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Acerca dos inúmeros quilombos que se formaram por todo o território brasileiro desde o início da colonização portuguesa, pode-se considerar que:
“Os quilombos, quando cresciam por uma série de circunstâncias favoráveis, como, por exemplo, isolamento maior, melhor fertilidade do solo, possibilidade de recrutar novos membros para o grupo entre a população escrava, etc., tinham de se organizar de forma sistemática, criando uma estrutura para a comunidade. Não eram um conglomerado de negros ‘bárbaros’ (...)”.
(MOURA, Clóvis. Os quilombos e a rebelião negra. Editora Brasiliense. São Paulo, 1987. p. 34.)
Como características e práticas presentes na organização dos quilombos na América portuguesa e no Brasil Imperial, pode-se destacar que:
à medida que os quilombos cresciam, procurava-se organizarse internamente para poder pôr em funcionamento os grupos populacionais do reduto, isolando-se das comunidades vizinhas aos quilombos, constituindo formas de governo, religião, propriedade, família e, especialmente, a economia
a religião da República de Palmares era constituída por fortes valores religiosos africanos, que buscava afastar-se de um cristianismo fortemente sincretizado, evitando a construção de capelas católicas e da exposição de várias imagens, como as de Nossa Senhora da Conceição, do Menino Jesus e de São Brás
Palmares, considerado o maior exemplo de grande quilombo, constitui-se como uma Confederação deQuilombos,reunindo, pelo menos, vários mocambos e suas lideranças, como o de Zumbi, o de Tabocas, o de Osenga e o de Acotirene, caracterizado por um forte poder central que anulava a autonomia dos mocambos
sua economia propiciava uma produção de excedentes, contrastando com a perene miséria alimentar da população colonial das regiões litorâneas, prevalecendo o trabalho cooperativo e a solidariedade social que, após atender as necessidades básicas de sua população, trocavam os excedentes por produtos essenciais