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Diversos vírus animais utilizam vias endocíticas para penetrar nas células hospedeiras, e a escolha da via pode depender do tipo celular, da disponibilidade de receptores e da conformação estrutural do vírus. O conhecimento dessas vias é fundamental para o desenvolvimento de estratégias antivirais que visam bloquear a penetração viral.
Com base nesse contexto, assinale a alternativa correta.
A entrada por fusão com a membrana plasmática é incompatível com o uso de mecanismos endocíticos no mesmo vírus.
Vírus que usam endocitose para entrada não se beneficiam de alterações no pH ou da exposição a proteases intracelulares.
A clatrina é o componente essencial em todas as formas de endocitose viral conhecidas até o momento.
A eficácia de inibidores da acidificação endossomal depende do tipo celular e da via de entrada utilizada por diferentes vírus.
A utilização de múltiplas vias de entrada por um mesmo vírus é um fenômeno incomum e pouco relevante para a infecção produtiva.
O experimento de curva de ciclo único é utilizado para investigar aspectos do ciclo de multiplicação de um vírus em cultura celular. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, características fundamentais desse tipo de experimento.
É realizado com uma MOI baixa para garantir que apenas uma célula por placa seja infectada e que o ciclo possa ser observado em tempo real.
Mede a taxa de mutação viral ao longo de múltiplos ciclos de infecção em diferentes passagens celulares.
Utiliza MOI alta e permite determinar a duração e o rendimento de um único ciclo de multiplicação do vírus em determinado tipo de célula.
Avalia a produção de anticorpos neutralizantes a partir de células infectadas com vírus em crescimento exponencial.
Tem como principal objetivo identificar o ponto de integração do genoma viral ao DNA celular em vírus de RNA de fita positiva.
Sistemas pseudotipados são amplamente utilizados para estudar a entrada de vírus altamente patogênicos em ambientes NB-2, sem a necessidade de contenção de alto nível. Um dos modelos mais utilizados é o sistema com base em vírus da estomatite vesicular (VSV), no qual a glicoproteína G do VSV é substituída por glicoproteínas de outros vírus.
Assinale a alternativa correta com relação a esse modelo específico.
A composição do envelope viral é determinada exclusivamente pela sequência genética das glicoproteínas virais.
A substituição da glicoproteína G do VSV por glicoproteínas de outros vírus, como Ebola ou HIV, pode gerar partículas infecciosas, demonstrando a flexibilidade do sistema pseudotipado com base em VSV.
O HIV-1 apresenta alta especificidade na incorporação de componentes da membrana do hospedeiro, limitando o uso de sistemas pseudotipados.
A composição lipídica do envelope viral é altamente conservada entre diferentes famílias virais.
Vírus envelopados não incorporam proteínas do hospedeiro, pois isso comprometeria a montagem viral.
O desenvolvimento de tecnologias de genética reversa revolucionou o estudo dos vírus de RNA, como o vírus influenza, permitindo a manipulação controlada de seu genoma por meio de clones de DNA. Essa abordagem tem sido amplamente utilizada na produção racional de vacinas, no estudo da patogenicidade de variantes virais e na triagem de novos antivirais. No caso do vírus influenza, essa tecnologia é particularmente desafiadora devido à segmentação do genoma e à sua natureza de RNA de fita simples de polaridade negativa.
Com base nesses aspectos, assinale a alternativa correta sobre o sistema de genética reversa para o vírus influenza.
A infecção por vírus influenza pode ser resgatada a partir de transcrição in vitro de RNA genômico seguida de sua transfecção em células, uma vez que o genoma viral é infeccioso por si só.
Como o genoma do vírus influenza é de RNA negativo e segmentado, sua replicação pode ser iniciada diretamente no citoplasma após transcrição por RNA polimerase II.
O sistema de genética reversa do vírus influenza utiliza promotores da T7 RNA polimerase, uma vez que essa enzima atua eficientemente no núcleo das células eucariotas.
A utilização de promotores de polimerase I na genética reversa do vírus influenza é inviável devido à localização citoplasmática do processo de replicação viral.
A replicação eficiente do vírus influenza a partir de clones de DNA complementares requer a expressão simultânea de RNA genômicos negativos por promotores de polimerase I e de mRNA de proteínas virais por promotores de polimerase II.
Sobre a estrutura e organização dos genomas virais, assinale a alternativa correta.
A maioria dos vírus com genoma de RNA são segmentados, o que facilita a recombinação genética e a tradução em eucariotos.
Genomas virais de RNA de fita dupla (dsRNA) são mais comuns que os de fita simples (ssRNA) devido à sua maior estabilidade química.
A maioria dos vírus de RNA de fita positiva sintetiza grandes quantidades de RNA de fita negativa para facilitar a detecção por mecanismos imunológicos.
Vírus de DNA não enfrentam o “problema das extremidades” durante a replicação genômica, pois a enzima DNA polimerase inicia a síntese sem necessidade de primer.
Vírus com genoma de RNA de fita negativa associam seu genoma com proteínas de nucleocapsídeo para impedir o pareamento de fitas complementares e evitar ativação imunológica.
Em um ensaio in vitro para avaliação da cinética de multiplicação de um vírus, um pesquisador planeja infectar uma cultura de células epiteliais utilizando uma MOI (multiplicidade de infecção) de 0,01. Essa escolha visa evitar infecção sincronizada e permitir a observação da propagação do vírus ao longo de várias rodadas de multiplicação.
Considerando o exposto, é correto afirmar que, em média, a relação entre partículas virais e células inoculadas é de
10 partículas virais por célula.
1 partícula viral para cada 1.000 células.
100 partículas virais por célula.
1.000 partículas virais por célula.
1 partícula viral para cada 100 células.
Considerando os mecanismos moleculares e epidemiológicos associados à carcinogênese induzida por HPV, assinale a alternativa correta.
A presença de HPV16 em orofaringe indica a progressão para carcinoma, independentemente da expressão dos oncogenes virais.
A expressão contínua dos oncogenes virais E6 e E7 em cânceres cervicais é essencial para a manutenção do fenótipo tumoral, sendo a inibição desses genes uma potencial estratégia terapêutica.
A integração do DNA do HPV ao genoma celular promove a inativação de proto-oncogenes celulares, como c-myc, reduzindo o risco de transformação maligna.
A principal diferença entre tumores de cabeça e pescoço HPV-positivos e HPV-negativos é a presença de mutações no gene RB, comum apenas nos tumores HPV-negativos.
A carga mutacional dos tumores cervicais associados ao HPV é geralmente baixa, refletindo o caráter transformador direto do vírus, sem necessidade de mutações adicionais.
Em relação à tradução dos genomas dos vírus de RNA de fita positiva que não produzem RNA subgenômicos, é correto afirmar que no processo inicial de expressão gênica desses vírus
o RNA genômico é traduzido em uma ou mais poliproteínas que são subsequentemente clivadas por proteases virais e/ou celulares em proteínas funcionais.
o RNA genômico é transcrito em subgenomas que são traduzidos separadamente, garantindo expressão diferencial de proteínas estruturais.
o RNA genômico é traduzido diretamente em múltiplas proteínas individuais por ribossomos celulares, sem necessidade de processamento adicional.
o RNA genômico precisa ser convertido em DNA complementar para permitir a tradução eficiente.
a tradução inicial necessita de reconhecimento cap-dependente seguido por replicação no núcleo da célula hospedeira.
Com relação aos mecanismos alternativos de iniciação da tradução utilizados por vírus de RNA, é correto afirmar que
os vírus de RNA dependem exclusivamente do reconhecimento do cap 5′ e da cauda poli(A) para iniciar a tradução.
o mecanismo de tradução por reiniciação é exclusivo de vírus de DNA e não ocorre em vírus de RNA.
os retrovírus utilizam exclusivamente ribossomos mitocondriais para traduzir seus mRNA.
o processo de frameshift ribossomal é limitado a vírus vegetais da família Luteoviridae.
os picornavírus utilizam estruturas denominadas IRES para recrutar ribossomos diretamente ao RNA viral, dispensando o uso completo dos fatores de iniciação.
O esquema a seguir representa duas estruturas virais (tipo icosaédrica), sendo a A uma partícula viral não envelopada e B uma partícula viral envelopada.

(Paulo Roberto Soares Stephens, Maria Beatriz Siqueira Campos de Oliveira, Flávia Coelho Ribeiro, Leila Abboud Dias Carneiro. “Virologia”. Em: Conceitos e Métodos para a Formação de Profissionais em Laboratórios de Saúde. Adaptado)
Apesar das diferenças estruturais entre elas, ambas as partículas apresentam em comum as estruturas 1, 2 e 3, que podem ser identificadas, na ordem, como
nucleoide, capsídeo, membrana plasmática.
núcleo, retículo endoplasmático, membrana celular.
genoma, capsídeo e capsômero.
complexo de Golgi, lisossomas, membrana celular.
genoma, capsômero, espículas (glicoproteínas ou lipídeos).
O Sistema de Classificação de Baltimore organiza os vírus em sete classes principais com base no seguinte aspecto fundamental:
presença ou ausência de envelope lipídico e formato do capsídeo (icosaédrico ou helicoidal)
tipo de célula hospedeira que o vírus consegue infectar, como animal, vegetal, bacteriana
tipo de ácido nucleico (DNA ou RNA), seu arranjo (fita simples ou dupla) e, crucialmente, a rota de produção de mRNA
tamanho do genoma em pares de bases e a taxa de mutação durante a replicação
“Com três mortes no estado, oropouche infectou 1.597 pessoas no Rio; cinco cidades concentram 65% dos casos”. Anna Bustamante (O Globo 2025)
Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2025/05/23/com-tres-mortes-no-estado-oropouche-infectou-1597-pessoas-no-rio-cinco-cidades-concentram-65percent-dos-casos.ghtml. Acesso em: 16 jul. 2025.
A febre oropouche é causado por
ácaro.
bactéria.
príon.
protozoário.
vírus.
Assinale a alternativa que cita corretamente uma virose e o inseto que a transmite para humanos.
Febre maculosa e carrapatos.
Peste e pulgas.
Doença de Chagas e barbeiros.
Filariose e mosquitos.
Febre amarela e mosquitos.
O sistema de replicação do ácido nucleico da célula hospedeira é otimizado para DNA de fi ta dupla. Sendo assim, um vírus cujo genoma é composto por RNA de fi ta negativa (ssRNA-), como os Rhabdovirus (Lyssavirus - Raiva), deve empacotar estruturalmente uma enzima essencial para iniciar sua replicação e transcrição, denominada:
Helicase, indispensável para desenrolar o genoma dsRNA durante a replicação, acelerando o ciclo viral
RNA polimerase DNA-dependente, indispensável para transcrever o RNA viral em DNA para posterior integração ao genoma do hospedeiro
DNA polimerase RNA-dependente, indispensável para sintetizar a fita positiva de DNA a partir do RNA viral
RNA polimerase RNA-dependente, indispensável para sintetizar o RNA de fi ta positiva (mRNA) a partir do genoma ssRNA-, para que a síntese proteica possa ser iniciada.
Em um surto de arboviroses, idosos com comorbidades apresentam sintomas como febre, dor articular e manifestações neurológicas discretas. Considerando os métodos laboratoriais para diagnóstico de dengue, zika e chikungunya, qual é a abordagem mais sensível na fase aguda da infecção?
Realizar sorologia IgM nas primeiras 48 horas de sintomas.
Aplicar teste rápido de antígeno NS1 específico para chikungunya.
Conduzir cultura viral em meio BHI com incubação a 28 °C.
Utilizar PCR em tempo real (RT-PCR) para detecção do RNA viral até o 5º dia de sintomas.
Em relação à transmissão da catapora, assinalar a alternativa CORRETA.
A transmissão ocorre apenas por contato com objetos contaminados.
A catapora só é transmitida após o aparecimento das crostas.
A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e contato direto com lesões.
A transmissão indireta por pessoas imunes é comum.
Durante as conversas na COP 30, profissionais destacam que a febre amarela continua sendo uma ameaça à saúde pública em áreas rurais e regiões florestais da Amazônia, devido à baixa cobertura vacinal e às dificuldades logísticas na vigilância epidemiológica. Com base nos dados e no entendimento sobre a doença, assinale a alternativa correta acerca de sua transmissão e formas de prevenção.
A febre amarela é provocada por um vírus transmitido através da picada de mosquitos infectados, não por uma bactéria.
A doença é propagada pelo contato direto com pessoas infectadas que estão doentes.
O vírus é levado por mosquitos dos gêneros Aedes e Haemagogus, e a principal forma de prevenção inclui vacinação e controle dos vetores.
Os mosquitos transmissores se reproduzem principalmente em rios e lagos, restringindo os casos ao ambiente natural.
A febre amarela não está relacionada às condições ambientais ou ao saneamento, sendo mais uma questão de saúde pública do que genética.
Agonorreia e a clamídia são causadas por vírus, sendo tratadas com antivirais específicos.
Certo
Errado
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de colo do útero, causado pelo HPV, é o terceiro tipo de tumor mais incidente entre mulheres no Brasil. Além disso, estima-se que 10% dos casos de câncer sejam causados por vírus, incluindo Epstein-Barr, Hepatite B e alguns representantes de Retroviridae.
Sobre esse fato, analise as afirmativas a seguir:
I. A capacidade dos vírus de induzirem tumores está associada à interferência no RNA da célula hospedeira.
II. Vírus oncogênicos integram o seu material genético ao DNA do hospedeiro e causam transformação da célula do hospedeiro.
III. O papilomavirus humano é um exemplo de vírus de DNA oncogênico.
IV. Somente vírus de DNA possuem capacidade de induzir tumores.
V. Somente vírus de RNA possuem capacidade de induzir tumores.
Estão corretas apenas as afirmativas
I, III e IV.
I e V.
II e III.
II, III e IV.
A gripe H1N1 é uma doença transmitida por um novo tipo de vírus da mesma família que transmite a gripe. Em relação aos vírus, marque a alternativa correta.
Possuem na sua constituição células procarióticas.
Todos os vírus têm como material genético o ácido desoxirribonucleico.
São parasitas intracelulares.
Possuem na sua constituição células eucarióticas.