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Leia o trecho a seguir.
Sendo meu intento escrever algo útil para quem me ler, parece-me mais conveniente procurar a verdade efetiva das coisas do que o que se imaginou sobre elas. Muitos imaginaram repúblicas e principados que jamais foram vistos e que nem se soube se existiram de verdade, porque há tamanha distância entre como se vive e como deveria viver, que aquele trocar o que se faz por aquilo que se deveria fazer aprende antes a arruinar-se que a preserva-se; pois um homem que queira fazer em todas as coisas profissão de bondade deve arruinar-se entre tantos que não são bons. Daí ser necessário a um príncipe, se quiser manter-se, aprender a poder não ser bom e a valer-se ou não disto segundo a necessidade.
(Adaptado de MAQUIAVEL, N. O Príncipe. São Paulo: Hedra, 2009, p. 159.)
Com base no trecho, assinale a afirmativa que interpreta corretamente o pensamento político de Maquiavel.
Critica o realismo político e propõe analisar a verdade efetiva das coisas.
Aponta como a estabilidade política depende de dois elementos, virtude e fortuna.
Parte da realidade política para buscar uma efetividade na ação dos governantes, em consonância com a moral e a religião.
Retoma Platão ao defender um modelo de cidade e de príncipe que considera a realidade concreta e imperfeita da vida política.
Demonstra que a virtude está relacionada com a capacidade de agir segundo os ditames da necessidade, independentemente de se praticar uma boa ou má ação.
O pensamento político de Maquiavel desenvolve uma filosofia do poder, do exercício do poder desvinculado do exercício ético, de modo que a sua teoria política não é sobre como deve ser o poder, mas sobre como é o poder e que isso exige do princípe a sabedoria e o trato para lidar com as suas exigências. Assim, o soberano é aquele que estabelece a dinâmica do Estado como a do poder mantido e preservado em torno de si, independente se o Principado tenha sido uma conquista recente ou por sucessão estabelecida, o principado hereditário. Para tal, o autor desenvolve os conceitos de Virtù e de Fortuna, e ambos são fundamentais para a compreensão da natureza do Estado e a sua relação com a história. Em ambos os conceitos, o tema do poder é central e também o modo como se governa. O fato que, segundo o autor, leva Reinos a surgirem ou a desaparecem, assim como os seus soberanos, é que os principados conquistados pela Virtù, em relação aos que se conquistam pela Fortuna são
menos duradouros, pois a história é determinada pelos acasos, e assim serão os Reinos.
mais duradouros, pois o Príncipe desenvolve as virtudes e não o acúmulo de riquezas.
menos duradouros, porque as contestações internas do Reino são superadas pela riqueza.
mais duradouros, porque a virtude permite o alcance da forma ideal do Estado.
mais duradouros, porque não foram conquistados sem a vontade do Príncipe.
Maquiavel inova em relação à tipologia das formas de governo utilizada pelos filósofos da Antiguidade. À tripartição aristotélica quanto à quantidade daqueles que exercem o poder na pólis (um, poucos, todos), Maquiavel contraporá uma forma bipartite de analisar os Estados, que podem ser:
Repúblicas ou monarquias.
Repúblicas ou oligarquias.
Monarquias ou oligarquias.
Democracias ou oligarquias.
Repúblicas ou democracias.
O pensamento político de Nicolau Maquiavel apresenta uma abordagem distinta em relação às concepções tradicionais de governança e moralidade. Em suas reflexões sobre o poder, esse filósofo examina as estratégias e as virtudes necessárias para que um governante possa assegurar a estabilidade e a perpetuação do Estado. Considerando as informações mencionadas, assinale a alternativa que caracteriza a concepção política de Maquiavel.
Maquiavel considera que a política deve ser orientada por princípios éticos universais, nos quais o governante deve buscar sempre a justiça e o bem comum, subordinando suas ações à moralidade tradicional.
O pensamento político de Maquiavel enfatiza que o governante deve se afastar da manipulação e da violência, governando com base em princípios de igualdade e justiça, buscando sempre a paz social.
Maquiavel propõe que a política deve ser um campo de ação onde o governante, para assegurar a estabilidade do Estado, deve empregar estratégias diversas, adaptando-se às circunstâncias e, se necessário, empregando meios que possam ser moralmente questionáveis.
Segundo Maquiavel, o governante ideal deve ser aquele que, por meio de sua virtude e sabedoria, transforma as condições do Estado, buscando sempre a harmonia e o equilíbrio entre os cidadãos.
Para Maquiavel, a principal função do governante é agir com base em uma moralidade cristã, preservando os valores da religião e governando de forma altruísta e benevolente.
Na análise da ética política de Nicolau Maquiavel, ele propõe uma visão pragmática a respeito das virtudes e dos comportamentos necessários para o exercício do poder. Dentro desse contexto, a concepção maquiavélica sobre a moralidade da ação política rompe com a tradição ética cristã e aristotélica. Com base no exposto, assinale a alternativa que melhor reflete a posição ética de Maquiavel.
Maquiavel advoga que a moralidade política deve ser subordinada ao respeito às leis naturais e à busca pela justiça universal, com o governante devendo agir sempre de acordo com os princípios da equidade e da virtude.
Maquiavel propõe que o governante, diante da necessidade de preservar o poder, deve estar disposto a adotar meios imorais ou cruéis, considerando que a eficácia política e a estabilidade são valores superiores à moral tradicional.
Segundo Maquiavel, o governante deve ser constantemente guiado pelos valores da piedade e da misericórdia, usando sua autoridade para promover o bem comum de acordo com uma ética altruísta.
Na visão de Maquiavel, a virtude política consiste na capacidade do governante de demonstrar sabedoria prática e autocontrole, subordinando suas ações a uma moralidade universalmente aceita.
Maquiavel considera que a moralidade política exige que o governante se afaste de qualquer tipo de manipulação, baseando suas ações em princípios de justiça distributiva e igualdade para todos os cidadãos.


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“Maquiavel provoca uma ruptura com o saber repetido pelos séculos. Trata-se de uma indagação radical e de uma nova articulação sobre o pensar e fazer política [...]. A ordem, produto necessário da política, [...] tem um imperativo: deve ser construída pelos homens para se evitar o caos e a barbárie, e, uma vez alcançada, ela não será definitiva, pois há sempre, em germe, o seu trabalho em negativo, isto é, a ameaça de que seja desfeita”.
SADEK, Maria Tereza. “Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtù”. In: WEFFORT, Francisco Correia (org.). Os clássicos da política. São Paulo: Ática, 2006. v. 1.
A ruptura promovida por Maquiavel, mencionada no excerto, põe fim à ideia de que
a história segue um curso racional rumo ao bem comum.
a política deve espelhar uma ordem moral transcendente e imutável.
a legitimidade do poder decorre da adesão espontânea dos governados.
o exercício da política deve se subordinar inteiramente à ideia de justiça.
o bem coletivo se realiza pela harmonia natural entre os interesses individuais.
Maquiavel teve curta passagem em cargos públicos no governo florentino, em um período complicado, de grande instabilidade política, no qual o poder passava de mão em mão em espaços de tempo relativamente curtos. Nessa troca de governantes, o referido escritor acaba demitido e exilado em seu próprio país, proibido de ocupar qualquer cargo público, inclusive com uma estadia na prisão. Já em liberdade, retorna à propriedade herdada de seus pais, e vive modestamente longe do glamour da vida pública. Nesse período recluso, ele passa a examinar os pensadores clássicos, e redige suas obras, dentre as quais cabe destacar a mais importante, que marcou seu nome na história do pensamento político: “O Príncipe”.
(WEFFORT, 2001, p. 16.)
Nessa obra em específico (O Príncipe), Maquiavel:
Busca pela verdade real das coisas, e acredita que essa verdade transcende ao próprio homem e só é encontrada na fé.
Formula que a ordem que deve permear a política não é divina, e sim deve ser construída pelos homens para se evitar o caos e a barbárie.
Estuda a natureza humana ao longo da história e define que as paixões humanas são sempre verdadeiras e se refletem na atitude ética diante da política.
Centrado ainda em seu idealismo característico, salienta a importância e a centralidade da Igreja Católica, apesar do contexto de reformas e revoltas protestantes.
“Não desconheço que muitos têm tido, e têm, a opinião de que as coisas do mundo são governadas pela fortuna e por Deus, de modo que a prudência dos homens não as poderia corrigir nem lhes ofertaria algum remédio. Dessa maneira, poder-se-ia pensar que ninguém deve se importar muito com elas, deixando-se simplesmente reger pela fortuna. Essa opinião é muito aceita na nossa época, pela grande variação das coisas, o que se percebe diariamente, fora de toda conjuntura humana. Em algumas ocasiões, quando considero o assunto, tendo a aceitá-lo. Apesar disso, e uma vez que nosso livre-arbítrio permanece, acredito poder ser verdadeiro o fato de que a fortuna arbitre metade de nossas ações, mas que, mesmo assim, ela nos permita governar a outra metade quase inteira” (MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Nova Cultural, 2000).
O trecho apresentado sintetiza a visão de mundo do autor, de modo a entender que:
Deus comanda os destinos humanos e pouco pode ser feito para alterar essa realidade.
O livre-arbítrio pode modificar completamente os ditames da fortuna.
Mesmo a virtude de um grande governante é incapaz de modificar os rumos de uma nação.
O povo deve assumir o governo de forma direta para redefinir o seu destino.
O homem de virtude é aquele que age de acordo com a fortuna para obter êxito.
Nicolau Maquiavel (1469-1527) defende a autonomia da ciência política, ou seja, uma ciência política desligada de preocupações predominantemente filosóficas presentes na política grega, assim como desvinculada de uma perspectiva cristã.
No que se refere a Maquiavel, é correto afirmar:
I.Para ele, um bom líder deve se ater a duas constantes: virtude (virtú) e fortuna.
II. O ideal de um líder é ser amado (para manter a lealdade) e temido (para evitar desafios ou revoltas).
IIl.Enquanto as propostas políticas anteriores a ele buscavam uma abordagem realista e pragmática, Maquiavel buscava um ideal de política.
IV.Sua obra O Príncipe é considerada um manual de conselhos para governantes conquistarem e manterem o poder.
É correto o que se afirma em:
Ill, apenas.
|, Il e Ill, apenas.
I, II e IV, apenas.
IV, apenas.
I, II, III e IV.
“[...] cada príncipe deve desejar ser tido como piedoso e não como cruel: apesar disso, deve cuidar de empregar convenientemente essa piedade. Cesar Bórgia era considerado cruel, e, contudo, sua crueldade havia reerguido a Romanha e conseguido uni-la e conduzi-la à paz e à fé. O que, bem considerado, mostrará que ele foi muito mais piedoso do que o povo florentino, o qual, para evitar a pecha cruel, deixou que Pistoia fosse destruída. Não deve, portanto, importar ao príncipe a qualificação de cruel para manter seus súditos unidos e com fé, porque, com raras exceções, é ele mais piedoso do que aquele que por muita clemência deixam acontecer desordens, das quais podem nascer assassínios ou rapinagem. É que essas consequências prejudicam todo um povo, e as execuções que provêm do príncipe ofendem apenas um indivíduo. E, entre todos os príncipes, os novos são os que menos podem fugir à fama de cruéis, pois os Estados novos são cheios de perigo”.
(MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 79 - 80).
Sobre o pensamento de Maquiavel, é INCORRETO afirmar que:
Segundo Maquiavel, o príncipe com virtú seria capaz de perceber as forças da política e então agir com energia para conquistar e manter o poder.
A moral política e a moral privada se confundem em Maquiavel, portanto o príncipe deve ter virtú, ou seja, basear suas ações políticas nas normas éticas já estabelecidas.
A fortuna para Maquiavel constituiria a capacidade do príncipe de não deixar escapar a oportunidade, sendo necessário que ele fosse precavido e ousado, um observador atento da história.
O bom príncipe deve ter fortuna e virtú, somente ser virtuoso não garantirá poder para o príncipe.
A teoria de Maquiavel busca distanciar-se da política normativa, estabelecendo como o príncipe deve agir, não estando vinculada a ideia do governante virtuoso.


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Assinale a alternativa que apresenta uma das concepções de ética e política propostas por Nicolau Maquiavel.
Para Maquiavel, os preceitos éticos no agir político deveriam se sustentar de forma íntegra nos valores cristãos.
Maquiavel acreditava que ser ético na política era pensar além de realizações pessoais. Desse modo, o governante pode realizar atos considerados sórdidos se for para o bem dos governados.
Segundo Nicolau Maquiavel, aquele que age politicamente deve ter uma ética totalmente calcada em interesses individuais e religiosos.
O pensador de Florença entendia que a relação entre ética e política era inexistente, pois o fazer político não está associado ao aspecto ético do indivíduo.
Maquiavel compreendia que ser ético no agir político estava associado a agradar todos aqueles que são governados.
Sobre a forma maquiaveliana de pensar a política, a chamada “revolução maquiaveliana”, é correto afirmar que
menospreza a consideração do acaso na vida política, uma vez que os acontecimentos podem ser previstos infalivelmente pelos que estudam a razão de Estado.
passa a conceber a política como arte da manutenção da justiça e do bem comum, tendo a tomada do poder como seu meio preferencial.
entende a tirania como o regime político mais legítimo por concentrar as prerrogativas do poder e da lei em um único príncipe.
retoma a noção aristotélica de virtude, considerando virtuoso o governante de origem aristocrática e de caráter constante.
aborda a política como campo humano de disputa do poder, autônomo em relação aos objetivos da tradição religiosa.
A força explica o fundamento do poder, porém é a posse de virtù a chave por excelência do sucesso do príncipe. Sucesso este que tem uma medida política: a manutenção da conquista. O governante tem que se mostrar capaz de resistir aos inimigos e aos golpes da sorte, “construindo diques para que o rio não inunde a planície, arrasando tudo o que encontra em seu caminho”. O homem de virtù deve atrair os favores, conseguindo, assim, a fama, a honra e a glória para si e a segurança para seus governados. É desta perspectiva que ganha um novo sentido a discussão sobre as qualidades do príncipe. Maquiavel é incisivo: há vícios que são virtudes.
(Maria Tereza Sadek. “Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtù”. Os clássicos da política 1, 2006. Adaptado)
A partir do texto, a garantia de sucesso do príncipe, segundo Maquiavel, será obtida ao
fazer uso da força apenas em relação a ações de inimigos.
ajustar suas decisões aos ditames da moralidade convencional.
respeitar as recomendações dos líderes religiosos.
agir conforme as necessidades impostas pelas circunstâncias.
priorizar a essência virtuosa, superando a dissimulação.
A teoria política de Maquiavel pode ser concebida como “realista”, porque não se concentra em como a política deveria ser, mas em como ela é.
Certo
Errado
O príncipe desejoso de manter-se no poder tem de aprender os meios de não ser bom e a fazer uso ou não deles, conforme as necessidades.
(MAQUIAVEL, 2019, p. 93.)
Considerando a teoria de Nicolau Maquiavel e, ainda, analisando o trecho apresentado, assinale o significado subjacente desta afirmação.
A bondade é incompatível com a eficácia política e a manutenção do poder.
A bondade é uma fraqueza que pode ser explorada pelos adversários políticos.
A moralidade deve ser sacrificada em prol da estabilidade e da segurança no governo.
A astúcia e a dissimulação são habilidades necessárias para o príncipe assegurar seu poder.


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Sempre foi assim e sempre será, “que o mal suceda ao bem e o bem ao mal”. Assim como em todos os corpos têm um ciclo natural de nascimento, corrupção e morte. [...] não está na natureza das coisas do mundo o deter-se e quando chegam à máxima perfeição, não podendo mais se elevar, convém que precipitem e, de igual maneira, uma vez caídas e pelas desordens chegadas à máxima baixeza, necessariamente não podendo mais cair convém que se elevem: assim, sempre do bem se cai no mal e do mal eleva-se ao bem. Porque a virtude gera tranquilidade, a tranquilidade, ócio, o ócio, desordem, a desordem, ruína; e, igualmente, da ruína nasce a ordem, da ordem a virtude, e desta, a glória e a prosperidade.
(Maquiavel, 1998, p. 229.)
Nicolau Maquiavel (Niccolò di Bernardo dei Machiavelli) viveu durante o Renascimento Italiano. Os principais escritos em que expõe seu pensamento político — “O príncipe” e “Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio” — são publicados postumamente e repercutem até hoje. Em suas obras, Maquiavel expressa pensamentos às vezes divergentes como:
Em “O príncipe”, seu pensamento político entende a política como um fim em si mesma. A avaliação das ações de um governante toma por base os fatos que se apresentam e não valorações de qualquer âmbito.
Em “O príncipe”, Maquiavel procura avaliar o quadro social na sua totalidade e oferecer uma visão global do sistema político; neste sentido, analisa a importância da legitimidade contratual dada ao governante pelo povo.
Em “Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio”, sua fala é permeada pelo par conceitual fortuna e virtú, termos que são usados em um sentido relativo às condições econômicas e sociais, sem o sentido político por excelência.
Em “Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio”, Nicolau Maquiavel afirma que as decisões são exclusivas do governante; por isso, suas reflexões são inerentes à dinâmica do poder: é preciso aparentar ser bondoso, mas saber usar de violência.
Maquiavel subverte a abordagem tradicional da teoria política feita pelos gregos e medievais, e, por isso, é considerado o fundador da ciência política ao enveredar por caminhos “ainda não trilhados”, como ele mesmo diz.
-
ARANHA, M.; ARRUDA, M. Introdução à filosofia.
São Paulo: Moderna, 2009, com adaptações.
-
Em relação à nova abordagem, exposta no texto, conclui-se que a política de Maquiavel é
idealista, porque ensina como o príncipe deveria ser, caso quisesse conquistar e manter o poder político.
normativa, porque busca definir as normas para o bom regime.
utilitarista, pois vincula a ética pessoal e a religiosa, e não se ocupa com o exame das situações.
imoral, pois, além de rejeitar toda moral que envolve a ação política, não defende o bem do príncipe.
realista, pois se ocupa dos fatos, das consequências e dos resultados das ações políticas.
Analise as assertivas sobre o pensamento de Nicolau Maquiavel e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).
I. Segundo Maquiavel, em si mesmo, o homem não é bom nem mau, mas, de fato, tende a ser mau. Consequentemente, o político não deve confiar no aspecto positivo do homem, e sim constatar seu aspecto negativo e agir em consequência disso.
II. Com Maquiavel, retorna o tema do contraste entre liberdade e sorte, tão caro aos humanistas. O pensador florentino considera que o destino seja a razão dos acontecimentos e que, portanto, é inútil se esforçar para impor-lhe barreira, sendo melhor deixar-se guiar por ele.
III. O ideal político de Maquiavel não é o príncipe por ele descrito, que é muito mais uma necessidade do momento histórico, mas sim o da república romana, baseada na liberdade e nos bons costumes.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
Apenas I e II.
Apenas III.
Apenas II.
“Para compreender a concepção política de Maquiavel, é preciso situá-la em seu contexto histórico. Se, na Renascença, a Itália conhece um formidável crescimento cultural e econômico, por outro lado, ela se fragiliza do ponto de vista político e militar. (...) Diante de uma Itália despedaçada, Maquiavel pretende pensar a possibilidade da fundação de um estado único e forte. Toda sua filosofia gira em torno desse projeto político”. Grissault, K. Autores chave da Filosofia e seus textos incontornáveis Petrópolis: Vozes, 2012.
A partir dos conhecimentos sobre a obra de Maquiavel expressa no livro O príncipe, avalie as questões que seguem e marque a alternativa correta:
O pensamento político anterior à Maquiavel estava marcado pela dessacralização e secularização presentes na visão política de Agostinho.
Para Maquiavel, a política não mais deveria estar subordinada ao poder religioso.
O principal objetivo de Maquiavel era fazer cumprir a finalidade do Estado, que seria realizar um bom governo
Entre os conselhos de Maquiavel para o Príncipe, está a observância de regras estritas, uma vez que as circunstâncias não mudam, são totalmente previsíveis.
Ao rejeitar totalmente a moral, Maquiavel propõe uma política autocrática, pautada somente na vontade do Príncipe.
Leia o texto a seguir:
“Direi que quem condena os tumultos entre os nobres e a plebe parece censurar as coisas que foram a causa primeira da liberdade de Roma e considerar mais as assuadas e a grita que de tais tumultos nasciam do que os bons efeitos que eles geravam; e não consideram que em toda república há dois humores diferentes, o do povo, e o dos grandes, e que todas as leis que se fazem nascem da desunião deles, como facilmente se pode ver que ocorreu em Roma” (MAQUIAVEL. N. Discurso sobre a primeira década de Tito Lívio. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 21-22).
No trecho anterior, Maquiavel expõe um dos princípios basilares do seu pensamento político e que se consolidou como um dos temas predominantes no surgimento do republicanismo moderno. Diferentemente de seus predecessores, Maquiavel insere o tema do conflito político como elemento central na lógica da ação política.
Tomando como referência o texto da questão, assinale a alternativa correta.
A concepção de liberdade política em Maquiavel está associada à capacidade do governante em promover o aumento dos conflitos políticos e da tensão social, que sempre resultam em bons efeitos.
Maquiavel considera que toda cidade é composta pelos humores dos grandes e do povo. Ambos os grupos desejam oprimir e dominar, por isso, estão sempre em conflito social.
Os conflitos políticos constituem a natureza de toda sociedade e são a condição para o aparecimento da liberdade. No caso de Roma, foi o conflito entre os nobres e a plebe a razão da liberdade daquela sociedade.
Maquiavel alerta acerca dos riscos sociais que os conflitos podem produzir. Ele destaca que os tumultos políticos são capazes de instabilizar a liberdade social, por isso, devem ser suprimidos em nome de uma sociedade baseada no bem comum.