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A produção histórica da América Latina começa com o desmantelamento de todo um mundo histórico, provavelmente a maior aniquilação sociocultural e demográfica da história que chegou ao nosso conhecimento [...] se trata, primeiro, da desintegração dos padrões de poder e de civilização de algumas das mais avançadas experiências históricas da espécie. Segundo, do extermínio físico, em pouco mais de três décadas, as primeiras do século XVI, de mais da metade da população dessas sociedades, cujo total imediatamente antes de sua destruição é estimado em mais de cem milhões de pessoas.
(Quijano, 2005 b, p. 16.)
Nesse contexto de conquista e colonização, as relações de poder entre colonizadores e colonizados consistiram:
Na eliminação deliberada dos entraves linguísticos e culturais, através da extinção de quaisquer vestígios de linguagens vernáculas.
Na continuada intervenção econômica europeia, que, apesar de manter intacta a organização de trabalho ameríndia, passou a explorá-la sazonalmente.
Acima de tudo, no reconhecimento das diferenças biológicas entre colonizadores e colonizados, justificando a superioridade de uns e a inferioridade dos demais.
Entre outros fatores, na destruição do mundo das populações originárias e, para os sobreviventes, a imposição de uma identidade racial dominante por parte dos europeus.