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Os debates sobre o estatuto da história na Renascença compreendiam o estudo do passado como um repositório de máximas políticas e morais.
Certo
Errado
No atual estágio de desenvolvimento da ciência histórica, decorrente do trabalho iniciado com a Escola dos Anais francesa, passando pela influência do marxismo e chegando à atualidade, observa‑se hoje um retorno a uma concepção positivista da história, muito influente no século XIX e que se fundamenta no apego aos documentos oficiais escritos, relegando a segundo plano os diversos e diversificados tipos de fontes históricas.
Certo
Errado
A memória histórica brasileira é profundamente devedora das projeções construídas a partir do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Constituída com o duplo propósito de identificar o Brasil e de unificá-lo, ela foi engendrada a partir de um eixo: os interesses das elites, reunidas no Centro-Sul do país. Desde a contribuição decisiva de Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre, ela conheceu algumas inflexões e diversos alargamentos – tem sido criticada e redimensionada, à medida que a pesquisa documental se expande e que a reflexão teórica se aprofunda em complexidade. Não obstante, o signo que a originou, a preocupação com a Nacionalidade, permanece latente em um dos veículos de maior impacto na reprodução da memória histórica: o Livro Didático.
COELHO, Mauro César; COELHO, Wilma Baía. “A diversidade na História Ensinada nos livros didáticos: mudanças e permanências nas narrativas sobre a formação da nação”. Revista História e Diversidade. Vol. 6, nº 1 (2015)
A partir do texto, compreende-se que a memória histórica brasileira foi moldada por interesses específicos e que sua difusão, especialmente por meio do livro didático, expressa um projeto de nação que a memória histórica brasileira
expressa uma ruptura definitiva com os valores das classes dominantes, consolidando uma perspectiva plural e descentralizada da história nacional.
traduz a influência duradoura das elites do Centro-Sul, que buscaram definir o sentido da identidade nacional a partir de sua própria visão de mundo.
demonstra neutralidade política e equilíbrio regional, evitando a predominância de qualquer grupo social na construção do passado coletivo.
revela o predomínio de pesquisas documentais recentes sobre antigas interpretações teóricas, o que eliminou os vínculos com o ideal de nacionalidade.
indica a inexistência de projetos de unificação simbólica do país, privilegiando a diversidade regional como eixo central da narrativa nacional.
O gênero autobiográfico pode assumir caráter documental importante para o estudo do passado. Seu emprego como fonte pode ser associado à seguinte vertente historiográfica em acordo com a respectiva justificativa:
Micro-História – compreensão da complexidade dos contextos a partir de particularidades
Positivismo – veracidade dos relatos atestada pela publicação escrita
História Oral – manutenção das estruturas ancestrais de transmissão do conhecimento
Materialismo Histórico – percepção das estruturas socioeconômicas dos Estados
Diferentemente do afirmado pela historiografia tradicional, os três séculos de colonização do Brasil praticamente desconheceram movimentos de contestação à ordem escravista, o que ajuda a entender que a abolição do trabalho escravo tenha acontecido apenas em fins do regime monárquico.
Certo
Errado
“Não resta dúvida de que, ao menos aparentemente, os críticos das mentalidades triunfaram, pois é raríssimo hoje em dia algum historiador francês admitir ser um ‘historiador das mentalidades’, sem falar nos que se refugiaram em outros campos (história da cultura, da vida privada etc.) ou conceitos (cultura popular, imaginário etc.), reconhecendo a ambiguidade ou fragilidade teórica das mentalidades” (Vainfas, 1997). A respeito da História das Mentalidades, analise as assertivas abaixo:
I. Tem como objeto de estudo os comportamentos, as crenças, os valores, os sentimentos e os medos que caracterizam determinada sociedade em uma época específica.
II. As mentalidades estão associadas às atividades inconscientes, aos elementos culturais e de pensamento que fazem parte do cotidiano sem que os indivíduos os percebam.
III. A mentalidade é considerada uma estrutura de longa duração e, portanto, muda mais lentamente do que os acontecimentos políticos e sociais.
Quais estão corretas?
Apenas I e II.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
I, II e III.
A História Serial e a História Quantitativa são abordagens historiográficas que surgiram no contexto do movimento dos Annales e ganharam destaque na historiografia europeia, especialmente entre os séculos XX e XXI. Ambas abordagens frequentemente se complementam, permitindo aos historiadores estudar processos históricos com maior precisão e em diferentes escalas, especialmente em áreas como História Econômica, demografia e estudos sociais. Qual alternativa melhor descreve a relação entre a História Quantitativa, a História Serial e a contribuição de Ernest Labrousse, no contexto do movimento dos Annales?
A Escola dos Annales utilizou a História Quantitativa e a História Serial apenas em estudos literários, sem aplicá-las à Nova História Política.
Ernest Labrousse rejeitou tanto a História Quantitativa quanto a História Serial, optando por métodos tradicionais da historiografia clássica.
A História Quantitativa e a História Serial surgiram como abordagens distintas, sem relação entre si, e foram rejeitadas pela Escola dos Annales.
A História Serial, proposta por Ernest Labrousse, ignorava a importância da História Econômica e se concentrava nos aspectos culturais da sociedade.
A História Quantitativa e a História Serial se desenvolveram juntas no movimento dos Annales e contribuíram para a integração de métodos estatísticos à análise histórica, com destaque para a influência de Ernest Labrousse, que conectou essas abordagens à História Econômica.
As fotografias capturam momentos, pessoas e lugares de forma precisa, permitindo-nos reconstruir o passado e entender como a sociedade evoluiu ao longo do tempo.

Foto: Ensinar História
A foto acima foi capturada em 1968 e evidencia o medo e o sofrimento causados pelo massacre de MỹLai, ocorrido durante:
Os horrores da Guerra do Vietnã.
O lançamento da bomba na cidade de Hiroshima, no Japão.
A invasão e a anexação do Kuwait pelo Iraque, dando início à Guerra do Golfo.
A incursão soviética ao Afeganistão, para impedir que o governo comunista afegão se espalhasse pelo oriente.
São predicativos que caracterizam a narrativa construída pelos historiadores, exceto:
provisória
atemporal
parcial
limitada
em construção
Conforme a historiografia contemporânea sobre a formação do Estado republicano no Brasil, a transição da monarquia para a república, em 1889, pode ser compreendida apenas como um golpe militar sem bases sociais amplas, que, ao manter a estrutura agrária e as relações de poder oligárquico, representou uma mera alteração de fachada, sem qualquer ruptura significativa com o passado imperial no que tange à exclusão política e social.
Certo
Errado
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 1948 durante uma Assembleia Geral da ONU, foi elaborada em um contexto de reconstrução política e humanitária após as duas guerras mundiais, o Holocausto e a experiência dos regimes totalitários europeus. Mais do que um documento jurídico, a Declaração Universal dos Direitos Humanos representou um marco na tentativa de redefinir o estatuto do humano e da cidadania frente às barbáries do século XX.
Considerando esse contexto e o debate historiográfico pertinente sobre o tema, constata-se que:
a Declaração de 1948 expressou a consolidação do relativismo cultural, subordinando os direitos humanos à soberania absoluta dos Estados nacionais.
a Declaração Universal retomou os princípios nacionalistas e eugênicos anteriores à Segunda Guerra Mundial, legitimando a separação racial como forma de proteção cultural.
o documento de 1948 afirmou a noção de dignidade humana como fundamento universal do direito, propondo limites ético-jurídicos à ação dos Estados.
o pós-guerra consagrou a primazia do Estado sobre o indivíduo, reforçando a centralidade das políticas autoritárias na reconstrução da ordem internacional.
A partir da segunda metade do século XX, correntes como a História Oral e a História do Cotidiano ampliaram as possibilidades das análises historiográficas e suas fontes ao incorporar sujeitos antes marginalizados e dimensões subjetivas da experiência social. Tais abordagens, no entanto, trouxeram novos desafios metodológicos e epistemológicos quanto à natureza da memória, ao papel do historiador e à relação entre experiência individual e processos coletivos.
Considerando as discussões historiográficas contemporâneas sobre o uso da memória e das práticas cotidianas como fontes históricas, a alternativa correta é:
A História Oral, ao priorizar o testemunho, substitui a crítica documental tradicional pela valorização irrestrita da memória, que se torna critério de verdade histórica.
A História do Cotidiano investiga as dinâmicas sociais com base nas rotinas e ações do dia a dia, mas sem ignorar o papel, por vezes condicionante, das estruturas econômicas e políticas nas dinâmicas entre o micro e o macro.
A História Oral deve limitar-se a complementar fontes escritas, pois a memória é essencialmente instável e, portanto, incapaz de revelar valores culturais ou representações coletivas.
O enfoque do cotidiano propõe a neutralização do historiador diante das experiências individuais, evitando interpretações que comprometam a objetividade da narrativa histórica.
Baseado em aspectos da historiografia contemporânea, analise as afirmativas a seguir sobre a relação entre o cristianismo e a produção do saber na Idade Média, levando em conta as formas de mediação exercidas pela Igreja, os espaços de difusão do conhecimento e os conflitos entre fé e razão no período, analise as afirmativas a seguir:
I.O saber na Idade Média foi fortemente mediado pela Igreja, que controlava escolas monásticas e universidades, mas houve tensões entre a ortodoxia religiosa e correntes filosóficas, como o aristotelismo.
II.O cristianismo medieval proibiu completamente a difusão de qualquer saber, restringindo todo tipo de produção intelectual.
III.As universidades medievais foram fundadas com apoio da Igreja, mas nelas ocorreram debates teológicos e filosóficos, inclusive com influências de pensadores árabes e gregos.
IV.Toda produção intelectual no período medieval era exclusivamente laica e desvinculada da religião.
V.A Igreja medieval exerceu domínio absoluto e incontestável sobre o conhecimento, não havendo espaço para divergências ou interpretações distintas.
Quais das afirmações acima estão corretas?
I e III apenas.
II e IV apenas.
III e IV apenas.
II e V apenas.
I e V apenas.
A análise do trecho destacado, à luz das diferentes correntes historiográficas, leva a sua associação à determinada vertente, em acordo com a seguinte justificativa:
Materialismo Histórico – foco da análise nas relações de classe
História Cultural – pautada pelas determinações econômicas
Mentalidades – privilégio da ideologia sobre a dinâmica sociopolítica
Positivismo – relação com personagens centrais da política
“Como bem ressalta Reyna Pastor, ao separar a história da mulher da história do homem, se termina por impossibilitar a compreensão do verdadeiro grande tema, que é a sociedade, ou o corpo social. Talvez seja este o momento de redirecionar o enfoque que se vem dando aos estudos feministas. Mais do que se preocupar em fazer História da Mulher, pensamos que seria mais produtivo e enriquecedor estudar o papel da mulher na História.”
Fonte: NASCIMENTO, Maria Filomena Dias. Ser mulher na Idade Média. 1997, p.84. Disponível em file:///D:/Downloads/admin,+5%20(1).pdf, acesso em 20.09.2024
Sobre o papel da mulher, a historiografia tem mostrado que:
no mundo romano, à família da mãe competia a identidade dos filhos e os vínculos de herança, assim como nome, culto e residência.
na democracia ateniense, as mulheres integravam o espaço das decisões políticas, além de exercitar- se na vida pública através das festas religiosas e peças teatrais.
parte da produção acadêmica moderna sobre Esparta afirma que as mulheres se dedicavam à prática de exercícios físicos ao lado dos homens, estimulando, por intermédio de diálogos, a coragem masculina, mas eram proibidas de debater a vida política da cidade.
a Igreja Medieval foi profundamente influenciada pela imagem negativa que a tradição judaico-cristã associou à figura de Eva, acreditando que, através dela, o pecado teria ingressado no mundo, trazendo consigo toda a desordem observada na criação.
embora trabalhando ao lado dos homens nos campos e nas guildas, em geral, as mulheres medievais da classe mais baixa tinham menor liberdade de expressão do que as da nobreza.
É fundamental que o historiador compreenda as interconexões entre diferentes enfoques e métodos no exercício historiográfico. Diante disso, assinalar a alternativa INCORRETA.
A hiperespecialização do conhecimento histórico, embora necessária em determinados contextos, pode gerar isolamento disciplinar e limitar a amplitude das interpretações históricas.
O conceito de “dimensões” refere-se às perspectivas metodológicas adotadas pelo historiador, como a história oral e a história quantitativa.
A interdisciplinaridade deve ser vista como um caminho para superar os limites da fragmentação disciplinar e promover uma abordagem mais integrada do conhecimento histórico.
As especializações na historiografia contemporânea são inevitáveis, mas o historiador deve evitar confinar-se a um único campo, buscando dialogar com outras áreas.
Ciro Flamarion Cardoso foi um dos críticos mais ferozes do campo historiográfico da história das mentalidades, segundo o autor, "os historiadores das mentalidades se dedicavam ao estudo do periférico, de iluminar fantasmas e, sobretudo, de negar as totalidades sintéticas da história, renunciando a posturas explicativas e propagandeando uma história "reacionária" desprovida de contradições."
(VAIFAS, Ronaldo. A História das Mentalidades e História Cultural. In: CARDOSO, Ciro F.; VAINFAS, Ronaldo (orgs.). Dominios da História: Ensaios de Teoria e Metodologia. 5ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. р. 128).
A partir da crítica de Ciro Flamarion Cardoso, assinale a opção que apresenta corretamente uma superação em relação às criticas que o campo do saber das mentalidades recebeu.
Buscou-se uma coerência fictícia e estável de sentimentos e ideias numa dada sociedade em prejuízo da pluralidade de sistemas de crenças e racionalidade que coexistem no interior de uma mesma cultura, comunidade ou indivíduo.
Os historiadores das mentalidades, com o triunfo das críticas, se refugiaram em outros campos do saber histórico como história da cultura e da vida privada e, ainda, vincularam suas pesquisas a outros pressupostos conceituais como cultura popular eo imaginário.
As pesquisas no campo das mentalidades, assim como o próprio conceito de mentalidades, ganharam espaço definitivo nos centros de produção historiográfica de vários países.
A penetração da História das Mentalidades na historiografia de países do continente americano promoveu esse campo do conhecimento histórico com adesão de expoentes historiadores dos principais centros acadêmicos americanos.
A história das mentalidades tornou-se mais aberta possível à investigação dos fenômenos humanos no tempo, sem excluir dimensão individual e mesmo irracional dos comportamentos sociais, resgatando os padrões menos cambiantes da vida cotidiana, mormente o universo de crenças ligadas ao nascimento, à morte, aos ritos de passagem, ao corpo, aos espaços e ao tempо.
Considere o excerto a seguir.
“A história chegou tarde a praticamente todos os outros encontros entre o homem e a vida selvagem. Quando Colombo fez a primeira vistoria da costa antilhana, mais de dez mil anos de ocupação humana já a haviam transformado de maneira incomensurável, até para os mais dedicados esforços arqueológicos. [...] Por isso os europeus em seu Novo Mundo encontraram uma natureza mais pura que a dos outros pontos dos trópicos e, assim, uma parte muito maior do processo de degradação ocorreu em uma era de registros escritos.”
(DEAN, Warren. A ferro e fogo: a história da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo, Companhia das Letras, 1996, p.23)
A partir das informações do excerto, é correto afirmar que
a história ambiental, como campo de estudo, independe do estágio em que se encontra determinada cultura, no que tange à problemática da degradação da paisagem e do meio ambiente originário.
a história ambiental, como campo da historiografia, só é passível de ser estudada a partir dos vestígios e registros legados pela cultura, independentemente do que se configure como paisagem natural.
o estudo da degradação da natureza, no Novo Mundo, só foi possível porque as culturas que o habitavam antes dos europeus adotavam a escrita para registrar as transformações do meio.
o historiador, ao escolher a história ambiental como campo de estudo, deve atentar para a necessidade de separar os registros relacionados à natureza daqueles que são relacionados à cultura.
No âmbito da Crítica das Fontes, etapa fundamental da metodologia histórica, assinale a tarefa técnica essencial do historiador ao analisar um documento ou vestígio do passado para a construção do conhecimento.
Realizar a leitura do conteúdo da fonte sem considerar as circunstâncias de sua criação.
A principal tarefa é adaptar a fonte para que se ajuste a hipóteses de pesquisa iniciais.
Aceitar o conteúdo da fonte como um relato objetivo e neutro dos fatos ocorridos.
Avaliar o contexto de produção da fonte, identificar seu(s) autor(es) ou agente(s) e analisar seus vieses para compreender sua perspectiva.
Assinale a proposição que descreve os procedimentos adequados de crítica e interpretação de fontes no ofício do historiador.
Atribuir neutralidade documental e integrar trechos literais ao texto final como demonstração de objetividade.
Priorizar volume de citações e mapear repetições textuais como critério de verdade histórica no relatório.
Examinar autoria e circulação, cruzar versões, identificar lacunas e construir explicação situada no tempo e no problema.
Tratar documentos oficiais como relato integral dos fatos e reservar a crítica para memórias de época.
Classificar fontes por gênero e produzir síntese cronológica direta como prova da sequência.