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É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida.
SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).
Apesar de questionar os conceitos da tradição, a dúvida radical da filosofia cartesiana tem caráter positivo por contribuir para o(a)
dissolução do saber científico.
recuperação dos antigos juízos.
exaltação do pensamento clássico.
surgimento do conhecimento inabalável.
fortalecimento dos preconceitos religiosos.
Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e culturalmente.
CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques. Scientiae Studia, São Paulo, v. 2, n. 4, 2004 (adaptado).
Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação científica consiste em
expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes.
oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia.
ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso.
explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos.
explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos.

Na compreensão dos fins da natureza humana, a filosofia vai mais longe que o senso comum, segundo Kant.
O senso comum, no pensamento de Kant, tem um alto valor positivo no campo das discussões teóricas (sobre o conhecimento), e não no campo das decisões práticas (sobre o agir).
Pode-se interpretar o senso comum kantiano, no campo da razão prática, como próxima à noção de bom senso, introduzida por Descartes.
Segundo Kant, o filósofo está em condições melhores de julgar as questões imediatas da vida prática do homem do que o homem que segue com bom senso as noções do senso comum sobre os fins do viver humano.
De acordo com Kant, no campo da vida prática, o senso comum é grosseiro e, por isso, incapaz de julgar bem em face das sutilezas das decisões humanas.
TEXTO I
Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável.
DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado).
TEXTO II
É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida.
SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).
A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução radical do conhecimento, deve-se
retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade.
questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções.
investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos.
buscar uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados.
encontrar ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados.

da iluminação da alma humana pela alma divina.
do esclarecimento do cogito pelo gênio maligno.
de meditações intuitivas e inconscientes.
da utilização de um método adequado para o pensamento.
da formulação de silogismos aristotélicos.
Descartes se destaca na história do dualismo porque foi o primeiro filósofo a
indicar que as ideias são sempre provenientes da experiência.
afirmar que a alma é de natureza distinta da do corpo.
mostrar como as paixões são originadas exclusivamente a partir da mente, sem nenhuma conexão com o corpo.
identificar claramente a mente com a consciência e a distingui-la de sua sede corporal, o cérebro.
Texto I
Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez.
DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
Texto II
Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar nossa suspeita.
HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento. São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado).
Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume
defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo.
entendem que é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica.
são legítimos representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento.
concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos.
atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do conhecimento.
Além de racionalista, Descartes é conhecido como cartesiano em função de sua proposta de conhecimento por meio da experiência.
À medida que Descartes desenvolve sua ideia de um sistema de conhecimento, observamos surgir um componente importante, a saber, a ênfase na unidade do sistema, de maneira a ser possível propor a noção de que todas as coisas que se incluem no alcance do conhecimento humano, estão interligadas. Nesse sentido, é possível pensar que a concepção cartesiana de ciência busca
uma visão fragmentada, dividida em pacotes epistêmicos que espelham um modelo disciplinar de conhecimento.
um critério distintivo de refutabilidade para a definição do que é e do que não é cientifico.
uma articulação englobando todos os objetos de cognição humana.
uma metodologia de verificação lógica para atestar a verdade ou a falsidade de proposições científicas através da dúvida metodológica.

as suas conclusões forem inferidas a partir de uma base ampla de experimentos.
os conhecimentos que a compõem forem fundamentados em princípios verdadeiros.
os seus princípios forem avaliados periodicamente pelos cientistas.
a sua constituição for motivada por uma atitude cética.
No início do Discurso do Método, Descartes mostra uma certa reserva no que se refere à erudição enquanto fonte de conhecimentos científicos. Este posicionamento está intimamente ligado à concepção de que
só a originalidade dota uma obra de valor.
a razão e não a autoridade é fonte de conhecimentos científicos.
a teoria deve ser aprendida na prática.
a experiência sensorial é a principal fonte de conhecimentos científicos.
o conhecimento é por natureza descontínuo, não sendo passível de progresso.
O pensamento de Descartes expresso no aforismo “Penso, logo existo” inaugura novo momento na epistemologia filosófica: a passagem do modernismo para a contemporaneidade.
Observe a tirinha do cartunista Laerte.

A situação ilustrada acima seria absurda do ponto de vista da filosofia cartesiana porque, para Descartes,

Esta ordem pela qual o conhecimento deve ser edificado ficou conhecida como a ordem
Sobre o filósofo Descartes e sua Filosofia é incorreto afirmar:
A Filosofia de Descartes inaugura de forma mais acabada o pensamento moderno propriamente dito, juntamente com os empiristas ingleses.
A crença no poder crítico da razão humana individual, a metáfora da luz e da clareza que se opõe à escuridão e ao obscurantismo, e a idéia de busca de progresso que orienta a própria tarefa da Filosofia são alguns traços fundamentais da modernidade de Descartes.
A necessidade de contextualização do pensamento, de situá-lo em relação à experiência de vida do indivíduo pensante, é uma exigência do próprio Descartes.
Discurso do Método, obra de Descartes, foi descoberta somente na contemporaneidade, passando despercebida pela modernidade.

A tese apresentada no texto supracitado é conhecida como
Descartes acredita demonstrar a existência de deus partindo da
existência dos seres humanos como seres imperfeitos, e todavia dotados da ideia da perfeição.
existência do mundo, enquanto pressupõe uma causa por sua vez não causada
necessidade de uma explicação para o mal no mundo.
necessidade de um fundamento da consciência moral presente em todos os seres humanos.
existência do mundo, enquanto remete para uma inteligência que explique seu finalismo iminente.