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Leia os trechos a seguir sobre o debate a respeito do conceito de Arqueologia Pública.
I. Fui convidado a definir arqueologia pública e minha resposta foi no sentido de que se trata de qualquer área da atividade arqueológica que interaja ou tenha o potencial de interagir com o público — a grande maioria do qual, por uma série de razões, sabe pouco sobre a arqueologia como disciplina acadêmica. Essa resposta foi descartada como uma definição excessivamente ampla para ter qualquer utilidade, especialmente porque "a arqueologia já é uma atividade pública".
Adaptado de SCHADLA-HALL, Tim. Editorial: Public Archaeology, European Journal of Archaeology, 2:2, 2015, p. 147.
II. Minha contribuição para o debate foi recebida de forma negativa. Talvez, tenha cometido o engano de focar fortemente nos sistemas de governança (democrática) para projetos de engajamento comunitário, resumindo meus pontos em uma lista numerada de 10 princípios-chave de prática. A lista foi interpretada por vários homens como minha própria proclamação sobre o grau de importância de certas atividades, sendo, portanto, aparentemente descartada em sua totalidade.
Adaptado de PERRY, S. Foreword In: Williams, Howard; et.all. Public Archaeology. Arts of Engagement. Oxford: Archaeopress, 2019, p. XI.
Com base nos trechos I e II, assinale a opção que interpreta corretamente o debate sobre a Arqueologia Pública.
A definição I foi criticada por ser excessivamente abrangente; enquanto a definição II foi considerada restrita, por referir-se basicamente às estruturas de gestão pública.
A definição I foi recebida negativamente por adotar uma concepção elitista de cultura; enquanto a definição II foi desvalorizada, por ser indiferente em relação a formas comunitárias de engajamento.
A definição I foi censurada por sua defesa a não profissionalização da arqueologia; enquanto a definição II foi reprovada, por ser excessivamente rigorosa em relação às modalidades de interação com o público.
As definições I e II foram desaprovadas pelo caráter vago e generalizante de suas caracterizações, sendo acusadas de carecerem de critérios claros de formulação.
As definições I e II foram alvo de reprovação por sua natureza estritamente acadêmica, incapaz de dialogar com o grande público e responder aos anseios de democratização do conhecimento.
Sobre o campo da Etnoarqueologia, leia o trecho a seguir.
A Etnoarqueologia é um campo da Arqueologia caracterizado pela presença do trabalho etnográfico e pela convivência do pesquisador com as pessoas e coisas, em um contexto “vivo”. Essa definição objetiva pode ser desmembrada em vários aspectos e acrescentada a um importante e recente debate sobre as arqueologias do presente.
Adaptado de SILVA, Lucas Antonio da. (Re) visitando as pessoas e as coisas: a etnoarqueologia enquanto uma arqueologia do presente. Revista de Arqueologia, vol. 30, n. 1, 2017 p. 176.
Com base no trecho, assinale a opção que caracteriza corretamente a Etnoarqueologia.
É gestada no ápice do desenvolvimento da arqueologia processualista, limitando-se a analogias diretas e indiretas e a teoria de alcance médio, por meio do método comparativo.
Procura se distanciar de questões socioeconômicas, como o avanço do capitalismo sobre as populações tradicionais, para concentrar-se na permanência de rituais tradicionais.
Adota uma postura crítica em relação à perspectiva colonialista, abordando questões como a globalização e as ingerências estatais na vida das comunidades estudadas.
Afirma a necessidade de uma observação neutra e impessoal dos objetos de pesquisa, evitando interferir nas dinâmicas sociais e garantir maior objetividade na análise.
Reforça a dicotomia entre passado e presente, afastando-se dos estudos da materialidade histórica para focar nas questões e dinâmicas sociais do tempo presente.
Assinale a opção que apresenta corretamente um objetivo da Arqueologia Pública.
Incentivar o público a se apropriar do patrimônio arqueológico, destacando seu valor econômico e aspectos mercadológicos.
Aproximar o público do patrimônio arqueológico, ressaltando sua importância como instrumento para construção de memória e identidade.
Divulgar os resultados das pesquisas arqueológicas junto ao público especializado desde que os dados sejam irrefutáveis.
Alimentar o imaginário e a curiosidade popular sobre a prática arqueológica como uma forma de entretenimento e resolução de mistérios.
Promover a circulação de artigos de divulgação para cimentar a construção de uma identidade nacional baseada na cultura material do país.
Sobre a conservação dos acervos arqueológicos, leia o trecho a seguir.
O reconhecimento dos materiais que compõem as coleções arqueológicas, bem como de suas peculiaridades de envelhecimento e vulnerabilidade aos agentes de degradação, é fundamental aos profissionais que trabalham em museus, arquivos e casas históricas: acervos orgânicos e inorgânicos são sensíveis em graus distintos aos fatores externos e às predisposições internas de degradação.
Adaptado de SOUZA, L.A.; FRONER, A-Y. Reconhecimento de materiais que compõem acervos. Belo Horizonte: EBA/UFMG, 2008, p. 3.
Considerando a conservação preventiva de coleções arqueológicas, assinale a opção que indica os meios corretos para a conservação de cada material, de acordo com seus riscos específicos.
Os materiais celulósicos possuem tendência à variação dimensional devido à absorção de água, sendo necessário mantê-los fora de exposição e em ambiente sempre com níveis altos de acidez.
Os objetos metálicos possuem tendência à oxidação, sendo necessário protegê-los de poluentes ambientais e de substâncias químicas presentes em materiais de limpeza para evitar a corrosão.
Os materiais anisotrópicos, como o marfim, possuem tendência à porosidade, sendo necessário seu armazenamento em ambientes com umidade controlada para não quebrarem.
Os materiais inorgânicos possuem substâncias com carbono em sua estrutura química, sendo necessário que a limpeza seja realizada por um profissional qualificado para evitar sua descoloração.
Os materiais líticos possuem baixa resistência física e podem sofrer alterações em sua constituição devido à exposição de luz, sendo necessário armazená-los em um ambiente protegido da iluminação para evitar sua desintegração.
Leia o trecho a seguir.
A partir dos anos 1990, começou-se a refletir sobre a relação entre os arqueólogos e as comunidades que compartilhavam o domínio de recursos arqueológicos ou que descendiam dos povos estudados. A arqueologia comunitária surgiu da arqueologia pública, mas virou mais multivocal e engajada. Virou também participativa. A arqueologia comunitária desafiou o status quo: o trabalho atravessaria inteiramente os projetos e buscaria reescrever a tarefa arqueológica.
Adaptado de COLWELL, C. e LOPES, R. Arqueologia colaborativa não é o fim, in: R. Museu Arq. Etn., 34: 41-47, 2020, p. 44.
Com base no trecho, é correto afirmar que a Arqueologia Colaborativa
elege como objeto de estudo a comunidade local contemporânea, para avaliar seus comportamentos e dinâmicas sociais.
abdica dos métodos científicos a favor da valorização de outras formas de saber e de conhecimentos não acadêmicos.
valida a assimetria entre arqueólogo e comunidade local, pois apenas o primeiro detém a autoridade sobre a construção da narrativa histórica.
reconhece a comunidade local como participante ativa do processo, e questiona a exclusividade do controle do arqueólogo em relação ao patrimônio.
advoga um diálogo temporário e pontual com a comunidade local para garantir uma realização pacífica dos trabalhos arqueológicos, quando necessário.
Sobre as atividades de sondagens e escavações arqueológicas, estratégias intrusivas de pesquisa cuja gestão está a cargo do arqueólogo coordenador, assinale a afirmativa correta.
A escavação, que usa o sistema de quadriculamento para registro espacial horizontal das evidências, tem como objetivo principal investigar e/ou minimizar os impactos patrimoniais sobre o sítio arqueológico.
A sondagem estratigráfica, que se vale de magnetômetro e do georradar, busca determinar a presença ou ausência de materiais arqueológicos em uma área específica, como parte de estudos preliminares.
A escavação superficial, que usa equipamento pesado, visa obter informações acerca da extensão de um sítio arqueológico, delimitando seus limites físicos, sua estratigrafia, integridade e a qualidade do seu contexto.
A sondagem geofísica, que decide quais tipos de ferramentas serão usadas na escavação arqueológica, deve ser escolhida em função do tipo de terreno a ser investigado.
O equipamento de mão, utensílios de pequenas dimensões levado para o trabalho de campo pelo arqueólogo, deve seguir a padronização exigida para todos os tipos de sítios arqueológicos.
Qual é o processo de preparação de amostras envolvido na análise micromorfológica?
Secagem completa de sedimentos soltos ao ar livre por um mês.
Impregnação da amostra úmida com bálsamo do Canadá
Secagem completa da amostra ao ar livre e impregnação com mistura de resina, diluente e catalizador.
Secagem em estufa a mais de 100 ° Célsius para posterior impregnação com resina.
Refrigeração da amostra imediatamente após a coleta para garantir a preservação dos compostos minerais.
De acordo com a obra Microarchaeology de Stephen Weiner, assinale a alternativa que melhor descreve o principal objetivo da análise microarqueológica.
Descobrir artefatos de grandes dimensões que são invisíveis ao olho nu
Concentrar-se exclusivamente no estudo de restos de humanos antigos utilizando técnicas microscópicas
Desenvolver técnicas de limpeza e conservação de grandes estruturas arqueológicas
Identificar estruturas sociais em grande escala através de observações microscópicas de sítios arqueológicos.
Estudar o registro arqueológico que somente é atingível com o uso de instrumentos.
A intepretação dos espectros produzidos por análises de Espectroscopia no Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR) pode ser dificultada pelo fato de que, para alguns compostos, pode acontecer o deslocamento das bandas de absorção em minerais específicos. Este fenômeno se deve:
Às diferenças estruturais no mineral, que podem interferir na posição de algumas bandas de absorção.
À alteração do espectro por uma alta concentração de CO2 no ambiente.
Ao método empregado para moer a amostra, que interfere no tamanho das partículas.
À precipitação de sais solúveis na amostra.
À Presença de carbonato de cálcio na estrutura cristalina do mineral.
A datação por carbono 14 (14C), utilizada comumente em arqueologia para determinar a idade absoluta dos achados, frequentemente requer da sua calibração, isto se deve:
À concentração de CO2 no ambiente do laboratório de datação, que interfere na análise e altera a idade da amostra.
À necessidade de corrigir a idade, devido à variação no passado da concentração de radiocarbono na atmosfera.
À taxa de decaimento do isótopo de 14C em 13C, que é diferente para distintos componentes orgânicos.
À interferência do carbonato geogênico na concentração de carbono na amostra.
Ao limite de resolução do método, que impede conseguir idades confiáveis acima de 50.000 anos antes do presente.
Quais são as possíveis fontes de calcita pirogênica em sítios arqueológicos?
Ossos de fauna queimados.
Artefatos líticos que foram expostos a tratamento térmico.
Excrementos de herbívoros queimados.
Cinzas de gramíneas.
Conchas queimadas e cinzas de madeira.
O termo “tafonomia” provém da paleontologia e é frequentemente usado em microarqueologia para
se referir a alteração dos restos arqueológicos após a deposição.
indicar a necessidade de restauro em restos arqueológicos.
definir a degradação biológica dos restos arqueológicos.
se referir às análises mineralógicas em microarqueologia.
definir o estudo dos restos humanos em contextos arqueológicos.
Uma das ferramentas de maior resolução no estudo dos processos de formação de sítios arqueológicos é a micromorfologia. Esta técnica envolve a análise de que tipo de material?
De lâminas de micro-vestígios botânicos em sedimentos arqueológicos.
Dos micro-resíduos retidos nas cerâmicas arqueológicas.
Das algas unicelulares (ditomáceas) encontradas nos sedimentos arqueológicos.
Das micro-estrias no gume dos artefatos líticos para determinar uso.
De lâminas delgadas de solos e sedimentos arqueológicos.
Qual é a fórmula química do mineral do osso?
Ca5(PO4)3F
2(PO4)2·8H2O
Ca5(PO4, CO3)3(OH)
Ca5(PO4)3(OH)
Ca4MgAl4(PO4)6(OH)4·12H2O
Berna et al. (2004) fizeram um exaustivo estudo sobre a alteração do mineral de osso em diferentes condições de pH. Em quais condições de pH o mineral do osso dissolve e também recristaliza?
pH superior a 8.
pH entre 8,1 e 7,4.
pH inferior a 7.
pH superior a 6, quando recristaliza na forma de calcita secundária.
pH inferior a 5.
É possível identificar os polimorfos de carbonato de cálcio usando Espectroscopia no Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR)?
Não, porque o tamanho dos cristais é o mesmo em todos os polimorfos.
Sim, porque todos os polimorfos do carbonato de cálcio apresentam uma banda de absorção a 1642 cm-1.
Não, porque os polimorfos que contêm materiais amorfos não podem ser identificados por FTIR.
Sim, porque a posição das bandas de absorção permite diferenciar entre os polimorfos.
Não, porque é impossível distinguir entre os carbonatos de cálcio de origem geogênica daqueles de origem pirogênica.
Segundo Duran e Rambelli (2019), estudos de sítios arqueológicos específicos foram importantes para a ampliação do escopo temporal dos objetos de estudo da arqueologia náutica, pondo em xeque as perspectivas patrimoniais tradicionais, ainda marcadas pela ideia da arqueologia como estudo do passado distante. Com base nessas ideias, assinale a opção que apresenta os tipos de sítios arqueológicos aos quais os autores se referem.
Sítios arqueológicos intermitentes.
Sitias de abandono e/ou cemitérios de embarcações.
Sitias arqueológicos de zonas costeiras.
Sambaquis submersos.
Sítios arqueológicos contemporâneos.
Em relação às definições concernentes aos métodos de datação absoluta e relativa e à preparação e à coleta de amostras de artefatos, aponte a alternativa correta.
A datação absoluta utiliza-se de propriedades exclusivamente físicas dos materiais em estudo para definir um ponto ou intervalo no tempo.
A datação relativa é o processo que determina uma idade específica para um sítio ou artefato arqueológico.
Na datação absoluta, os artefatos, fósseis e sítios são relacionados a uma escala temporal, que é baseada nas correlações estratigráficas dos indivíduos em estudo.
A técnica de amostragem independe do tipo de registro que se pretende obter, ainda que ele seja necessário para analisar o tipo e a quantidade de material indispensáveis para o tratamento de laboratório.
A determinação do intervalo de tempo em que os processos físicos ocorreram pode indicar quando os artefatos ou fósseis de interesse foram produzidos ou abandonados.
Com base na Instrução Normativa nº 001 de 25 de março de 2015, que estabelece procedimentos administrativos a serem observados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (lphan) nos processos de licenciamento ambiental dos quais participe, no que se refere o capítulo V "Da responsabilidade pela Conservação dos Bens Arqueológicos", assinale a opção INCORRETA.
No caso da necessidade de análise dos materiais coletados durante a execução dos Projetos ou Programas fora da Instituição de Guarda e Pesquisa autorizada, caberá ao Centro Nacional de Arqueologia (CNA) aprovar a proposta do local de análise, sem prejuízo da sua destinação final.
A responsabilidade pela conservação dos bens arqueológicos é do Arqueólogo Coordenador durante a etapa de campo e da Instituição de Guarda e Pesquisa, após seu recebimento.
Os bens arqueológicos oriundos dos Projetos ou Programas previstos na presente Instrução Normativa deverão permanecer sob a guarda definitiva de Instituição de Guarda e Pesquisa localizada na unidade federativa onde a pesquisa foi realizada.
A Instituição de Guarda e Pesquisa deverá apresentar ao Centro Nacional de Arqueologia (CNA) o termo de recebimento correspondente ao inventário dos bens arqueológicos apresentado pelo Arqueólogo Coordenador do Projeto ou Programa.
A Instituição de Guarda e Pesquisa deverá apresentar ao Centro nacional de Arqueologia (CNA) relatórios semestrais sobre os bens sob sua responsabilidade.
A portaria nº 196, de 18 de maio de 2016, dispõe sobre a conservação de bens arqueológicos móveis, cria o Cadastro Nacional de Institutos de Guarda e Pesquisa, o Termo de recebimento de Coleções Arqueológicas e a Ficha de Cadastro de Bem Arqueológico Móvel. Com base no disposto nessa portaria, assinale a opção INCORRETA.
Ao receber o processo administrativo, o Centro Nacional de Arqueologia (CNA) tomará as seguintes providências: analisar e deliberar sobre a homologação da Instituição no Cadastro Nacional de Instituições de Guarda e Pesquisa (CNIGP); comunicar ao interessado; homologar o ingresso da instituição no CNGP; devolver o processo administra!i\o para a superintendência.
As instituições interessadas em salvaguardar bens arqueológicos deverão solicitar o seu cadastramento à Superintendência do lphan no seu Estado, salvo as Instituições vinculadas a universidades, que devem solicitar diretamente ao Centro Nacional de Arqueologia (CNA).
A solicitação de cadastramento no CNIGP deverá conter os seguintes documentos: solicitação formal; atos constitutivos; regimento interno, quando houver; e cópia do auto de vistoria do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar ou protocolo de solicitação de visita.
Caso o lphan constate que a Instituição de Guarda e Pesquisa é inapta, poderá retirar a guarda atribuída e recolher o acervo.
As Instituições de Guarda e Pesquisa cadastradas serão fiscalizadas e avaliadas periodicamente pelo lphan.