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Leia a passagem a seguir:
“A mudança epistêmica decolonial exige o reconhecimento e a valorização dos conhecimentos e cosmologias daqueles que foram silenciados pela narrativa colonial e modernista. É um convite para pensar a partir das margens, ver a partir da perspectiva daqueles que foram tornados invisíveis e reconhecer a riqueza e a profundidade das epistemologias subalternas como centrais para o projeto decolonial.
“ Walter Mignolo. “Epistemic Disobedience and the Decolonial Option: A Manifesto”. Transmodernity, outono de 2011, p. 133.
A corrente de análise social conhecida como “decolonial” agrega um conjunto de teorias e práticas que visam descolonizar o pensamento e as estruturas de poder que perpetuam as desigualdades e a dominação herdadas do colonialismo. As principais teses e propostas dessa corrente de pensamento incluem:
A ideia segundo a qual as estruturas de poder e de conhecimento impostas pelo colonialismo reproduzem hierarquias raciais, de gênero e econômicas herdadas do passado pré-colonial.
É necessário recuperar conhecimentos e saberes tradicionais que foram marginalizados pelo eurocentrismo a fim de fortalecer o poder e o conhecimento ocidentais a respeito da situação dos povos periféricos.
Fortalecer formas de produção de conhecimento ocidental que facilitem a comunicação com grupos oriundos de sociedades colonizadas pelos povos europeus é essencial para superar o colonialismo.
A compreensão de que as opressões baseadas em raça, gênero, classe, sexualidade e outras categorias não estão interligadas devido à ação do colonialismo que criou sistemas rígidos de dominação que separam os grupos subalternos em hierarquias estanques.
A valorização das experiências e perspectivas daqueles que vivem nas margens ou nas fronteiras das estruturas de poder. Essas perspectivas são vistas como fundamentais para a construção de alternativas epistemológicas e políticas ao modelo hegemônico ocidental.