humano é um animal racional.
No final do século XX, como resposta à crise do emprego e amparada nos ideais fundamentais do cooperativismo de autogestão, surgiu no Brasil o movimento da economia solidária, como atesta Singer (2000, p. 25): “a economia solidária começou a ressurgir, de forma esparsa na década de 1980, e tomou impulso crescente a partir da segunda metade dos anos 1990. Ela resulta de movimentos sociais que reagem à crise de desemprego em massa, que tem seu início em 1981 e se agrava com a abertura do mercado interno às importações, a partir de 1990”. Na conjuntura nacional do início do século XXI, em que há uma combinação de elevação da taxa de desemprego e desemprego estrutural, de precarização das condições de trabalho, dentre outros fatores, a perspectiva cooperativista tornou-se:
Uma estratégia aos estratos médios da sociedade de fundar e financiar uma mobilização e viabilização de projetos e utopias completamente dissociados do capitalismo excludente.
Um campo de formação de uma nova classe social, em que os participantes rompem com a hegemonia capitalista norteadora dos dias atuais, e se dedicam exclusivamente à vida coletiva.
A única forma de participação nas assembleias ou mesmo do contato com os profissionais que atuam nas políticas públicas de fomento e assessoria dos experimentos de economia solidária.
Um macroespaço de formulação socialista que sustenta um projeto societário, onde as relações sociais produtivas são subordinadas ao lucro individualizante e concentrador, mas também à ajuda humanista e solidária.
Uma possibilidade de conquista de melhores condições objetivas de vida (alimentação, moradia, renda, educação, convívio comunitário, articulação política, dentre outras) para muitas pessoas à margem do sistema produtivo capitalista.
Vulnerabilidade social refere-se à condição daquele indivíduo que se apresenta, de qualquer forma, suscetível a algum agravo ou já sob risco ambiental, cultural, social, econômico ou político cujos recursos que permitiriam debelar a vulnerabilidade encontram-se socialmente distribuídos de forma desigual.
Assinale a alternativa cujo indivíduo descrito não se apresenta em situação de vulnerabilidade social.
Morador de ocupação em encostas de barranco
Estudante que deixou de frequentar escola particular por queda da renda familiar
Estudante de escola pública que não consegue vaga nas escolas
Cidadão que não consegue tratamento médico na saúde pública
Cidadão que não obtém registro civil ou que não o possua
TEXTO I
Como é horrivel ver um filho comer e perguntar: “Tem mais?” Esta palavra “tem mais” fica oscilando dentro do cerebro de uma mãe que olha as panela e não tem mais.
JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014.
TEXTO II
A experiência de ver os filhos com fome na década de 1950, descrita por Carolina, é vivida no Brasil de 2021 por uma moradora de Petrolândia, em Pernambuco. “Eu trabalhava de ajudante de cabeleireira, mas a moça que tinha o salão fechou. Eu vinha me sustentando com o auxílio que tinha, mas agora eu não fui contemplada. Às vezes as pessoas me ajudam com alimentos para os meus filhos. De vez em quando, eu acho algum bico para fazer, mas é muito raro. Tem dias que não tenho nem o leite da minha bebê.”
CARRANÇA, T. “Até o feijão nos esqueceu”: o livro de 1960 que poderia ter sido escrito nas favelas de 2021. Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).
Considerando a realidade brasileira, os textos se aproximam ao apresentarem uma reflexão sobre o(a)
recorrência da miséria.
planejamento da saúde.
superação da escassez.
constância da economia.
romantização da carência.
Leia atentamente o texto a seguir.
“Ultimamente a coisa se tornou mais complexa porque as instituições tradicionais estão perdendo todo o seu poder de controle e de doutrina. A escola não ensina, a igreja não catequiza, os partidos não politizam. O que opera é um monstruoso sistema de comunicação de massa, impondo padrões de consumo inatingíveis e desejos inalcançáveis, aprofundando mais a marginalidade dessas populações.”
(Darcy Ribeiro, 1995).
Diante do exposto, assinale a alternativa correta.
No recorte “...aprofundando mais a marginalidade dessas populações.” o autor refere-se ao aumento da criminalidade nos centros urbanos, provocados pela crise de autoridade da educação, da religião e da política
O conceito de “população marginal” explorado pelo autor refere-se à base histórica da pirâmide social brasileira, hoje formada, principalmente, por pretos e mulatos, pobres, desempregados ou subempregados
O texto refere-se a atual realidade brasileira, protagonizada pelo avanço indiscriminado das redes sociais e pela importância que as “fake news” assumiram no sistema de comunicação de massa
O autor afirma que a “população marginal” não sofre influência do sistema de comunicação de massa que transmite a ideia de uma igualdade social estabelecida pela decisão de compra e consumo
No recorte “...porque as instituições tradicionais estão perdendo todo o seu poder de controle e de doutrina.” o autor está se referindo às sociedades fascistas onde o Estado controla e monitora os indivíduos cerceando seus direitos


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