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A retenção de secreção nas vias aéreas é uma emergência clínica quando causa o bloqueio de uma das principais vias aéreas e/ou resulta em insuficiência respiratória. Quando os resultados da avaliação sugerirem retenção de secreção, é importante selecionar a(s) técnica(s) de desobstrução das vias aéreas mais eficaz(es) com o mínimo de efeitos adversos para o paciente.
Nessa perspectiva, é CORRETO afirmar que:
a retenção de secreção nas vias aéreas pode contribuir para problemas agudos, como obstrução das vias aéreas superiores e/ou inferiores, incompatibilidade de ventilação/perfusão e infecções, aumento do trabalho e insuficiência respiratórios.
a retenção de secreção nas vias aéreas é evidente pela ausculta pulmonar ou palpação.
a técnica de respiração de ciclo ativo (ACBT) é a alternativa terapêutica mais adequada para pacientes inconscientes e não cooperativos.
os dispositivos de pressão positiva expiratória (PEP) ou PEPoscilatória são contraindicados para pacientes com doença pulmonar crônica caracterizada por retenção de secreção
limpeza mucociliar eficiente, secreção excessiva de muco, tosse eficiente ou aspiração podem causar a retenção de secreção nas vias aéreas.
Um paciente com exacerbação de DPOC encontra-se hospitalizado, apresentando hiperinsuflação dinâmica, tosse pouco efetiva e sensação intensa de dispneia.
Qual intervenção fisioterapêutica tende a ser mais útil nesse cenário clínico?
Incentivo respiratório a fluxo sustentado, com estímulo para inspiração rápida.
Treino de musculatura inspiratória com cargas elevadas já na primeira sessão.
Ventilação não invasiva para reduzir trabalho respiratório e melhorar trocas gasosas.
Manobras de compressão torácica vigorosa para aumentar volume corrente.
Exercícios aeróbicos contínuos ao leito por longos períodos.
Um paciente de 68 anos, portador de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) — fenótipo bronquítico — encontra-se clinicamente estável, porém relata aumento da viscosidade mucóide e dispneia (grau 2 na escala mMRC). Ao exame físico, apresenta murmúrio vesicular reduzido globalmente e ruídos adventícios do tipo roncos difusos. Com o objetivo de otimizar a depuração mucociliar e a higiene brônquica através da manipulação do fluxo aéreo, a estratégia terapêutica mais adequada é:
Aplicar ventilação não invasiva (VNI) com pressão positiva contínua (CPAP), visando exclusivamente o recrutamento alveolar imediato.
Prescrever treinamento muscular inspiratório (TMI) com carga superior a 60% da Manobra de Pressão Inspiratória Máxima (PImax) para reduzir a hipersecreção.
Realizar inspirações máximas sustentadas (exercícios de empilhamento de ar) de forma isolada, para garantir a homogeneidade da ventilação colateral.
Utilizar técnicas de expiração lenta e forçada, como a Aceleração do Fluxo Expiratório (AFE) ou a Técnica de Expiração Forçada (TEF/Huffing), explorando o ponto de equalização de pressão.
Instituir oxigenoterapia de alto fluxo (CNAF) como ferramenta primária para a fluidificação e transporte de secreções em vias aéreas distais.
As Diretrizes Brasileiras de Ventilação Mecânica (2013) recomendam a utilização da Ventilação Não Invasiva (VNI) em situações específicas, considerando o nível de evidência disponível para cada condição clínica. Com base nessas recomendações, assinale a alternativa correta.
A VNI está formalmente indicada para pacientes com exacerbação aguda da DPOC associada à acidose respiratória, por reduzir a necessidade de intubação orotraqueal e a mortalidade.
A VNI deve ser utilizada como estratégia de primeira escolha em todos os pacientes com insuficiência respiratória hipoxêmica grave, mesmo na ausência de melhora clínica nas primeiras horas de tratamento.
A VNI não deve ser empregada no edema agudo cardiogênico de pulmão, devido ao risco aumentado de instabilidade hemodinâmica e eventos isquêmicos.
A falha clínica da VNI, evidenciada pela persistência ou piora do desconforto respiratório e das trocas gasosas, não constitui critério para intubação precoce, desde que o paciente permaneça consciente.
Pacientes com contraindicações absolutas à VNI, como incapacidade de proteger as vias aéreas e instabilidade hemodinâmica grave, podem ser submetidos à técnica desde que monitorizados em unidade intensiva.
O método auscultatório é uma técnica padrão utilizada na prática clínica para determinar as pressões arteriais sistólica e diastólica por meio da identificação dos sons de Korotkoff. Considerações sobre a dinâmica de compressão, descompressão e fluxo sanguíneo na artéria braquial apontam que a correta associação entre os eventos acústicos e as fases hemodinâmicas ocorre ao:
Elevar a pressão do manguito acima do nível sistólico para gerar o colapso contínuo da artéria braquial, provocando ruídos auscultatórios de alta intensidade.
Registrar o início dos sons de Korotkoff quando a pressão exercida pelo manguito cai abaixo do nível diastólico, momento em que o vaso permanece totalmente livre de obstruções.
Identificar a pressão sistólica no exato instante em que os ruídos arteriais desaparecem por completo, indicando que a artéria braquial foi totalmente desobstruída no pico do ciclo.
Constatar a transição dos sons para uma característica abafada durante a descompressão progressiva, sinalizando o exato momento que corresponde ao registro da pressão sistólica.
Associar o desaparecimento total dos sons de Korotkoff à ausência de oclusão da artéria durante a diástole, visto que o jato de sangue sob compressão deixa de existir.
Um paciente de 68 anos, tabagista crônico com diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), é admitido na unidade de pronto atendimento com quadro de sonolência, dispneia acentuada e uso de musculatura acessória. A gasometria arterial colhida em ar ambiente revela: pH: 7,25; PaCO2: 62 mmHg; PaO2: 52 mmHg; HCO3: 27 mEq/L; SaO2: 84%. Com base na interpretação clínica desses resultados, qual é o distúrbio ácido-básico predominante e qual o mecanismo fisiopatológico associado?
Alcalose respiratória por hiperventilação alveolar compensatória.
Acidose metabólica devido à hipóxia tecidual e acúmulo de lactato.
Acidose respiratória causada por hipoventilação alveolar e retenção de dióxido de carbono.
Acidose mista, com componentes respiratórios e metabólicos igualmente graves.
Alcalose metabólica compensada, decorrente do uso crônico de oxigenoterapia domiciliar.
Durante o exame físico do paciente no serviço de terapia intensiva, a presença de bolhas de ar sob a pele pode ser identificada pela palpação, deslizando a mão sobre a região suspeita, o que gera uma sensação de crepitação característica. Esse ar pode ter origem torácica, como nos casos de pneumotórax, ou resultar de processos locais, como nas gangrenas gasosas. O achado descrito corresponde à(a):
estertores crepitantes
enfisema subcutâneo
derrame pleural
atelectasia
O uso de oxigênio suplementar objetiva prevenir ou corrigir a hipoxemia, reduzindo tanto o trabalho do miocárdio quanto o trabalho respiratório. Os métodos de administração podem ser divididos conceitualmente em dispositivos de performance fixa (que oferecem um percentual de oxigênio garantido independentemente do padrão ventilatório do paciente) e de performance variável.
Assinale a alternativa com dispositivos que representam exclusivamente sistemas de performance fixa.
Cateter nasal de baixo fluxo e máscara de reinalação parcial.
Máscara reservatória não reinalante e tenda de traqueostomia.
Cateter nasal simples e capacete craniano (Hood).
Máscara de Venturi e cateter nasal de alto fluxo (CNAF).
Máscara de EPAP e reanimador de Muller.
A avaliação das variações anteroposteriores da caixa torácica e do abdome pode ser realizada por um método simples, de baixo custo e acessível, especialmente na ausência de recursos como magnetômetro ou pletismografia. Nesse procedimento, utiliza-se uma fita métrica para mensurar linearmente ambas as dimensões, preferencialmente com o paciente em decúbito dorsal horizontalizado. Esse método é denominado:
ventilação não invasiva
espirometria
cirtometria
pleurodese
Um paciente de 70 anos, com pneumonia comunitária e insuficiência respiratória hipoxêmica aguda, iniciou ventilação não invasiva (VNI) há 1 hora. Na reavaliação fisioterapêutica, apresenta os seguintes dados:
Frequência cardíaca: 118 bpm
Frequência respiratória: 34 irpm
pH: 7,31
PaO₂/FiO₂: 140
Escala de Glasgow: 15
Considerando o escore HACOR (Heart rate, Acidosis, Consciousness, Oxygenation, Respiratory rate), o paciente apresenta pontuação ≥ 5. Com base nas evidências relacionadas ao HACOR e ao risco de falha da VNI, assinale a alternativa correta.
O HACOR é utilizado apenas para predizer mortalidade hospitalar, não sendo útil na decisão de intubação.
Pontuação elevada no HACOR após 1 hora de VNI está associada a alto risco de falha terapêutica, devendo-se considerar precocemente a intubação orotraqueal.
O escore HACOR é suficiente, por si só, para determinar a continuidade ou a interrupção da ventilação não invasiva, dispensando a avaliação clínica do fisioterapeuta.
O escore elevado sugere boa resposta à VNI, sendo indicada apenas reavaliação após 24 horas.
A ventilação não invasiva (VNI) consiste na aplicação de pressão positiva nas vias aéreas por meio de interface não invasiva, ou seja, sem necessidade de via aérea artificial. Considerando os efeitos da elevação da pressão intratorácica sobre o retorno venoso, a pré-carga ventricular e o débito cardíaco, assinale a alternativa correta.
A pressão positiva intratorácica pode reduzir o retorno venoso ao coração direito, diminuindo a pré-carga e podendo reduzir o débito cardíaco em pacientes hipovolêmicos.
A VNI sempre aumenta o débito cardíaco ao reduzir a pós-carga do ventrículo direito, independentemente das condições clínicas do paciente.
A VNI aumenta o retorno venoso sistêmico devido à elevação da pressão intratorácica, resultando em aumento direto do débito cardíaco.
A aplicação de CPAP não exerce qualquer influência sobre a hemodinâmica, atuando exclusivamente na mecânica respiratória.
Segundo Valiatti (2021), o monóxido de carbono (CO) é um gás que, quando inalado, é absorvido imediatamente pelo epitélio pulmonar, podendo produzir lesões graves. Sobre a intoxicação por CO, assinale a opção correta.
O CO tem alta afinidade pela hemoglobina (cerca de 200 vezes maior que a do oxigênio), formando rapidam ente o complexo carboxihemoglobina (COHb).
Uma exposição de 15 segundos com uma fração inspirada de 1% de CO é o suficiente para determinar valores de 50% de COHb.
Com a formação da COHb, há o deslocamento da curva de dissociação da oxihemoglobina para a direita e prejuízo na liberação do oxigênio aos tecidos.
A meia-vida da COHb é de cerca de 90 min, mas pode ser reduzida para 10 a 30 min com a utilização de oxigênio a 100% em dispositivos de alto fluxo.
A administração de oxigênio deve ser realizada o mais rapidamente possível, por 24h a 48h, independentemente dos valores de SpO2 ou PaO2.
A Ventilação Não Invasiva (VNI) é uma ferramenta crucial na unidade de terapia intensiva, capaz de reduzir a necessidade de intubação orotraqueal em cenários clínicos específicos, mas possui contraindicações importantes.
Assim, analise as afirmativas a seguir.
I. A VNI é fortemente indicada em pacientes com exacerbação de DPOC cursando com acidose respiratória (pH < 7,35 e PaCO2 > 45 mmHg) e em casos de Edema Agudo de Pulmão cardiogênico.
II. Pacientes com rebaixamento do nível de consciência (ex: Escala de Coma de Glasgow < 9) e incapacidade de proteger a via aérea são candidatos ideais para VNI.
III. A instabilidade hemodinâmica grave, com necessidade de altas doses de vasopressores, e o trauma facial extenso são consideradas contraindicações para o uso da VNI.
Está CORRETO o que se afirma em:
I e III apenas.
I e II apenas.
II apenas.
I, II e III.
A ventilação mecânica não invasiva (VNI) fornece suporte ventilatório através de interface não invasiva, evitando intubação orotraqueal. Os modos ventilatórios mais utilizados são CPAP e BiPAP. O modo ventilatório não invasivo que fornece dois níveis de pressão positiva, uma durante inspiração (IPAP) e outra durante expiração (EPAP), auxiliando tanto a inspiração quanto mantendo vias aéreas pérvias durante expiração, indicado para insuficiência respiratória hipercápnica e DPOC descompensado, é o:
CPAP.
BiPAP.
Pressão de suporte.
Ventilação mandatória intermitente.
Ventilação controlada a volume.
O teste para compressibilidade do edema consiste em realizar a digitopressão no tecido edematoso por pelo menos 5 segundos, após a descompressão digital, observa-se uma área da pele que permanece deprimida, o que caracteriza o sinal de:
Depressão.
Palpação.
Cacifo.
Anastomose.
Rubor.
Um paciente de 68 anos, com diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), é admitido na unidade de emergência com quadro de insuficiência respiratória aguda. O fisioterapeuta observa que o paciente apresenta hiperpneia e uso de musculatura acessória. A equipe decide iniciar a oferta de oxigênio, mas precisa garantir que a Fração Inspirada de Oxigênio (FiO2) seja exata e constante, para evitar o risco de hipoventilação e hipercapnia. Considerando as propriedades dos sistemas de administração de oxigênio, qual deve ser o dispositivo de escolha e a sua justificativa?
Cânula nasal, pois é um sistema de alto fluxo que permite ao paciente se alimentar e conversar, garantindo uma FiO2 precisa acima de 50% em pacientes com respiração bucal.
Cateter nasofaríngeo, devido à sua capacidade de aumentar o espaço morto e facilitar a nebulização simultânea, o que é essencial para um paciente com DPOC em crise.
Máscara com reservatório, por ser um sistema de baixo fluxo que permite a reinalação total do CO2 expirado, auxiliando no estímulo do drive respiratório central no paciente com DPOC.
Tenda de oxigênio, por permitir o controle rigoroso da temperatura e evitar a retenção de dióxido de carbono, sendo o padrão-ouro para pacientes idosos com DPOC.
Máscara de Venturi, pois utiliza o princípio de Bernoulli para captar o ar ambiente através de um gradiente de pressão subatmosférica, garantindo uma FiO2 segura e exata.
Segundo a verificação de sinais vitais em adultos, é CORRETO afirmar que:
Durante a verificação da frequência cardíaca com o uso de estetoscópio, o diafragma do estetoscópio deve estar sobre o impulso apical no 4º Espaço Intercostal (EI), na Linha Clavicular Média (LCM), e deve-se verificar os sons cardíacos por 1 minuto.
Não é necessário a higienização das mãos para o procedimento de aferição de sinais vitais, exceto para a ausculta cardíaca.
Ter realizado atividade física há pelo menos 60min, estar com a bexiga cheia, ter ingerido bebidas alcoólicas ou fumar minutos antes da aferição de pressão arterial não interfere no resultado da aferição dos sinais vitais.
Frequências cardíacas de 80 bpm são compatíveis com a normocardia em adultos.
Assinale a opção que melhor explica por que pacientes com edema agudo de pulmão cardiogênico hipertensivo costumam apresentar resposta mais rápida à ventilação não invasiva (VNI).
A pressão positiva reduz a pressão transmural do ventrículo esquerdo, diminuindo sua pós-carga, favorecendo o débito cardíaco, e, adicionalmente, reduzindo a pré-carga e a congestão pulmonar.
O principal benefício da ventilação não invasiva decorre do aumento da pressão oncótica capilar pulmonar, acelerando a reabsorção do edema alveolar.
A melhora clínica ocorre principalmente pela redução da resistência vascular pulmonar, sem influência significativa sobre a mecânica respiratória.
A pressão positiva aumenta o enchimento ventricular esquerdo, favorecendo o aumento do volume sistólico pelo mecanismo de Frank-Starling.
O principal benefício da VNI decorre do aumento do retorno venoso, favorecendo o enchimento ventricular esquerdo e reduzindo a pressão capilar pulmonar.
As Diretrizes Brasileiras de Ventilação Mecânica destacam que o sucesso da VNI depende da seleção adequada dos pacientes e da monitorização clínica nas primeiras horas de tratamento. Considerando essas recomendações, assinale a alternativa INCORRETA.
A redução da frequência respiratória, a melhora do desconforto respiratório e a correção progressiva da acidose são indicadores de resposta favorável à VNI.
A monitorização clínica e gasométrica nas primeiras horas de tratamento é fundamental para identificar precocemente sinais de sucesso ou falha da VNI.
A persistência da hipoxemia, do aumento do trabalho respiratório ou da acidose, apesar da VNI adequadamente ajustada, pode indicar necessidade de ventilação invasiva.
A escolha da interface deve considerar fatores como adaptação do paciente, presença de vazamentos e conforto, uma vez que esses aspectos influenciam a efetividade da VNI.
A eficácia da VNI depende principalmente da utilização de pressões inspiratórias elevadas desde o início da terapia, sendo a resposta clínica inicial um parâmetro secundário na condução do tratamento.
Uma criança de 4 anos é admitida com insuficiência respiratória hipoxêmica leve. O fisioterapeuta sugere o início de Ventilação Não Invasiva (VNI) por meio da modalidade CPAP (Continuous Positive Airway Pressure), utilizando uma máscara orofacial. Considerando os efeitos fisiológicos e as recomendações para VNI, assinale a afirmativa CORRETA.
O CPAP fornece dois níveis de pressão independentes (IPAP e EPAP), garantindo o aumento do volume corrente em cada ciclo respiratório.
A principal contraindicação absoluta para o uso da VNI em pediatria é a presença de hipersecretividade brônquica.
O CPAP fornece pressão positiva constante, o que aumenta a capacidade residual funcional e melhora a relação ventilação/perfusão através do recrutamento alveolar.
A interface do tipo prong nasal é a que oferece menor escape aéreo e maior estabilidade de fixação em crianças maiores de 2 anos
A PEEP/EPAP em pediatria deve ser fixada obrigatoriamente entre 10 e 15 cmH2O.