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As moléculas de DNA localizam-se no núcleo das células eucariontes e, nas células procariontes, encontram-se dispersas no citoplasma. No interior das células eucariontes, o DNA associa-se a proteínas específicas, formando estruturas organizadas que permitem seu empacotamento e funcionamento adequado. Nesse contexto, o DNA combina-se com proteínas denominadas (I). A associação entre o DNA e essas proteínas origina uma estrutura chamada (II), que, por meio de um sistema organizado de compactação, constitui a (III).
Fonte: MUNFORD, Danusa; FRANCO, Luiz; MATOS, Santer. Ciência viva: Biologia: área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias: volume único: Ensino médio. 1. ed. São Paulo: Scipione, 2024.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas I, II e III, respectivamente.
I.enzimas, II.cromossomo, III.cariótipo.
I.proteínas estruturais, II.centrômero, III.cromátide.
I.histonas, II.nucleossomo, III.cromatina.
I.ribossomos, II.nucléolo, III.cromossomo.
Recentemente, foi publicada na renomada revista científica Molecular Biology of the Cell, a descoberta de uma nova organela citoplasmática, denominada de "exclusoma”, que pode estar associada a doenças autoimunes como lúpus e pode ajudar cientistas a entender a evolução dos núcleos celulares.
Em todos os eucariotos, o genoma está envolto no núcleo, o que compartimentaliza os cromossomos para longe do citoplasma [...]. A troca entre o nucleoplasma e o citoplasma ocorre principalmente através dos complexos de poros nucleares (NPCs), que estão embutidos nessa dupla membrana. [...]. Em muitas espécies, o envelope nuclear se quebra durante a mitose e se reforma ao redor dos cromossomos após a saída dos núcleos mitóticos, onde o DNA contido é replicado e transcrito. No entanto, não se sabe se a montagem do envelope nuclear é restrita à superfície dos cromossomos ao final da mitose ou se pode envolver qualquer DNA.
Dois tipos principais de DNA extracromossômico podem ser encontrados em quase todos os tipos celulares: (1) O DNA extracromossômico endógeno, que abrange DNA circular e fragmentos lineares de DNA excisados dos cromossomos [...] e (2) o DNA extracromossômico de origem exógena, introduzido nas células a partir do ambiente durante infecções virais ou bacterianas ou durante transfecção de DNA.
Disponível em: Schenkel, L. et al (2023): A dedicated cytoplasmic container collects extrachromosomal DNA away from the mammalian nucleus Molecular Biology of the Cell. V.34(11) https://doi.org/10.1091/mbc.E23-04-0118
O DNA extracromossômico tem sido associado a processos de plasticidade genômica e evolução tumoral. Considerando os tipos endógeno e exógeno, assinale a alternativa que melhor descreve seu papel em contextos celulares complexos.
O DNA extracromossômico endógeno, por ser circular, nunca contém oncogenes amplificados, diferindo do exógeno que frequentemente carrega genes tumorais introduzidos por vírus.
O DNA extracromossômico exógeno é incapaz de integrar-se ao genoma hospedeiro, limitando-se a permanecer no citoplasma sem impacto funcional.
Ambos os tipos de DNA extracromossômico são estruturalmente idênticos e não apresentam diferenças funcionais relevantes.
O DNA extracromossômico endógeno é restrito a organismos procarióticos, enquanto o exógeno ocorre apenas em células eucarióticas.
O DNA extracromossômico endógeno pode atuar como vetor de amplificação gênica em células cancerígenas, enquanto o exógeno pode modificar a expressão gênica por integração ou manutenção episomal.
A democracia responde a esta pergunta: quem deve exercer o poder público? A resposta é: o exercício do poder público corresponde à coletividade dos cidadãos. Contudo, nessa pergunta não se fala sobre qual extensão deva ter o poder público. Trata-se somente de determinar o sujeito a quem o mando compete. A democracia propõe que mandemos todos; quer dizer, que todos intervenham nos fatos sociais.
ORTEGA Y GASSET, J. apud MAIA, E. C. Mario Vargas Llosa e o indivíduo para além da tribo. Disponível em: www.estadodaarte.estadao.com.br. Acesso em: 10 out. 2021 (adaptado).
O que sustenta o exercício do poder, conforme a configuração apresentada no texto escrito na década de 1920?
Soberania popular.
Divisão de classes.
Acúmulo de capital.
Defesa da propriedade.
Centralização administrativa.
Leia a passagem a seguir:
“A mudança epistêmica decolonial exige o reconhecimento e a valorização dos conhecimentos e cosmologias daqueles que foram silenciados pela narrativa colonial e modernista. É um convite para pensar a partir das margens, ver a partir da perspectiva daqueles que foram tornados invisíveis e reconhecer a riqueza e a profundidade das epistemologias subalternas como centrais para o projeto decolonial.
“ Walter Mignolo. “Epistemic Disobedience and the Decolonial Option: A Manifesto”. Transmodernity, outono de 2011, p. 133.
A corrente de análise social conhecida como “decolonial” agrega um conjunto de teorias e práticas que visam descolonizar o pensamento e as estruturas de poder que perpetuam as desigualdades e a dominação herdadas do colonialismo. As principais teses e propostas dessa corrente de pensamento incluem:
A ideia segundo a qual as estruturas de poder e de conhecimento impostas pelo colonialismo reproduzem hierarquias raciais, de gênero e econômicas herdadas do passado pré-colonial.
É necessário recuperar conhecimentos e saberes tradicionais que foram marginalizados pelo eurocentrismo a fim de fortalecer o poder e o conhecimento ocidentais a respeito da situação dos povos periféricos.
Fortalecer formas de produção de conhecimento ocidental que facilitem a comunicação com grupos oriundos de sociedades colonizadas pelos povos europeus é essencial para superar o colonialismo.
A compreensão de que as opressões baseadas em raça, gênero, classe, sexualidade e outras categorias não estão interligadas devido à ação do colonialismo que criou sistemas rígidos de dominação que separam os grupos subalternos em hierarquias estanques.
A valorização das experiências e perspectivas daqueles que vivem nas margens ou nas fronteiras das estruturas de poder. Essas perspectivas são vistas como fundamentais para a construção de alternativas epistemológicas e políticas ao modelo hegemônico ocidental.
A partir de uma concepção sociológica de constituição do poder, julgue as seguintes compreensões sobre política como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) A política é resultado exclusivo da vontade coletiva de grupos dominantes.
( ) O conjunto de crenças, normas, comportamentos e ideias sociais legitimadas constitui a política e valora o poder.
( ) A política é resultado do processo de organização da vida coletiva entre pessoas e grupos que refletem diversidades e igualdades relativas.
( ) O modus de organização política é reflexo direto das consciências individuais em concerto racional utilitarista.
( ) Valores, a moral e a cultura são elementos constituintes do comportamento social e político e influenciam os processos de legitimação política.
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
F, V, V, V, V.
V, V, V, V, V.
F, V, V, F, F.
V, V, V, F, V.
F, V, V, F, V.


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As pessoas gastam muito tempo questionando os efeitos dos meios de comunicação, acreditando numa relação simples e direta entre causa e efeito. Supõem que as afirmações transmitidas por qualquer mídia produzem imediatas mudanças de opinião ou, o que também seria um efeito, reforçam a opinião da audiência. Em geral, a relação entre os meios de comunicação e a audiência tem sido comparada a uma conversa privada entre duas pessoas, na qual uma diz algo e a outra termina reforçada ou convertida. A influência real da mídia é muito mais complexa e muito diferente do modelo de conversa privada e individual. Os meios gravam os estereótipos em nossas mentes, mediante inumeráveis repetições e isso serve de pavimento do “mundo intermediário” ou do pseudo ambiente que surge entre o público e o mundo objetivo exterior. Esta é a consequência da seleção do que deve ser atendido pelo público, do que deve ser considerado urgente, dos assuntos que devem importar a todo o mundo. Tudo isso é decidido pela mídia.
NOELLE-NEUMANN, Elisabeth. A espiral do silêncio: opinião pública nosso tecido social. Florianópolis: Estudos Nacionais, 2017. (Adaptado)
De acordo com a noção de comunicação de massa de Noelle-Neumann, assinale a afirmativa que descreve corretamente a relação entre mídia e poder.
A uniformização dos interesses da audiência confere poder ao público que desempenha papel de regulador dos métodos de veiculação da comunicação.
A difusão da informação em larga escala, que desempenha função didática e de democratização, exerce poder ao alcançar grupos sociais marginalizados.
A consonância do processo de difusão da informação, reconhecida na reiteração do conteúdo veiculado, exerce poder ao ampliar a exposição da audiência à informação.
A difusão seletiva dos meios de comunicação, que tem como elemento central a divulgação de informações, exerce poder ao favorecer o processo crítico do receptor.
Os diferentes conceitos de poder são ferramentas importantes para análise da realidade social. Considerando os fundamentos epistemológicos envolvidos, relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando definições sintéticas do conceito de “poder” com seus respectivos autores.
Coluna 1
1. Michel Foucault.
2. Georg Simmel.
3. Pierre Bourdieu.
4. Émile Durkheim.
Coluna 2
( ) O poder não é algo que se possua, algo que se conquiste ou se partilhe; é algo que se exerce e que só existe em função de uma relação social. [...] não é uma instituição e nem uma estrutura.
( ) O poder simbólico é esse poder invisível, mas não por isso menos real, que só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou o exercem.
( ) A possibilidade de impor a vontade, mesmo encontrando resistência, e que é superada por meio daquele poder [...] um tipo de relação entre indivíduos em que um controla a conduta do outro.
( ) O poder social é o conjunto de meios capazes de coagir as consciências, derivando da posição que ocupam na sociedade os que o exercem, enquanto representantes da autoridade coletiva.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
1 – 2 – 3 – 4.
1 – 3 – 2 – 4.
2 – 1 – 4 – 3.
3 – 4 – 1 – 2.
4 – 3 – 2 – 1.
O conceito de poder é um dos principais conceitos debatidos pela ciência política. Norberto Bobbio é um autor que traça uma análise sobre Estado, política, governo, argumentando que o poder teria como objetivo o uso da força para a obtenção de alguma vantagem de uns sobre outros. Ainda se tratando do conceito de poder, o autor aponta que que podemos citar 3 tipos: ______.
Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
poder político, poder ideológico e poder religioso
poder econômico, poder ideológico e poder político
poder material, poder geográfico e poder ideológico
poder físico, poder geográfico e poder parental
poder político, poder geográfico e poder parental
Sozinho o indivíduo pouco pode fazer, mas, juntos, os indivíduos podem unir seus recursos e afetar a sociedade. O poder social emana de várias fontes. Sobre as fontes do poder social e sua respectiva concepção, analise as afirmativas a seguir.
I. O poder emana da autoridade, a autoridade significa que o indivíduo ocupa na organização uma posição que os outros consideram legítima. Ele tem o direito reconhecido de comandar.
II. O poder emana da natureza, ao ponto que todos os poderes possuem funções distintas, tornando-os poderes harmônicos e independentes.
III. O poder emana da riqueza, da posição de classe na sociedade, a pobreza implica impotência.
IV. O poder emana da própria organização; pessoas bem organizadas têm maior habilidade de fazer valer a vontade do que as não organizadas.
Está correto o que se afirma apenas em
e II.
III e IV.
I, III e IV.
II, III e IV.
“Para que não se possa abusar do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder contenha o poder. Uma constituição pode ser tal que ninguém será obrigado a fazer as coisas a que a lei não o obrigue nem a não fazer as que a lei lhe permite”.
(Montesquieu, O espírito das leis, Livro XI, Capítulo IV).
É INCORRETO afirmar que:
A teoria dos poderes de Montesquieu estabelece aquilo que o pensamento liberal contemporâneo chama de sistema de check and balances (freios e contrapesos), através dos quais cada instituição exerce o poder de determinadas forças sociais para contrariar e moderar o poder das demais.
É uma interpretação corrente que, em busca de uma força moderadora capaz de dar estabilidade aos governos ou regimes, sempre ameaçados pela anarquia ou pelo despotismo, Montesquieu propõe que as instituições das democracias modernas sejam modeladas pelo princípio da virtude cívica, o qual guiou os regimes republicanos ao longo da história.
E uma interpretação corrente que, embora Montesquieu reconheça elementos de moderação tanto nas repúblicas quanto nas monarquias, o autor considera que a dependência da virtude cívica fragiliza a estabilidade das repúblicas, enquanto a estabilidade das monarquias vincula-se às suas instituições.
A teoria dos poderes de Montesquieu é conhecida como separação ou equipotência dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A ideia de separação comporta as de independência de um poder em relação aos demais e a de sua equivalência.
A preocupação de Montesquieu com a estabilidade dos governos é similar, do ponto de vista temático, à preocupação de Maquiavel ao discutir as condições de manutenção do poder na obra O Príncipe.


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O exercício do poder é um processo social na medida em que indivíduos ou grupos detêm condições de influenciar ou alterar o comportamento de outros indivíduos ou grupos. Sobre o poder, analise as afirmativas a seguir.
I. O poder é legítimo quando é aceito e existe a disposição de obediência por parte daqueles que não o detém. Será ilegítimo o poder quando exercido por indivíduos ou grupos sociais que não é aceito pelos demais e impõe sua vontade mesmo havendo resistência.
II. Nos primeiros grupamentos humanos, a força, provavelmente, era o único componente do poder, os estados modernos reservam para si o monopólio do uso da força, e alocam todos os meios importantes de coerção física para suas organizações.
III. O uso do poder pode ser observado por grupos criminosos que se utilizam da coerção física em razão da autoridade concedida a eles para representar as minorias sociais baseado nas qualidades pessoais de seus líderes.
IV. O poder tem como componentes: força, uso ou ameaça de coerção física; autoridade, habilidade para afetar as decisões e ação de outros; e, influência, direito estabelecido para tomar decisões.
Está correto o que se afirma em
I, II, III e IV.
I e II, apenas.
III e IV, apenas.
I, II e III, apenas.
O Estado Moderno surge na Europa como uma forma racional de organização social do poder num dado território e com um corpo de auxiliares qualificados à disposição do soberano, sendo sua característica principal:
a centralização do poder.
os cercamentos das terras comunais.
a divisão tripartite do poder.
a existência de eleições periódicas.
a democracia direta.
Trechos de “O príncipe”, de Maquiavel, 1513.
“É necessário, portanto, que o príncipe que deseja manter-se aprenda a agir sem bondade, faculdade que usará ou não, em cada caso, conforme seja necessário. […] Naturalmente, seria muito louvável que um príncipe possuísse todas as boas qualidades, mas como isso não é possível, pois as condições humanas não o permitem, é necessário que tenha a prudência necessária para evitar o escândalo provocado pelos vícios que poderiam fazê-lo perder seus domínios, evitando os outros, se for possível; se não for, poderá praticá-los com menores escrúpulos. [...] Os Estados que se conquistam, e que estão habituados a viver com suas próprias leis e em liberdade, existem três modos de conservá-los: o primeiro, arruiná-los; o outro, ir habitá-los pessoalmente; o terceiro, deixá-los viver com suas leis, arrecadando um tributo e criando em seu interior um governo de poucos, que se conservam amigos, porque, sendo esse governo criado por aquele príncipe, sabe que não pode permanecer sem sua amizade e seu poder, e há que fazer tudo por conservá-los [...].”
(Maquiavel. O príncipe. Apud: ARANHA, Maria Lucia de Arruda. Maquiavel – A lógica da força. São Paulo: Moderna, 1993.)
A partir dos trechos em destaque e do pensamento em geral de Maquiavel sobre o poder, é correto afirmar que para o autor
surgiria, a partir do chamado “contrato social”, uma espécie de acordo entre indivíduos e governo. E essa ideia seria calcada num pacto de associação, não de submissão política.
considerava que o mais complexo para um rei era a manutenção do poder, que dependia de uma articulação política rígida e sábia, com a ousadia, sagacidade, perspicácia e carisma.
a legitimação do poder real se daria através da crença na validez de preceitos racionalmente formados, que repousariam, no caso, na premissa do direito divino de governar.
o Estado, representado unicamente pelo governante, usaria como suporte as normas éticas, que surgiriam naturalmente, na prática, entre governo e sociedade, para validar o poder político.
Judicialização consiste na transferência, para as instituições judiciais, do poder originalmente atribuído a instâncias políticas tradicionais como os partidos, os sindicatos e os movimentos sociais.
Certo
Errado


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Leia com atenção as seguintes abordagens de análise do poder:
1) “Pode-se conceber o ‘poder’ – ‘influência’ e ‘controle’ são sinônimos úteis – enquanto capacidade de um ator fazer algo afetando outro ator, que muda o provável padrão de futuros acontecimentos específicos. Isto pode ser divisado mais facilmente numa situação de tomada de decisão”. (DAHL, Robert. Who Governs?)
2) “É claro que o poder é exercido quando A participa da tomada de decisões que afeta B. Mas o poder também é exercido quando A devota suas energias na criação ou no reforço de valores sociais e políticos e de práticas institucionais que limitam o escopo do processo político submetido à consideração pública de apenas aqueles temas que são comparativamente inócuos para A. Na medida em que A obtém sucesso em fazer isso, impede-se que B, para todos os propósitos práticos, leve a público quaisquer temas que possam em sua decisão ser seriamente prejudiciais para o conjunto de preferências de A”. (BACHRACH, Peter e BARATZ, Morton. Duas faces do poder.)
3) “Não é o supremo e mais insidioso exercício do poder evitar que as pessoas tenham qualquer tipo de queixas ao moldarem suas percepções, conhecimentos e preferências, de tal modo que aceitem seu papel na existente ordem das coisas, seja porque não possam ver ou imaginar alternativas para ela, ou porque a vejam como natural e imutável, ou porque a valorizem como divinamente ordenada e benéfica? Pressupor que a ausência de queixas equivale a um genuíno consenso, é apenas excluir a possibilidade de consenso falso, ou manipulado por decreto consensual”. (LUKES, Steven. O Poder.)
4) “Sendo esta a linha geral de análise, algumas precauções metodológicas impunham-se para desenvolvê-la. Em primeiro lugar: não se trata de analisar as formas regulamentares e legítimas do poder em seu centro (...). Segunda precaução metodológica: não analisar o poder no plano da intenção ou da decisão (...). Terceira precaução metodológica: não tomar o poder como fenômeno de dominação maciço e homogêneo de um indivíduo sobre os outros, de um grupo sobre os outros, de uma classe sobre as outras (...). Quarta precaução metodológica: (...) fazer uma análise ascendente do poder: partir dos mecanismos infinitesimais que têm uma história, um caminho, técnicas e táticas e depois examinar como esses mecanismos de poder foram e ainda são investidos, colonizados, utilizados, subjugados, transformados, deslocados, desdobrados, etc., por mecanismos cada vez mais gerais e formas de dominação globais”. (FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder.)
Acerca destas diferentes maneiras de conceber e analisar a questão do poder, é correto afirmar que:
o pressuposto da abordagem (1) é que o poder só existe em situação de dissenso ou conflito – o que é verdadeiro, se levarmos em conta que processos de deliberação racional são decididos pela força do melhor argumento;
a abordagem (3) sugere que a questão da ideologia, tal como formulada na tradição marxista, isto é, como “falsa consciência”, deveria estar no cerne da análise do poder, uma vez que determina as maneiras pelas quais o sujeito irá formar suas opiniões;
a preocupação da abordagem (2) é com a possibilidade de que certos temas sejam impedidos de vir à tona, e que portanto não possam sequer converter-se em questões a respeito das quais alguma decisão possa ser tomada;
a abordagem (3) refuta totalmente a abordagem (1), na medida em que assinala que o processo de tomada de decisão é constrangido por forças inconscientes;
a abordagem (4) é um desdobramento da abordagem (2), uma vez que propõe a analítica do poder desde uma perspectiva ascendente, ou seja, que parte da existência de micro-relações de poder para daí deduzir suas regras gerais de funcionamento.
Segundo Althusser, o Estado é formado por aparelhos ideológicos, que exercem uma dupla função, de repressão e de reprodução da ideologia da classe dominante.
No âmbito do domínio de um indivíduo sobre outro, conceitua-se poder como a relação entre dois sujeitos, dos quais um impõe ao outro a própria vontade e lhe determina seu comportamento.
Nas relações internacionais, aplica-se o conceito de hegemonia para indicar a supremacia de um Estado-nação ou uma comunidade político-territorial em um sistema.


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