Questões de Concurso sobre Historiografia

 
 
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“Desde a segunda metade do século XX, a ciência histórica tem alargado seus domínios abrindo a possibilidade de se trabalhar com uma grande variedade de fontes e objetos.

Dentro desse campo aberto aos historiadores e pesquisadores, as obras literárias ocupam um lugar importante nas pesquisas históricas enquanto objeto de construção do conhecimento histórico. No entanto, o interesse dos historiadores pelos textos literários não é um fenômeno recente nos estudos históricos. Em se tratando da história da antiguidade – marcada pela escassez documental se comparada à abundância das épocas recentes – os textos literários antigos são, desde há muito tempo, um objeto privilegiado de pesquisa tendo em vista que, fora do campo da arqueologia, a maioria dos estudos de História Antiga são estudos de textos, estudos de representações.

Se o interesse dos historiadores pelos textos literários não é algo novo, entretanto, o que assistimos mudar desde a segunda metade do século XX – devido a uma renovação nos estudos literários que veio influenciar os estudos históricos – é essa relação entre os historiadores e os textos literários.”


SOUSA, P. Ângelo de M. O estudo da história antiga a partir de textos literários: uma proposta teórico-metodológica. Boletim de Estudos Clássicos, [S. l.], n. 60, p. 45-56, 2015. DOI: 10.14195/2183-7260_60_4. Disponível em: https:// impactum-journals.uc.pt/bec/article/view/60_4. Acesso em: 8 fev. 2026.


Com base no texto, analise as assertivas a seguir acerca das transformações epistemológicas da ciência histórica e da relação entre historiografia e literatura, assinalando V (verdadeiro) ou F (falso):


( ) A ampliação dos domínios da ciência histórica, a partir da segunda metade do século XX, implicou o reconhecimento das obras literárias como objetos legítimos na construção do conhecimento histórico.

( ) O texto sustenta que o interesse historiográfico por textos literários surgiu com a renovação teórica ocorrida na segunda metade do século XX.

( ) Na História Antiga, os textos literários assumem papel privilegiado, em parte devido à escassez de documentação quando comparada às épocas mais recentes.

( ) A mudança ocorrida na segunda metade do século XX refere-se menos à existência do interesse pelos textos literários e mais à forma como os historiadores passaram a se relacionar com eles.

( ) O texto afirma que, na História Antiga, a maioria das pesquisas concentra-se em evidências materiais, descartando estudos de representações textuais.


Assinale a alternativa que corresponde a sequência CORRETA.


A

V, F, F, V, F.


B

V, F, V, V, F.


C

F, V, V, F, V.


D

F, V, F, F, V.


E

V, V, F, F, F.

Essa perspectiva não tem nada a ver com história local. Os historiadores que trabalham segundo essa abordagem se debruçam, reduzindo a escala, sobre problemas muito gerais. Contudo, são frequentemente acusados de desvalorizar outras abordagens, mas a questão é outra. Por vezes nos deparamos com problemas que não conseguimos explicar; por isso, buscamos mudar a escala para verificar se nos confrontamos com outras realidades e com questões diferentes. Na verdade, pretendemos exatamente a generalização.


Adaptado de LEVI, Giovanni. O pequeno, o grande e o pequeno, Revista Brasileira de História, v. 37, nº 74, 2017, pp. 169-170.


Com base na leitura do trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a abordagem historiográfica descrita.


A

História comparada.


B

História conectada.


C

História global.


D

História transnacional.


E

Micro-história.

O estudo histórico busca aproximar os estudantes de sua própria realidade, utilizando referências do cotidiano e da vida local para estabelecer conexões entre diferentes tempos. Considerando essa perspectiva, assinale a alternativa correta.


A

O estudo do local deve restringir-se às ações de líderes políticos, pois somente elas permitem compreender transformações sociais duradouras.


B

A análise da vida cotidiana impede a compreensão de processos históricos amplos, já que foca apenas em experiências individuais.


C

A investigação histórica deve evitar a relação entre práticas atuais e experiências antigas, pois isso compromete a objetividade da análise.


D

Para efetivar o estudo do local, a proposta fundamenta-se na história do cotidiano e apropria-se de seus métodos, com o objetivo de inserir as ações de pessoas comuns - homens, mulheres, crianças e velhos - na constituição histórica, e não exclusivamente as ações de políticos e das elites sociais.


E

A história do cotidiano trata exclusivamente de elites e grupos socialmente privilegiados, sem incorporar experiências diversas.

A partir da historiografia marxista, é precondição essencial para a explicação do processo histórico conceituado como Revolução Industrial:


A

estabelecimento da classe burguesa


B

demanda interna de mercado


C

superação dos enclosures


D

acumulação de capital

A História é uma ciência que se ocupa da análise das ações humanas no tempo, sendo construída a partir da interpretação crítica de fontes históricas, as quais podem assumir diferentes naturezas, como documentos escritos, vestígios materiais e relatos orais.


Com base nessa concepção, assinale a alternativa correta:


A

O trabalho do historiador consiste em narrar os fatos históricos exatamente como ocorreram, sem a necessidade de interpretação das fontes.


B

As fontes históricas confiáveis são apenas aquelas de natureza escrita, pois garantem maior objetividade na reconstrução do passado.


C

O historiador interpreta criticamente diferentes tipos de fontes para construir explicações sobre o passado, reconhecendo que seu trabalho envolve análise e problematização.


D

A História tem como principal finalidade prever acontecimentos futuros com base em padrões identificados no passado.

São atribuições dos historiadores de acordo com a Lei nº 14.038/2020, que regulamenta a profissão de historiador.


1. Organização de informações para publicações, exposições e eventos sobre temas de História.

2. Planejamento e implantação de cursos superiores de história e linhas de pesquisa em programas de pós-graduação.

3. Assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica.

4. Assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos para fins de preservação.

5. Elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.


Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.


A

São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3.


B

São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4.


C

São corretas apenas as afirmativas 1, 2, 3 e 4.


D

São corretas apenas as afirmativas 1, 3, 4 e 5.


E

São corretas as afirmativas 1, 2, 3, 4 e 5.

No livro Manual de História Oral, o autor (MEIHY, J. C. S. B.), trata de uma forma de proceder ou técnica historiográfica na qual o sujeito primordial é o depoente e a questão da verdade depende exclusivamente de quem dá o depoimento.


Esse tipo de História Oral também é denominado pelo autor, como:


A

História Oral de Vida.


B

História Oral e Verdade.


C

História Oral Testemunha.


D

Estratégia Oral em Rede.


E

Transcriação Oral Livre.

Em uma aula sobre como a Historiografia muda ao longo do tempo, o professor comenta que “quem escreve a história também é parte da história”. Assinale a afirmativa que apresenta uma leitura CORRETA dessa ideia.


A

O conhecimento histórico é marcado por historicidade, porque problemas, fontes e narrativas variam conforme o contexto e os sujeitos que pesquisam.


B

O trabalho do historiador segue técnica fixa e a época em que ele vive interfere de modo marginal nas perguntas escolhidas.


C

A Ciência Histórica alcançou ponto em que interpretações mantêm-se idênticas entre gerações, pois os documentos já foram totalmente explorados.


D

Fontes antigas determinam sozinhas o recorte da pesquisa e dispensam reflexão sobre a posição de quem escreve.


E

A formação do historiador define integralmente a leitura, o que impede qualquer esforço de crítica dos próprios pressupostos.

"A praia estava deserta. Não havia ninguém ao longo da enseada nem das densas matas que a cercavam. A areia, porém, se encontrava repleta de pegadas, num sinal claro de que a terra era habitada. Tal evidência não impediu que os marujos recém-desembarcados gravassem seus nomes e os de seus navios nas árvores e nas rochas costeiras e, a seguir, imprimissem o dia, o mês e o ano de seu desembarque, tomando posse daquele território em nome da Coroa de Castela […] Ironicamente, o mau tempo acabaria permitindo a Pinzón realizar uma das mais rápidas travessias entre Cabo Verde e o Brasil. Suas caravelas gastaram apenas 13 dias para cobrir uma distância de 1.400 milhas náuticas (ou cerca de 2.390 quilômetros) – trajeto que custaria cerca de um mês de viagem a todas as expedições subsequentes [...]" (Bueno, 2016, p. 11-15).


É correto afirmar que Bueno (2016)


A

demonstra que, sob a ótica dos portugueses, não havia diferenças entre os degredados e os traficantes, ambos eram vistos como a nobreza da terra.


B

evidencia que a quarta viagem à América, descrita na “Lettera”, confirma o fato de que Américo Vespúcio teria sido o primeiro europeu a percorrer vastas extensões da América Central e América do Norte.


C

corrobora a tese de que Pinzón conseguiu manter relação pacífica com os Potiguar, exatamente como os portugueses, na Bahia, com os Tupiniquim.


D

revisita a historiografia dos “descobrimentos” para evidenciar que os espanhóis chegaram à América antes mesmo dos portugueses, atribuindo aos espanhóis o pioneirismo da “descoberta”.


E

reitera, por meio do documento “Mundus Novus”, escrito por Vespúcio em 1504, que a quarta parte do mundo acabou sendo batizada com o nome do homem que foi o seu descobridor.

As fontes orais são consideradas, em sua totalidade, menos confiáveis do que as fontes escritas, uma vez que a memória é suscetível a distorções e influências temporais, o que as impede de serem utilizadas como base para a construção do conhecimento histórico escolar.


C

Certo


E

Errado

Igreja cobra taxa na região onde bispo Sardinha foi devorado

Ari Cipola da Agência Folha, em Coruripe


A Igreja Católica recebe taxas dos moradores do pequeno município de Coruripe, em Alagoas. O local foi terra dos índios caetés, lembrados por terem promovido o mais conhecido “banquete antropofágico” do país. Segundo o pároco local, Pedro Silva, atualmente o valor arrecadado com os “impostos territoriais” é de cerca de R$ 1,2 mil por ano. Em 16 de junho de 1556, os caetés devoraram o primeiro bispo do Brasil, dom Pedro Fernandes de Sardinha, e 90 tripulantes que naufragaram com ele na região.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/report_1.htm. Acesso em: 8 fev. 2026.


O episódio do naufrágio e morte do bispo dom Pedro Fernandes de Sardinha (1556), nas terras dos caetés, foi amplamente registrado pelos cronistas coloniais e permanece como uma narrativa marcante.

A partir do fragmento jornalístico e à luz da historiografia crítica sobre o século XVI, é correto afirmar que


A

os caetés foram os únicos povos indígenas do Brasil Colonial a praticar antropofagia ritual, o que explica a violência específica da represália portuguesa.


B

a acusação de antropofagia contra os caetés foi um acontecimento isolado, sem relação com os interesses econômicos e políticos portugueses na região.


C

o episódio serviu como justificativa moral e legal para a guerra de extermínio e de escravização dos caetés, inserindo-se na estratégia colonial de dominação territorial.


D

o naufrágio de Sardinha representou o ápice de uma guerra prolongada, iniciada pelos caetés contra a presença portuguesa, motivada por disputas religiosas.


E

a Igreja Católica utilizou o fato exclusivamente para fins de evangelização pacífica, resultando na integração harmoniosa dos caetés à sociedade colonial.

Sobre os impérios da África Ocidental entre os séculos VIII e XVI (como Gana, Mali e Songai), a historiografia contemporânea destaca que a sua prosperidade e complexidade organizacional estavam diretamente ligadas:


A

Ao isolamento geográfico total que protegia essas sociedades de qualquer influência comercial ou religiosa do mundo islâmico.


B

À adoção de um sistema econômico puramente coletivista e agrário, que desconhecia a função do ouro ou do comércio de longa distância.


C

Ao controle estratégico das rotas comerciais transarianas, especialmente o intercâmbio de ouro da savana pelo sal das regiões desérticas.


D

À dependência tecnológica exclusiva das potências europeias, que já dominavam o interior do continente africano desde o século X.


E

À ausência de estruturas estatais organizadas, sendo estas sociedades formadas apenas por clãs nômades sem lideranças centralizadas.

No que diz respeito à historiografia e às fontes históricas, a chamada “Escola dos Annales”, fundada em 1929, promoveu uma revolução ao expandir o conceito de fonte. De acordo com essa perspectiva, pode-se afirmar que:


A

Restringem-se aos registros escritos produzidos por instituições estatais, sendo irrelevantes os vestígios materiais e culturais do cotidiano das sociedades.


B

Apenas documentos oficiais escritos (leis, tratados e editais) possuem validade científica para a reconstrução do passado.


C

A subjetividade do historiador deve ser totalmente eliminada para que a história seja uma ciência exata.


D

A história deve se preocupar apenas com a política institucional e os eventos militares de curta duração.


E

Tudo o que o homem diz, escreve ou fabrica pode e deve fornecer informações sobre ele, ampliando o rol de fontes para fotos, utensílios, tradições orais e paisagens.

O século XIX, também conhecido como “Era das Revoluções”, foi palco do que a historiografia costuma denominar como uma das primeiras experiências de governo operário da história: a Comuna de Paris (1871). A Comuna organizou-se de forma autônoma com membros da classe operária e membros radicais da Guarda Nacional. A fotografia a seguir retrata comunardos (revolucionários da Comuna) posicionados atrás de uma barricada e membros armados da Guarda Nacional. Essas barricadas eram erguidas nas ruas como forma de defesa urbana e resistência militar.


Imagem associada para resolução da questão


ANÔNIMO. Barricade, rue de Charonne, Paris – Commune de Paris. Fotografia em preto e branco, 18 mar. 1871. Acervo: Bibliothèque historique de la Ville de Paris / Museu Carnavalet. Disponível em: Wikimedia Commons. Acesso em: 04 fev. 2026.


Sobre a Comuna de Paris (1871), assinale a alternativa CORRETA:


A

Após a derrota da França na guerra FrancoPrussiana, o governo francês — liderado por Adolphe Thiers — recuou para Versalhes, deixando Paris isolada e sob forte tensão social, como podemos ver na imagem. A população, especialmente os operários e membros radicais da Guarda Nacional, resistiram formando um governo parlamentar eleito por voto indireto.


B

A Comuna de Paris foi um governo duradouro e sólido que tentou implementar ações de transformação social e política na vida dos operários. Na imagem, podemos observar os comunards comemorando seu segundo ano de governo.


C

Na imagem acima, observamos o registro de quando o governo francês, que havia recuado para Versalhes, reconheceu em 1872 a legitimidade da Comuna de Paris e incorporou todas as suas reformas populares ao seu plano de governo.


D

Na imagem, vemos uma barricada onde estão posicionados vários combatentes da Comuna — provavelmente membros da Guarda Nacional, militantes comunards.Acena simboliza a resistência dos trabalhadores e milícias populares contra as tropas governamentais enviadas para retomar a cidade.


E

Durante o período do governo da Comuna de Paris não houve incentivo à educação para a classe trabalhadora, pois a principal preocupação era a criação de novos postos de emprego. Na imagem podemos ver um protesto em favor da criação de mais escolas populares na França.

“O historiador debruçado sobre as imagens como documentos do passado é um personagem acadêmico de tradição recente. Nos últimos anos, apesar da proliferação relativa de pesquisas e objetos nessa área, não consiste em exagero afirmar que continuamos a tatear em busca de um corpus teórico-metodológico sólido para o uso das imagens como forma de conhecimento. (...) Nesse percurso, as relações da história e do cinema captam a atenção do pesquisador com intensidade, inaugurando as mais diferentes formas de abordagem para a efetivação, necessariamente interdisciplinar, dessa prática historiográfica.

(...)

O olhar que o cinema devolve (ao espectador) atinge status transformador em um sentido hermenêutico. Entende-se que a imagem tem um potencial de perturbação de certezas instituídas que, no entanto, está em latência, precisa ser ativado. Como em uma experiência de intercâmbio que atravessa os tempos, o olho do cinema a partir do passado surge inquirindo o historiador e torna-se capaz de transformar o presente. Inevitavelmente dinâmica, essa relação de olhares cruzados pressupõe uma ação investigativa sempre em movimento, em vias de tornar-se.


SILVA, Jaison Castro. A tessitura insuspeita: cosmopolitismo, cinema nacional e trajetórias do olhar em Walter Hugo Khouri e Luis Sérgio Person (1960-1968). 2014. 812f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Ceará, Programa de Pós-Graduação em História, Fortaleza (CE), 2014.


Para o autor, as relações da história e do cinema:


A

Confirmam com objetividade que o cinema apresenta uma narrativa perpétua sobre uma determinada época, sendo lugar prolífico para a escrita da história.


B

Como objeto de estudo só se tornam possível como parte de um processo geral de valorização em relação à visualidade no campo das humanidades, em que as imagens são compreendidas não mais como elemento a ser visto com desconfiança, senhor da ilusão e da incerteza, mas como um componente fundamental da existência humana.


C

Ao evidenciar a cinefilia, entendida como prática de adoração do cinema, não podem ser transformadas em um modus operandi lícito para o historiador, uma vez que a atividade emocional que o historiador deveria evitar, quando da assunção programática do filme como documento, distorce a produção da história.


D

À maneira da escola positivista de Auguste Comte, proporcionam ao historiador a objetividade necessária à produção historiográfica, uma vez que a imagem capturada em ritmo e sentido, legitima a história-cinema como objeto de estudo da história.


E

Consistem em uma relação interdisciplinar, porém com prevalência da história sobre os demais campos das humanidades, dado que o olhar do historiador se faz com um corpus teórico-metodológico sólido para o uso das imagens.

Embora seja uma urbanização recente, a região do Campos de São José tem uma longa história de ocupação humana. Assim como em outras áreas da região leste de São José dos Campos, foi encontrado um sítio arqueológico num topo de uma colina do recém-inaugurado loteamento Altos de São José, bairro vizinho. Segundo o arqueólogo responsável, as peças recolhidas naquele sítio indicam que ali habitavam indígenas pré-cabralinos, caçadores-coletores, do tronco linguístico tupi-guarani. Há mais de 500 anos, portanto, esses indígenas nomearam essas terras, suas árvores e frutos, bem como seus rios e peixes. Alguns desses nomes permanecem nos dias de hoje, embora não nos atentemos a isto.


https://ecomuseu.org.br/wp-content/uploads/2025/05/02-LIVRO_-ECOMUSEU-CSJENTRE-MEMORIAS-E-PERSPECTIVAS.pdf 29-30


Considerando o conceito de historicidade no tempo e no espaço, é correto afirmar que o texto


A

evidencia que o espaço atualmente urbanizado resulta de diferentes processos históricos de ocupação, cujos vestígios permanecem tanto em registros materiais quanto em elementos culturais, como a toponímia.


B

afirma que a compreensão da história local depende da identificação de vestígios arqueológicos sem os quais não seria possível reconstruir a sequência cronológica das ocupações humanas no território.


C

destaca que a urbanização recente da região constitui uma nova etapa de organização do espaço, que se sobrepõe às ocupações anteriores sem, necessariamente, manter vínculos com elas.


D

indica que os nomes atribuídos aos elementos naturais da região permitem reconstruir de forma objetiva a história da ocupação do território, pois, a análise filológica possibilita que nomes “falem por si mesmos”, revelando a verdade histórica sobre o passado.


E

demonstra que a urbanização da região afetou o passado histórico redefinindo a paisagem, ao substituir e apagar as marcas deixadas por grupos humanos que habitaram o território em períodos anteriores.

"Segundo um velho provérbio árabe "os homens se parecem mais com sua época do que com seus pais”. Ditos, pretensamente ingênuos, fazem mais do que simplesmente dispor sobre o óbvio, muitas vezes anunciam tendências ou expõe, de forma sintética sentimentos e expectativas... foi essa fórmula que Marc Bloch, o grande historiador medievalista francês sempre buscou, Bloch inaugurou uma nova concepção historiográfica". (SCHWARCZ, Lilia Moritz. Por uma historiografia de reflexão. Apresentação à edição brasileira. IN BLOCH, Marc Leopold Benjamin. Rio de Janeiro. Apologia da História ou o Ofício do Historiador. Rio de Janeiro. Jorge Zahar.Ed.,2001, p.7).


A nova concepção historiográfica inaugurada por Bloch:


A

é a da "história como problema" ou "interdisciplinar", não mais entendida como a “ciência do passado”, pois para ele "passado não é objeto de ciência", o importante é o estudo do presente para a compreensão do passado e vice-versa, ou seja, a história faria com que o passado retornasse, mas não intocado, puro.


B

se apoiava na verdade das fontes, principalmente as escritas, afirmando de que "os documentos são vestígios" de um passado que não pode ser modificado, pois foram escritos por testemunhas oculares dos fatos. Denominava a essa sua concepção de "imperialismo dos documentos".


C

é construída a partir de fatos de grande relevância para as nações em que ocorreram, dando primazia a grandes nomes e heróis, utilizando o método regressivo, destacava a importância da reconstituição do passado para o entendimento do presente e do futuro.


D

diz que “a história era filha de seu tempo”, entrando em discordância com Lucien Febvre, pois este defendia que a história era ciência do passado e problematizava o "fazer histórico”, visto que o historiador escrevia sobre acontecimentos que ele não vivenciou.

“O que fabrica o historiador quando ‘faz história’? Para quem trabalha? Que produz? Interrompendo sua deambulação erudita pelas salas dos arquivos, por um instante ele se desprende do estudo monumental que o classificará entre seus pares, e, saindo para a rua, ele se pergunta: O que é esta profissão? Eu me interrogo sobre a enigmática relação que mantenho com a sociedade presente e com a morte, através da mediação de atividades técnicas” (Certeau, 2007, p. 65).


Fonte: CERTEAU, Michel de. AEscrita da História. 2. ed. Tradução de Maria de Lourdes Meneses. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007,


Considerando o excerto, analise as proposições a seguir:


I- Segundo o historiador Michel de Certeau, é em função de um lugar que o historiador instaura os métodos, que desenha as linhas gerais de uma topografia de interesses, que os documentos e as questões que lhes serão propostas se organizam.

II- Pode-se afirmar, segundo a concepção de Certeau, que a operação historiográfica se refere à combinação de um lugar social, de “práticas científicas” e de uma escrita.

III- A prática de uma pesquisa científica em salas de arquivos, a catalogação de uma vasta reunião de documentos e uma escrita feita pelo historiador garante a autenticidade e a valorização do seu trabalho, sem necessariamente precisar de seus pares.


É CORRETO o que se afirma apenas em:


A

I.


B

II e III.


C

I e III.


D

I e II.


E

II.

A obra cujo excerto foi retirado não se presta a criticar qualquer vertente historiográfica. Todavia, a posição historiográfica apontada no trecho e que, segundo o autor, não alcança uma explicação plausível para a ocorrência do conflito pode ser associada ao seguinte termo:


A

Nova História


B

Materialismo


C

Historicismo


D

Positivismo

A atuação coletiva de grupos sociais organizados constitui elemento recorrente na dinâmica histórica das sociedades contemporâneas, assumindo configurações distintas conforme os contextos políticos, econômicos e culturais em que se desenvolve. As agendas de mobilização, as identidades construídas e as estratégias de ação evidenciam disputas por reconhecimento, ampliação de direitos e redefinição de espaços de participação pública. A produção historiográfica e sociológica ressalta que tais processos são historicamente situados e resultam de interações complexas entre sociedade civil, Estado e instituições. À luz dessa perspectiva analítica, assinale a alternativa CORRETA.


A

Processos históricos de ação coletiva que articulam identidades, projetos e estratégias em interação com estruturas institucionais e contextos sociopolíticos específicos.


B

Expressões coletivas definidas prioritariamente por impulsos conjunturais, cuja configuração independe das mediações institucionais e das disputas por legitimidade pública.


C

Dinâmicas sociais caracterizadas por regularidade estrutural e repetição de padrões organizativos que se reproduzem de modo semelhante em diferentes formações históricas.


D

Fenômenos sociopolíticos que se explicam pela centralidade exclusiva das lideranças formais, responsáveis por determinar objetivos e estratégias de mobilização.

   
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