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Observe o enunciado abaixo e assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna:
A problematização do estudo histórico inicia-se sempre pelo local, que se torna objeto de análise constante, e não mais em apenas uma das séries, dependendo do tema a ser estudado. Para efetivar o estudo do local, a proposta fundamenta-se na história do __________ e apropria-se de seus métodos, com o objetivo de inserir as ações de pessoas comuns - homens, mulheres, crianças e velhos - na constituição histórica, e não exclusivamente as ações de políticos e das elites sociais.
emocional
classificatório
cognitivo
espiritual
cotidiano
Ao longo da história, muitos municípios brasileiros surgiram a partir de fatores geográficos específicos, como rios navegáveis, áreas férteis, rotas de tropeiros ou regiões estratégicas para o comércio. Esses elementos naturais, aliados a processos históricos como a colonização, a migração e o desenvolvimento econômico, influenciaram diretamente a organização do espaço urbano e rural, bem como a formação social e cultural dessas localidades. Considerando essa relação entre História e Geografia, assinale a alternativa CORRETA:
A Geografia estuda somente os elementos naturais, sem considerar a ação humana.
A articulação entre condições naturais e processos históricos produziu formas específicas de ocupação e organização do espaço.
O crescimento das cidades ocorre de forma aleatória, sem relação com atividades produtivas.
A organização do espaço geográfico é resultado apenas de decisões políticas recentes.
Os fatores históricos não influenciam a ocupação do território.
Situação hipotética: Um historiador encontra uma carta pessoal de um barão do café do século XIX na qual ele defende a abolição da escravidão. Assertiva: Para analisar criticamente essa fonte, o historiador deve considerá-la como prova definitiva de que toda a elite cafeicultora era abolicionista.
Certo
Errado
No âmbito das discussões historiográficas sobre a formação das sociedades europeias entre os séculos V e XV, a expansão do cristianismo tem sido reinterpretada à luz de perspectivas que destacam a pluralidade de temporalidades, agentes e mediações envolvidas na sua difusão. Em atividades que mobilizam leitura de textos históricos e análises comparativas, a noção de cristianização demanda ser compreendida não como um evento pontual, mas como um processo que atravessou diferentes espaços sociais e culturais, implicando negociações, resistências e ressignificações. Nesse horizonte interpretativo, uma abordagem historicamente consistente acerca da cristianização europeia se aproxima de:
.. processos graduais e heterogêneos que envolveram adaptações culturais, tensões sociais e formas de sincretismo, articulando instituições e práticas locais ao longo de séculos.
...um movimento linear caracterizado pela imposição imediata de práticas religiosas homogêneas em todo o continente.
..uma dinâmica restrita a núcleos urbanos e às elites políticas, sem capilaridade nas populações rurais.
...uma expansão dependente exclusivamente de mecanismos coercitivos e militares, desvinculada da atuação de redes eclesiásticas e monásticas.
...uma substituição integral das crenças anteriores já nas primeiras gerações posteriores ao século V.
No contexto do Paleolítico Médio, a introdução da técnica de Levallois representa um marco na evolução cognitiva e tecnológica dos hominídeos. Sobre essa técnica de lascamento, assinale a alternativa que descreve corretamente sua implicação historiográfica:
Trata-se da primeira manifestação de sedentarização, permitindo o acúmulo de excedentes de sílex em sítios de ocupação permanente.
Demonstra a capacidade de planejamento e abstração, uma vez que o núcleo da pedra é preparado previamente para que a lasca final possua um formato e tamanho predeterminados.
Marca a transição exclusiva do Homo habilis para o Homo erectus, sendo esta a única tecnologia a permitir a domesticação do fogo.
Representa a simplificação do processo de produção de ferramentas, visando a substituição de materiais líticos por fibras vegetais trançadas.
Durante a Dinastia Ming (1368-1644), a China vivenciou um período de expansão naval sem precedentes sob o comando do almirante Zheng He, seguido por um súbito isolacionismo. A historiografia contemporânea aponta que o abandono das grandes navegações chinesas deveu-se, em grande parte:
À derrota militar definitiva da frota Ming para a Armada Espanhola nas Filipinas.
À conversão do imperador ao Budismo Tibetano, que proibia o comércio de bens de luxo por via marítima.
À escassez de prata no mercado interno, causada pela recusa chinesa em comercializar com os japoneses.
À pressão da burocracia confucionista, que via nas expedições um gasto supérfluo e uma ameaça à estabilidade agrária e à defesa das fronteiras terrestres contra os mongóis.
A intervenção soviética no Afeganistão, iniciada em dezembro de 1979, inseriu-se em um conjunto de dinâmicas geopolíticas da Guerra Fria. Diversas interpretações historiográficas discutem as razões e efeitos desse movimento, relacionando-o tanto à lógica do equilíbrio global quanto a condições internas do Afeganistão. Sobre o tema, assinale a alternativa correta.
A intervenção soviética ocorreu em um momento de retração estratégica da URSS, que temia que a expansão islâmica pró-iraniana desestabilizasse repúblicas muçulmanas soviéticas e o objetivo principal era evitar contaminações ideológicas e não disputar influência regional com os EUA.
A presença soviética no Afeganistão visou apoiar um governo marxista local que buscava reformas modernizadoras em áreas tradicionais, mas a resistência interna tribal, aliada ao apoio norte-americano e paquistanês aos mujahidin, transformou o conflito em uma guerra por procuração.
A decisão soviética representou um processo de descolonização tardia, pelo qual Moscou buscava expandir sua versão do socialismo islâmico, reconhecendo as estruturas religiosas locais e evitando interferência direta em instituições políticas afegãs.
A intervenção soviética foi resultado direto da política de détente, consolidando uma aproximação estratégica entre EUA e URSS, que atuaram de modo cooperativo para estabilizar o Afeganistão e impedir que a China adquirisse influência decisiva no Oriente Médio.
A guerra caracterizou um movimento de defesa do Afeganistão contra a expansão norte-americana, visto que os Estados Unidos haviam invadido Cabul em 1978, e a URSS atuou apenas como força mediadora, em operação apoiada pela ONU.
“Foi na Alemanha [...] que a teoria da história conheceu enorme desenvolvimento. Ou seja, aqueles estudiosos vinculados a uma matriz disciplinar, o historicismo, foram responsáveis por responder a perguntas difíceis como: o que é a história? Qual é o fundamento do método histórico? Qual a relação entre o passado e o presente? Como devem ser escritas as histórias? A história pode ser uma ciência?”
No fragmento acima, o autor refere-se à tendência historicista alemã na historiografia. Marque a alternativa CORRETA que define em conjunto os principais sentidos comumente atribuídos ao pensamento historicista.
BENTIVOGLIO, Julio, MERLO, Patrícia. Teoria e metodologia da história. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, 2014. p.6.
Análise com foco na compreensão da sincronia e da diacronia históricas, buscando abarcar a universalidade.
Busca pela objetividade assentada em rigorosa crítica documental e neutralidade do pesquisador.
Busca por desvendar o espírito humano sob todas as suas dimensões, tentando abarcar com isso a noção de universalidade histórica.
Entendimento de que cada história é singular, e que cabe ao historiador compreender os nexos que uniriam os fenômenos históricos.
Ênfase na integração de conhecimentos de diversas áreas para a produção da história, bem como tentativa de compreender os grupos historicamente marginalizados.
Leia com atenção o trecho a seguir, que se refere a uma corrente historiográfica do século XX:
“Não há história econômica e social. Há história simplesmente, em sua Unidade. Os homens, únicos objetos da história [...] sempre apreendidos no quadro das sociedades [...] numa época bem determinada [...] - dotados de funções múltiplas, de atividades diversas, de preocupações e de aptidões variadas, que se misturam todas, se chocam, se contrariam e acabam por concluir entre si uma paz de compromisso, um modus vivendi que se chama Vida”.
Citado em TÉTART, Philippe. Pequena História dos historiadores. Bauru, SP: EDUSC, 2000. p.111.
A tendência historiográfica representada no fragmento acima é:
O historicismo.
O humanismo.
A renovação da historiografia marxista.
O existencialismo.
A escola dos Annales.
A Escola dos Annales surge na década de 1930, com a revista francesa Organizada por Marc Bloch e Lucien Febvre, os quais fundam a importante escola historiográfica responsável. Este movimento pensou o conhecimento histórico de modo a:
questionar e transformar o método positivista na historiografia, de modo a instituírem novos métodos empíricos de observação das fontes e de ampliação do leque para tal análise documental.
instituir o positivismo científico como principal ferramenta de análise e desenvolvimento do conhecimento histórico, fundamentando o que veio a ser o conceito de verdade.
apresentar o relativismo histórico como principal corolário do conhecimento sobre o passado, de modo que a ideia de verdade universal fica de lado, e o conhecimento é sempre visto como limitado e sempre pessoal.
reduzir e enfatizar o estudo da História exclusivamente aos grandes feitos políticos e militares, reafirmando a centralidade dos heróis nacionais na construção do conhecimento histórico.
restringir a pesquisa histórica ao uso de documentos oficiais do Estado, desconsiderando elementos sociais, culturais, econômicos e mentais das sociedades do passado.
Leia com atenção o texto a seguir:
Sem dúvidas, entre as maiores contribuições para a historiografia brasileira se destaca a obra de Sérgio Buarque de Holanda, intitulada _______________, sobre o qual Antônio Cândido escreve, no prefácio, que se trata de um livro curto, discreto, de poucas citações. Seu respaldo teórico foi a história social dos franceses e a sociologia da cultura alemã.
O texto é construído sobre uma metodologia dos contrários e os critérios tipológicos de Max Weber. Contudo, seu êxito de qualidade foi imediato e ele se tornou um clássico da nossa nascença.
Entre os capítulos mais relevantes, se pode destacar:
_____________________________,
Fronteiras da Europa,
Nossa Revolução,
O Homem Cordial,
Trabalho e Aventura.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
Visão do Paraíso • Colônia, Culto e Cultura
Evolução Política do Brasil • Dialética da Colonização
Formação do Brasil Contemporâneo • Experiência e Fantasia
História Econômica do Brasil • Mitos Fundadores do Brasil
Raízes do Brasil • O Semeador e o Ladrilhador
O campo historiográfico que investiga as formas de representação, práticas simbólicas e sistemas de significados produzidos por grupos sociais em diferentes contextos históricos, analisando como constroem sentidos sobre o mundo, deve ser conceituado como:
História da Cultura
História Política
Micro-história
História Oral
Observe o enunciado abaixo e assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna:
O conhecimento histórico não se limita a apresentar o fato no tempo e no espaço acompanhado de uma série de documentos que comprovam sua existência. É preciso ligar o fato a temas e aos sujeitos que o produziram para buscar uma explicação. E para explicar e interpretar os fatos, é preciso uma análise, que deve obedecer a determinados princípios. Nesse procedimento, são utilizados __________ que organizam os fatos, tornando-os inteligíveis.
oráculos
exames
detalhes
eventos
conceitos
São atribuições dos historiadores de acordo com a Lei nº 14.038/2020, que regulamenta a profissão de historiador.
1. Organização de informações para publicações, exposições e eventos sobre temas de História.
2. Planejamento e implantação de cursos superiores de história e linhas de pesquisa em programas de pós-graduação.
3. Assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica.
4. Assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos para fins de preservação.
5. Elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3.
São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4.
São corretas apenas as afirmativas 1, 2, 3 e 4.
São corretas apenas as afirmativas 1, 3, 4 e 5.
São corretas as afirmativas 1, 2, 3, 4 e 5.
No livro Manual de História Oral, o autor (MEIHY, J. C. S. B.), trata de uma forma de proceder ou técnica historiográfica na qual o sujeito primordial é o depoente e a questão da verdade depende exclusivamente de quem dá o depoimento.
Esse tipo de História Oral também é denominado pelo autor, como:
História Oral de Vida.
História Oral e Verdade.
História Oral Testemunha.
Estratégia Oral em Rede.
Transcriação Oral Livre.
Em uma aula sobre como a Historiografia muda ao longo do tempo, o professor comenta que “quem escreve a história também é parte da história”. Assinale a afirmativa que apresenta uma leitura CORRETA dessa ideia.
O conhecimento histórico é marcado por historicidade, porque problemas, fontes e narrativas variam conforme o contexto e os sujeitos que pesquisam.
O trabalho do historiador segue técnica fixa e a época em que ele vive interfere de modo marginal nas perguntas escolhidas.
A Ciência Histórica alcançou ponto em que interpretações mantêm-se idênticas entre gerações, pois os documentos já foram totalmente explorados.
Fontes antigas determinam sozinhas o recorte da pesquisa e dispensam reflexão sobre a posição de quem escreve.
A formação do historiador define integralmente a leitura, o que impede qualquer esforço de crítica dos próprios pressupostos.
"A praia estava deserta. Não havia ninguém ao longo da enseada nem das densas matas que a cercavam. A areia, porém, se encontrava repleta de pegadas, num sinal claro de que a terra era habitada. Tal evidência não impediu que os marujos recém-desembarcados gravassem seus nomes e os de seus navios nas árvores e nas rochas costeiras e, a seguir, imprimissem o dia, o mês e o ano de seu desembarque, tomando posse daquele território em nome da Coroa de Castela […] Ironicamente, o mau tempo acabaria permitindo a Pinzón realizar uma das mais rápidas travessias entre Cabo Verde e o Brasil. Suas caravelas gastaram apenas 13 dias para cobrir uma distância de 1.400 milhas náuticas (ou cerca de 2.390 quilômetros) – trajeto que custaria cerca de um mês de viagem a todas as expedições subsequentes [...]" (Bueno, 2016, p. 11-15).
É correto afirmar que Bueno (2016)
demonstra que, sob a ótica dos portugueses, não havia diferenças entre os degredados e os traficantes, ambos eram vistos como a nobreza da terra.
evidencia que a quarta viagem à América, descrita na “Lettera”, confirma o fato de que Américo Vespúcio teria sido o primeiro europeu a percorrer vastas extensões da América Central e América do Norte.
corrobora a tese de que Pinzón conseguiu manter relação pacífica com os Potiguar, exatamente como os portugueses, na Bahia, com os Tupiniquim.
revisita a historiografia dos “descobrimentos” para evidenciar que os espanhóis chegaram à América antes mesmo dos portugueses, atribuindo aos espanhóis o pioneirismo da “descoberta”.
reitera, por meio do documento “Mundus Novus”, escrito por Vespúcio em 1504, que a quarta parte do mundo acabou sendo batizada com o nome do homem que foi o seu descobridor.
As fontes orais são consideradas, em sua totalidade, menos confiáveis do que as fontes escritas, uma vez que a memória é suscetível a distorções e influências temporais, o que as impede de serem utilizadas como base para a construção do conhecimento histórico escolar.
Certo
Errado
Igreja cobra taxa na região onde bispo Sardinha foi devorado
Ari Cipola da Agência Folha, em Coruripe
A Igreja Católica recebe taxas dos moradores do pequeno município de Coruripe, em Alagoas. O local foi terra dos índios caetés, lembrados por terem promovido o mais conhecido “banquete antropofágico” do país. Segundo o pároco local, Pedro Silva, atualmente o valor arrecadado com os “impostos territoriais” é de cerca de R$ 1,2 mil por ano. Em 16 de junho de 1556, os caetés devoraram o primeiro bispo do Brasil, dom Pedro Fernandes de Sardinha, e 90 tripulantes que naufragaram com ele na região.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/report_1.htm. Acesso em: 8 fev. 2026.
O episódio do naufrágio e morte do bispo dom Pedro Fernandes de Sardinha (1556), nas terras dos caetés, foi amplamente registrado pelos cronistas coloniais e permanece como uma narrativa marcante.
A partir do fragmento jornalístico e à luz da historiografia crítica sobre o século XVI, é correto afirmar que
os caetés foram os únicos povos indígenas do Brasil Colonial a praticar antropofagia ritual, o que explica a violência específica da represália portuguesa.
a acusação de antropofagia contra os caetés foi um acontecimento isolado, sem relação com os interesses econômicos e políticos portugueses na região.
o episódio serviu como justificativa moral e legal para a guerra de extermínio e de escravização dos caetés, inserindo-se na estratégia colonial de dominação territorial.
o naufrágio de Sardinha representou o ápice de uma guerra prolongada, iniciada pelos caetés contra a presença portuguesa, motivada por disputas religiosas.
a Igreja Católica utilizou o fato exclusivamente para fins de evangelização pacífica, resultando na integração harmoniosa dos caetés à sociedade colonial.
Peter Burke, em suas reflexões sobre a historiografia, aponta para a emergência de novas abordagens que buscam compreender o passado a partir de perspectivas menos grandiosas e mais focadas nas experiências individuais e coletivas. A micro-história, por exemplo, representa um esforço de reduzir a escala de observação para captar nuances e complexidades que poderiam ser perdidas em análises macro-históricas. Contudo, essa redução de escala não implica o abandono da totalidade ou da contextualização.
Sobre as tendências da historiografia contemporânea, especialmente a micro-história, é correto afirmar que:
A micro-história se dedica exclusivamente ao estudo de biografias de grandes personalidades, ignorando o contexto social mais amplo.
A redução da escala de análise na micro-história significa que ela não se preocupa com as estruturas sociais ou econômicas.
A micro-história é uma abordagem que busca substituir completamente a macro-história, invalidando as análises de longa duração.
O principal objetivo da micro-história é provar que os eventos históricos são determinados apenas por ações individuais, sem influência de forças coletivas.
A micro-história, ao reduzir a escala de observação, busca revelar as complexidades das experiências humanas e as interações entre o individual e o coletivo.