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A organização de arquivos históricos não pode ser desvinculada da própria avaliação crítica da constituição desses arquivos históricos, suas intencionalidades e seus silenciamentos. Assim como é importante conhecer as noções básicas para garantir uma boa gestão, é preciso conhecer as problemáticas relações entre memória, história e arquivos históricos.
Acerca dessa problemática levantada, a assertiva que NÃO pode ser considerada correta é:
Os pressupostos positivistas apontavam para uma suposta objetividade dos documentos textuais, tomados de forma privilegiada como fontes dos acervos históricos.
A noção apresentada por Jacques Le Goff aponta para a intencionalidade do documento, que se torna monumento, à medida que está, necessariamente, atrelado a uma esfera de poder.
Os acervos são bem mais do que os objetos neles exibidos, têm sua própria história e podem nos dizer muito sobre a época em que foram construídos, bem como sobre as épocas subsequentes, que se foram sobrepondo ao momento inicial de criação.
A costumeira distinção entre fontes primárias (ou "de primeira mão"), e fontes secundárias (indiretas ou de "segunda mão") tornou-se inócua, pois dependendo do ponto de vista do observador o mais relevante pode ser sua procedência, seu conteúdo ou o grau de relação com o tema investigado.
O desejo do controle da memória, de preservação da imagem pública, e a manutenção de segredos constituem, com frequência, estímulos a serem aproveitados e catalisados na busca das fontes epistolares e se completam com desejos, explícitos ou não, de exaltação memorialística por parte dos detentores de acervos.