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Em Goiás do século XIX, muitas mulatas ricas, casadas com homens brancos, possuíam vestimentas e joias melhores do que muitas mulheres brancas. No entanto, quando iam à missa, os lugares das primeiras filas eram reservados às senhoras brancas. No modelo descrito predominava uma sociedade
classista, marcada por relações sociais frias, impessoais e objetivas.
de castas, na qual o destino dos indivíduos estava determinado pelo nascimento.
estamental, em que o prestígio social era mais importante do que os bens econômicos.
escravista, em que os negros e mestiços eram destituídos de direitos jurídicos.
O indicador mais comumente utilizado no Brasil para demarcar a linha de pobreza absoluta é a renda familiar per capita inferior a um quarto de salário mínimo. Considere os seguintes dados:
Proporção de pessoas residentes em famílias com renda familiar inferior a 1/4 de salário mínimo per capita, por aglomeração urbana, Brasil, Nordeste, Sudeste e Estado de São Paulo, 2001
Região | Tipos de aglomeração | |||
Metropolitana* | Urbana não-metropolitana | Rural | Total | |
Brasil | 19,10 | 46,60 | 34,30 | 100,00 |
Nordeste | 11,04 | 43,80 | 45,16 | 100,00 |
Sudeste | 38,78 | 43,13 | 18,09 | 100,00 |
Estado de São Paulo | 54,91 | 37,64 | 7,45 | 100,00 |
Fonte: IBGE, PNAD 2001
Nota:
* Inclui Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Extraído de: TORRES, Haroldo da Gama; MARQUES, Eduardo Cesar. (2004). Pobreza e distribuição espacial de grupos sociais na metrópole de São Paulo. Cadernos Adenauer. São Paulo.
Considerando o indicador sugerido, a análise da tabela permite concluir que:
nacionalmente, a pobreza absoluta pode ser considerada um fenômeno predominante nas regiões metropolitanas, o que é replicado pelo exemplo do estado de São Paulo.
o contraste entre as regiões Sudeste e Nordeste permite inferir que, no primeiro caso, a pobreza absoluta é um fenômeno metropolitano, enquanto no segundo é um fenômeno essencialmente rural.
em escala nacional, a pobreza absoluta apresenta maior número em regiões urbanas não metropolitanas, ao passo que no estado de São Paulo o maior número de indivíduos vivendo em unidades familiares abaixo da linha de pobreza absoluta está situado na região metropolitana.
o Nordeste é a região que apresenta maior congruência com a distribuição normal da média nacional de pobreza absoluta, enquanto que o estado de São Paulo apresenta a menor congruência com a da pobreza relativa.
em nível nacional, a pobreza absoluta está concentrada em regiões urbanas não metropolitanas, enquanto que a pobreza relativa está concentrada nas regiões rurais do Nordeste.
Segundo o autor, a ausência de crescimento capitalista não permite explicar a profunda desigualdade social no Brasil, pelo contrário, o intenso crescimento durante um século talvez esteja, paradoxalmente, entre suas causas mais importantes.
Estudos apontam que a desigualdade no Brasil tem-se mantido estável ao longo do tempo, estando entre as maiores do mundo.
No Brasil, a discriminação exercida sobre homossexuais, homens e mulheres, não impede que tais pessoas alcancem a cidadania plena, como determina a Constituição.
Segundo Roberto Kant de Lima, os conflitos sociais se distinguem em virtude das características culturais que informam as práticas e representações dos agentes sociais. A forma como se concebem os conflitos nas sociedades dos Estados Unidos da América e do Brasil, de acordo com o autor, é que
nos Estados Unidos, os conflitos estão representados como resultado da homogeneidade social, enquanto no Brasil os conflitos são representados como resultado da heterogeneidade social.
a representação dos conflitos nos Estados Unidos está associada à intolerância com as diferenças raciais. No Brasil, a representação dos conflitos está associada à cordialidade do povo brasileiro.
nos Estados Unidos os conflitos são marcados pelo seu caráter implícito enquanto, no Brasil, os conflitos são marcados pelo caráter explícito.
a representação dos conflitos nos Estados Unidos da América está associada ao embate produzido por pontos de vista diferentes de indivíduos iguais que se opõem. No Brasil, a representação dos conflitos está associada a uma diferença formal entre pessoas diferentes que se complementam.
a representação dos conflitos nos Estados Unidos da América está associada à negação da diferença. No Brasil, a representação dos conflitos está associada à aceitação da diferença.
Constituem mecanismos clássicos de combate à pobreza e à desigualdade o controle do crescimento populacional, o aumento da riqueza nacional e as mudanças na distribuição dos recursos disponíveis. Esses mecanismos não são mutuamente excludentes.
Ao longo da história recente do Brasil, o crescimento econômico vem sendo acompanhado por concentração da renda, o que não contribui para sanar as extremas desigualdades sociais.
A sociedade brasileira é marcada por elevados níveis de pobreza, e a redução das desigualdades de renda é a principal alternativa para modificar esse quadro em favor de uma sociedade com mais justiça social.
No Brasil, os estratos ricos são minoritários, mas detêm o poder e compõem elites políticas e empresariais cujas ações afetam uma parcela mínima do conjunto da população.
As condições de vida e o desrespeito aos direitos da cidadania geraram, já na década de 60 do século XX, manifestações e associações de trabalhadores no meio rural brasileiro.
Comparado com o ano anterior, em 2004 o desemprego diminuiu em quatro regiões pesquisadas, manteve-se praticamente no mesmo patamar em uma e continua sendo maior na mais industrializada região do país de acordo com o gráfico mostrado na figura III.

Certo
Errado
Estudo oficial mostra não ser pequeno o número de municípios brasileiros nos quais há registro de exploração sexual de menores, inscrevendo-se entre os crimes mais comuns a prostituição, o tráfico de seres humanos, a pornografia e o turismo sexual. Por trás do problema, dizem os especialistas, está a pobreza, associada à desigualdade social e à capacidade de aliciamento das redes criminosas.
O gráfico ilustrado na figura V confirma estar ocorrendo com o Brasil idêntico fenômeno verificado nos países em que houve esforço concentrado para a melhoria dos indicadores educacionais: ainda que o acesso à escola no nível constitucionalmente obrigatório caminhe para a universalização, o percentual de analfabetos não se reduz devido ao grande número de idosos.
Especialistas apontam diversos fatores determinantes para a aproximação de crianças e adolescentes ao tráfico de drogas, fenômeno que atinge número significativo de países. De problemas domésticos com a família à violência dos agentes do Estado (polícia), da falta de alternativas realçada pela baixa escolaridade ao elevado nível de desemprego, passando por racismo, baixa auto-estima e preconceito, não são poucos os fatores que levam a essa aproximação.
O gráfico mostrado na figura II desmitifica a tese segundo a qual o nível de escolaridade mais elevado corresponde à maior possibilidade de acesso ao emprego. Os números indicam discrepância irrelevante entre os que têm ensino fundamental (completo ou não) e os que concluíram a educação básica.
Em nítida correspondência com o papel crescentemente decisivo que representa para as exportações brasileiras, o agronegócio é o setor da economia que, proporcionalmente, mais contribuiu para o aumento da oferta de emprego no país, conforme identificado no gráfico apresentado na figura III.