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TEXTO I
Nesta sexta-feira (16), é comemorado o dia Estadual e Municipal do Marabaixo, regulamentados, respectivamente, pela Lei Estadual nº 1521/2010 e pela Lei Municipal nº 2475/2021, que destaca o Marabaixo como patrimônio cultural imaterial do Município de Macapá. O movimento também é patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2018.
Disponível em: macapa.ap.gov.br. Acesso em: 18 dez. 2025.
TEXTO II

Encontros de valorização cultural ocorreram dentro dos Ciclos do Marabaixo | Foto: IMPROIR
Disponível em: macapa.ap.gov.br. Acesso em: 18 dez. 2025.
No intuito de proteger as mais variadas manifestações culturais e artísticas de um povo, é comum a criação de políticas públicas preservacionistas com a finalidade de salvaguardar a cultura de uma sociedade. No intuito de proteger patrimônios de natureza imateriais, como a manifestação cultural citada nos textos, é comum a realização de ações de:
Tombamento.
Notificação.
Aquisição.
Registro.
Seleção.
Leia o texto a seguir.

Disponível em: https://letterboxd.com/film/the-red-light-bandit/ Acesso em: 14 nov. 2025.
O filme de Rogério Sganzerla (1968), intitulado O bandido da Luz Vermelha, narra a trajetória do anti-herói Jorginho, inspirado em um bandido real, combinando assaltos e fugas com comentários sensacionalistas de rádio que constroem seu mito. Misturando crítica social e senso de fracasso, o longa parodia o gênero policial enquanto dialoga com cinema novo, film noir e diretores como Godard e Welles. A obra usa colagem de linguagens e múltiplas referências culturais, inserindo-se no movimento
expressionista.
neorrealista.
tropicalista.
surrealista.
A ambiguidade do pensamento romântico caracterizou-se exatamente por combinar ora uma atitude, ora outra, numa busca desenfreada, talvez sem paralelo em outras épocas, para encontrar uma explicação global da realidade, uma explicação cósmica, combinando unidade e diversidade, continuidade e transformação. Daí o autêntico canteiro de projetos que foi o período 1815-1848: do nacionalismo ao comunismo, da tecnocracia industrialista à democracia igualitária − todos foram profundamente marcados por esse traço romântico, que via todas as coisas despidas de qualquer estabililidade e potencialmente colocadas, sem exceção, no limiar de uma nova época.
Elias Thomé Saliba Adaptado de As utopias românticas. São Paulo: Estação Liberdade, 2003.
De acordo com o texto, o Romantismo foi um movimento sociocultural que marcou a paisagem histórica europeia, sobretudo na primeira metade do século XIX, sendo associado a diversos projetos políticos de natureza utópica.
Nesse contexto, a dimensão utópica do comunismo se caracterizou, principalmente, pela seguinte proposta:
regulação da acumulação capitalista
controle da Bolsa de Valores
fim da sociedade de classes
criação das leis trabalhistas
Leia o trecho a seguir.
Testemunhas da execução de Carlos I afirmaram que, após a cabeça do rei ser cortada, a multidão que assistia emitiu um longo e profundo gemido coletivo. Nesse momento sem palavras, podemos começar a imaginar as consequências culturais do regicídio. Quase todos os escritores sobre casamento e família do século anterior haviam traçado a equação habitual entre o domínio do pai sobre sua família e o domínio do rei sobre seus súditos. Cada um refletia o outro, e cada um funcionava para sustentar a autoridade do outro. Para nós, a metáfora é apenas uma comparação, mas no período moderno inicial, as semelhanças ainda falavam de alguma identidade comum ou compartilhada. Dizer que a família era como o Estado e vice-versa implicava um tipo de conexão entre os dois que não conseguimos mais imaginar plenamente. Executar o rei implicava um desafio à autoridade dos pais em todo o país.
Adaptado de: FISSELL, Mary. Vernacular Bodies: The politics of reproduction in early modern England. Oxford: Oxford University Press, 2004, p. 164.
Com base na leitura do trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação da autora sobre o regicídio ocorrido na Guerra Civil da Inglaterra e seus impactos culturais.
A autora compreende a morte do monarca como um marco político, que representou mudanças nas percepções populares sobre o domínio privado.
A autora compreende a fatalidade da morte do rei como um desafio para a soberania da Inglaterra, por se tratar de uma questão exclusivamente política.
A autora compreende a execução do monarca como um momento de crise, que resultou na reafirmação das tradições culturais, utilizadas para criar uma sensação de segurança.
A autora compreende a morte do rei como um marco da estabilidade cultural e política na Inglaterra, pois foi motivada pelo desejo da população.
A autora compreende o assassinato do monarca como um evento que reflete a apatia da população inglesa, que se mantinha alheia aos acontecimentos políticos.
Leia o trecho a seguir.
A maioria das pessoas tende a pensar que a História Cultural aborda a cultura superior, a Cultura com C maiúsculo. Então, o leitor pode querer uma palavra de explicação. Enquanto o historiador das ideias esboça a filiação do pensamento formal, de um filósofo para outro, o historiador etnográfico estuda a maneira como as pessoas comuns entendiam o mundo. Tenta descobrir a cosmologia, mostrar como organizavam a realidade em suas mentes e a expressavam em seu comportamento. Não tenta transformar em filósofo o homem comum, mas ver como a vida comum exigia uma estratégia. Operando ao nível corriqueiro, as pessoas comuns aprendem a “se virar” e podem ser tão inteligentes, à sua maneira, quanto os filósofos. Mas, em vez de tirarem conclusões lógicas, pensam com coisas, ou com qualquer material que sua cultura lhes ponha à disposição, como histórias ou cerimônias.
Adaptado de: DARNTON, Robert. O grande massacre dos gatos. E outros episódios da História cultural francesa. Rio de Janeiro: Graal, 1986, p. XIV.
Assinale a opção que descreve corretamente a compreensão do autor sobre o objeto de estudo da História Cultural.
O estudo da cultura das elites intelectuais, que criaram e influenciaram os elementos culturais das sociedades.
O estudo que reconhece que a população cria cultura, desconsiderando a capacidade do conhecimento filosófico de produzir saber.
O estudo que investiga as experiências e visões da população comum sobre seus cotidianos.
O estudo das expressões culturais individuais, sem considerar fatores externos.
O estudo que separa o comportamento social da cultura para entender as expressões sociais.


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Observe a imagem e leia o texto a seguir.

Fonte: https://es.wikipedia.org/wiki/Escuela_cuzque%C3%B1a_de_pintura#cite_ ref-5
A Escola Cusquenha de artes foi um movimento artístico desenvolvido no Peru durante o período colonial, com influências da cultura do Renascimento e do Barroco. Esse estilo foi introduzido pelos jesuítas como uma ferramenta didática para evangelizar os indígenas, especialmente os indígenas nobres, ensinando-os a pintar elementos religiosos. As pinturas decoravam catedrais e capelas de conventos na América hispânica, como exemplificado na imagem reproduzida, que representa Nossa Senhora de Belém. O formato triangular da imagem faz alusão à Pachamama, divindade andina considerada a mãe da terra.
Com base na observação da imagem e na leitura do trecho, é correto afirmar que o movimento artístico
seguia rigorosamente as normas e técnicas barrocas peninsulares, o que resultou em pinturas que copiavam fielmente o estilo e os temas produzidos na Europa.
possuía total liberdade criativa, uma vez que era praticado por indígenas que expressavam suas culturas e hábitos originários, anteriores ao contato com os europeus.
misturava os elementos americanos e peninsulares, adaptando o estilo artístico às demandas da nova realidade colonial.
não possuía grande expressão na sociedade, uma vez que as pinturas eram elaboradas por pessoas não europeias, especificamente pelos indígenas da região.
rompia com os cânones europeus, uma vez que as pinturas eram produzidas sem uma finalidade utilitária, priorizando a autonomia artística do pintor.
A modernidade, caracterizada por intensas transformações econômicas, sociais e culturais, impactou significativamente os lugares de memória e os espaços identitários. Esses conceitos, centrais ao entendimento das relações entre história, cultura e identidade, se encontram em crise devido a fatores como globalização, hiperconsumo, transformações urbanas e avanço de tecnologias digitais. Com base nas reflexões apresentadas, analisar os itens:
I. A modernidade líquida caracteriza-se por sua fluidez e pela ausência de formas estáveis, levando à fragmentação das relações coletivas.
II. Os lugares de memória são descritos como construções alheias à manipulação ideológica, sendo reconhecidos como representações neutras do passado.
III. A memória coletiva é construída por meio de processos de interação social que envolvem escolhas sobre o que deve ser lembrado ou esquecido.
IV. A ressignificação de espaços urbanos e monumentos revela como a história é utilizada para reforçar interesses de grupos dominantes, moldando as representações culturais.
Está CORRETO o que se afirma:
Apenas nos itens I e III.
Apenas nos itens II e IV.
Apenas nos itens III e IV.
Apenas nos itens I, III e IV.
A literatura sobre avaliação formativa e por competências (Black & Wiliam, Sadler, Perrenoud, Seixas & Morton) sublinha a necessidade de coerência entre objetivos de aprendizagem, tarefas propostas, evidências coletadas, critérios públicos e devolutivas qualificadas. Rubricas analíticas funcionam como dispositivos de transparência e regulação da aprendizagem, desde que mobilizadas como ferramentas de diálogo e não como meros instrumentos classificatórios. Em História, isso supõe articular conhecimentos substantivos e conceitos de segunda ordem, evitando reduzir competências a desempenho técnico descontextualizado. Assinale a alternativa plenamente compatível com esse enquadramento.
Procedimentos de avaliação autêntica priorizam a variedade de instrumentos utilizados, mantendo objetivos de aprendizagem apenas em planos de curso e delegando a interpretação de critérios aos estudantes, que precisam inferi-los a partir das notas atribuídas.
Dispositivos de avaliação por competências concentram-se na produção de indicadores gerais de desempenho, podendo prescindir de critérios tornados públicos, desde que os resultados finais sejam sintetizados em notas ou níveis suficientemente estáveis para fins classificatórios.
Rubricas explicitadas previamente articulam objetivos, evidências e critérios de qualidade, permitindo que estudantes compreendam expectativas, regulem processos de resposta e revisem explicações históricas com base em feedbacks qualitativos sucessivos, vinculados a conceitos substantivos e de segunda ordem.
Estratégias de avaliação formativa podem restringir-se à observação da participação em sala e à correção pontual de erros factuais, sem necessidade de registros sistemáticos das evidências nem de explicitação de parâmetros de qualidade historiográfica.
A organização de portfólios e projetos investigativos pode concentrar-se na apreciação dos produtos finais, admitindo que as etapas processuais e os critérios de análise historiográfica permaneçam implícitos para preservar a autonomia docente na atribuição de juízos avaliativos.
A Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotada pela UNESCO em 2005, reflete um marco na promoção da diversidade cultural como patrimônio da humanidade. Considerando os princípios e objetivos da Convenção, é CORRETO afirmar que:
O princípio de solidariedade e cooperação internacionais destaca a importância de apoiar países desenvolvidos no fortalecimento de suas capacidades culturais.
A Convenção reconhece a diversidade cultural como elemento complementar ao desenvolvimento econômico, priorizando aspectos financeiros sobre os culturais.
A liberdade de expressão, informação e comunicação, garantida pela Convenção, é considerada um princípio essencial para o florescimento das expressões culturais nas sociedades.
A Convenção restringe a circulação de expressões culturais entre os países com o objetivo de proteger identidades locais ameaçadas pela globalização.
A cultura, enquanto objeto historiográfico, é complexa. Destaca-se a inter-relação entre práticas culturais, representações e apropriações. Nesse contexto, analisar os itens.
I. As práticas culturais abrangem tanto as instâncias oficiais de produção cultural quanto os usos e os costumes cotidianos de uma sociedade, como modos de falar, gestos e rituais.
II. As representações são formas de traduzir mentalmente uma realidade percebida, frequentemente associada a símbolos e imaginários coletivos.
III. A noção de apropriação implica incorporação passiva de práticas culturais e representações por grupos sociais específicos.
IV. A perspectiva cultural reconhece o dinamismo da cultura e a conexão entre suas dimensões simbólicas e políticas.
Está CORRETO o que se afirma:
Apenas nos itens I e III.
Apenas nos itens II e IV.
Apenas nos itens I, II e IV.
Apenas nos itens III e IV.


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Considerando-se a temática História, Cultura e Artes, no que se refere às Artes a partir de 1914, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.
( ) O dadaísmo surgiu como um protesto niilista contra a Primeira Guerra Mundial e a sociedade que a gerou, rejeitando as convenções da arte da época.
( ) O construtivismo soviético foi amplamente integrado ao modernismo arquitetônico por meio da Bauhaus, e seus projetos mais ambiciosos foram amplamente realizados.
( ) O surrealismo, ao contrário do dadaísmo, buscou resgatar a imaginação e se baseou na psicanálise, simbolismo e sonhos.
C - E - C.
E - E - C
E - C - E.
C - C - E.
O campo do patrimônio cultural, especialmente após convenções internacionais como a da UNESCO de 2003, ampliou abordagens para práticas, saberes, celebrações, oralidades, técnicas e lugares de referência, reconhecendo disputas identitárias, memórias sociais e processos de transmissão intergeracional. Assinale a alternativa plenamente compatível.
Interpretações patrimoniais articulam práticas sociais, repertórios simbólicos, processos comunitários e trajetórias históricas, compondo circuitos de significação que vinculam memórias coletivas, usos públicos e dispositivos institucionais aplicados em diferentes contextos socioculturais complexos contemporâneos.
Dinâmicas culturais integram memórias locais, repertórios rituais, formas expressivas e vínculos territoriais, permitindo analisar como diferentes grupos mobilizam narrativas, técnicas e performances na construção de referências patrimoniais múltiplas e historicamente situadas.
Processos identitários estruturam práticas celebratórias, saberes corporificados e repertórios orais, conectando dimensões simbólicas, relações comunitárias e experiências históricas que modulam a inscrição e a circulação de bens culturais em escalas regionais diversas.
Patrimônio imaterial designa conjuntos de práticas, saberes, celebrações, performances, oralidades e técnicas vinculadas a grupos sociais específicos, articulando memórias, identidades e transmissões intergeracionais que orientam políticas de salvaguarda e disputas públicas significativas.
Referências culturais articulam usos sociais, repertórios tradicionais, formas expressivas e vínculos territoriais, compondo ambientes de significação nos quais sujeitos mobilizam memórias, tradições e práticas que sustentam diferentes regimes de valorização patrimonial contemporânea.
A Sagração da primavera foi uma produção da companhia russa Ballets Russes, liderada pelo empresário russo Serguei Diaghilev e construída com a colaboração de grandes artistas, como Igor Stravinsky e Romola Nijinsky.
Certo
Errado
É importante perceber como a apropriação e a troca entre culturas se desenvolvem, fazendo com que não seja possível, por vezes, afirmar um lugar social estático e permanente para o tratamento de certo grupo. As experiências culturais são necessariamente intercambiantes e fenômenos culturais desse tipo são comuns nos países americanos, podendo-se citar, por exemplo, as culturas nativas do México e as tradições religiosas dos povos andinos, que conjugam a sua raiz axiológica com a tradição cristã. Assim, quando “o apropriante e o apropriado terminam por coexistir”, não caberia apelar para “uma certa pureza dos povos originários e das tradições”, uma vez que essas manifestações culturais são transformadas ao longo da história.
(CUCHE, Denys, 2009.)
No excerto anterior, as falas relativas ao “apropriante” e “apropriado” deixam patente que:
Os fenômenos culturais americanos, haja vista os processos de intercâmbio ao qual foram submetidos, são considerados intactos.
A raiz axiológica com a tradição cristã foi, sem dúvida, a única influência descaracterizante da cultura dos povos originários no processo de colonização americano.
A forma como ocorreram os processos de dominação do antigo sistema colonial influenciou a cultura dos ameríndios, mas não a homogeneidade da mesma.
A puridade tanto étnica quanto cultural no que se refere às manifestações culturais e ao próprio povo da América Latina, não condizem com a realidade histórica.
A reação negativa de parte do público à apresentação do referido espetáculo de balé pode ser atribuída a seu caráter disruptivo: os diálogos eram em russo, a música era conduzida por um coral formado de jovens com vozes estridentes, a bailarina principal usava roupas masculinas e ao palco foram levados animais (macacos emprestados pelo Cirque d’Hiver), o que foi interpretado como desrespeito e imoralismo pela burguesia parisiense.
Certo
Errado


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Analise o excerto abaixo:
Ao longo da história, as representações culturais foram moldadas por transformações significativas, impulsionadas tanto pelos avanços nos meios de comunicação quanto pelos movimentos sociais. Desde a disseminação da imprensa até a era digital, os meios de comunicação desempenharam um papel crucial na difusão de ideias, valores e expressões culturais. Paralelamente, os movimentos sociais, como o movimento pelos direitos civis e o feminismo, desafiaram e redefiniram normas culturais, promovendo mudanças na maneira como percebemos e representamos a diversidade cultural. Essas interações dinâmicas entre meios de comunicação e movimentos sociais continuam a moldar as representações culturais, refletindo a evolução constante da cultura em resposta aos desafios e aspirações da sociedade.
O excerto acima está:
Parcialmente correto, porque as interações dinâmicas entre meios de comunicação e movimentos sociais não mais moldam as representações culturais, que se tornaram homogêneas com a globalização.
Parcialmente correto, porque os movimentos sociais não desafiaram nem redefiniram normas culturais, mas sim internalizaram as normas já existentes.
Totalmente correto.
Parcialmente correto, porque as transformações nas representações culturais ocorreram apenas em razão dos avanços nos meios de comunicação.
Parcialmente correto, porque as transformações nas representações culturais ocorreram apenas pelos movimentos sociais.
Assinale a definição correta de mestiçagem cultural:
perda de identidade cultural original, de modo que grupos culturais deixam de manter elementos distintivos entre si.
processo de assimilação total, em que ocorre a absorção completa de uma cultura por outra, sem quaisquer trocas recíprocas ou coexistência de elementos distintos
eliminação das diferenças culturais que levam à homogeneização cultural, em prejuízo da diversidade.
processo unidirecional pelo qual uma cultura dominante influencia exclusivamente culturas minoritárias.
processo de interação e miscigenação entre diferentes culturas, resultando na criação de novas formas culturais híbridas.
Entre 1817 e 1820, os naturalistas Johann von Spix e Carl Philip von Martius realizaram uma expedição científica ao Brasil, indicados pela Academia de Ciências de Munique, no contexto de aproximação entre Portugal e a Áustria. Nessa expedição, os viajantes registraram algumas partituras musicais com canções brasileiras. Sobre esses registros, o pesquisador Silvio Augusto Merhy escreveu:
Não havia na época local instituído para apresentações públicas de música de tradição oral. Sabe-se dos cortejos populares que eram acompanhados de música, como os que aconteciam durante os dias de carnaval no Rio de Janeiro. A poesia e a música populares eram percebidas pelos intelectuais como práticas coletivas e anônimas de propriedade do “povo”, nasciam e cresciam tão naturalmente como uma planta ou uma árvore e eram apreciadas em praça pública ou nas ruas. Tal concepção fazia parte da mentalidade que predominava no final do século XVIII. Pensava-se que a autoria não era importante em se tratando de uma “arte popular”, porque ela pertenceria a todos, a todo o “povo” (das Volk dichtet, o povo produz a poesia).
MERHY, S. As transcrições das canções populares em Viagem pelo Brasil de Spix e Martius. Revista Brasileira de Música. Universidade Federal do Rio de Janeiro, v. 23/2, 2010. p. 177.
A expedição de Spix e Martius foi finalizada pouco antes dos eventos determinantes para a Independência do Brasil, e a análise de Silvio Merhy aponta características constitutivas de nossa formação social.
Nesse sentido, o texto aponta aspectos da cultura de época compatíveis com um(a)
ideário inspirado no liberalismo
domínio de valores decoloniais
sociedade estratificada socialmente
mentalidade marcada pela equidade
visão de mundo abolicionista
“[...] o conteúdo substancial da educação, sua fonte e sua justificação última: a educação não é nada fora da cultura e sem ela.” A educação não terá sentido nem condições de existir fora da cultura, uma vez que é função do trabalho docente a transmissão e perenização da cultura. O fazer pedagógico não pode fugir ao trabalho material da cultura, pois estabelece as relações com o passado e o presente e, assim, mantém a cultura viva e atualizada. Nesse nível mais geral, educação e cultura aparecem como duas faces recíprocas de uma mesma realidade, na qual uma não pode ser pensada sem a outra; entretanto, cabe considerar e refletir sobre qual cultura o currículo está contemplando e o porquê de tais conhecimentos serem considerados como conhecimento cultural.
(Forquin, 1993, p. 14.)
Culturas infantis e juvenis; etnias minoritárias ou sem poder; o mundo feminino; as sexualidades; a classe trabalhadora e o mundo das pessoas pobres; o mundo rural e ribeirinho são exemplos de culturas minoritárias que foram, ao longo do tempo, contempladas apenas como conteúdos curriculares complementares. Nesse contexto:
A análise crítica e histórica das propostas curriculares mostra a presença abusiva de culturas hegemônicas em detrimento das culturas minoritárias que não possuem estruturas de poder.
Torna-se inviável que, no currículo de qualquer época, se discuta ou se apresentem temas e/ou disciplinas que fujam dos conteúdos básicos que devem alicerçar qualquer metodologia de ensino-aprendizagem.
É bastante justificável a ausência nos currículos, de antes ou de hoje, de temáticas relacionadas à classes desprivilegiadas, que, na verdade, não teriam condições de engendrar ou mesmo entender tais premissas.
É possível perceber um alinhamento intrínseco entre o currículo e a estrutura educacional de cada época, preocupado com a diversidade étnico-racial, mesmo que a presença de temas transversais seja um parâmetro apenas da atualidade.
O Festival de Woodstock, realizado em agosto de 1969, foi um dos maiores eventos de música da história e, com certeza, o mais famoso do período, sobretudo pelo contexto político e social nos Estados Unidos, que estimulava o cenário de efervescência cultural. As décadas de 1950 e 1960 ficaram marcadas pelo surgimento de movimentos de contracultura, ou seja, movimentos culturais que se baseavam na contestação dos valores culturais hegemônicos, dentre eles, o movimento hippie.
Sobre a Contracultura, os Hippies e o Festival de Woodstock, assinale a alternativa que NÃO corresponde uma afirmativa verdadeira.
Centenas de milhares de pessoas se reuniram em uma fazenda no interior do Estado de Nova York (EUA), no Festival de Woodstock, em “três dias de paz e música”, com as apresentações de artistas como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Santana, Joan Baez, Creendence e The Who, protestando, dentre vários assuntos, a política bélica norteamericana.
O Festival de Woodstock e os movimentos sociais como, os Hippies e os dos Direitos Civis, protestavam e contestavam os valores dominantes da década de 1960. No caso dos Hippies, a bandeira ideológica tinha como premissas: a liberdade sexual, uso contínuo de drogas (que acreditavam ser responsáveis por expandir a mente), e a defesa do amor e da paz.
Desobediência civil foi muito grande nos EUA: os Hippies se posicionavam contra a Guerra do Vietnã e pressionavam a favor de uma sociedade mais livre e longe do consumismo. Os representantes dos movimentos dos Direitos Civis, como Malcolm X e Martin Luther King Jr, rivalizavam o governo na luta contra a discriminação racial. É também nesse período que movimentos operários e feministas se fortaleceram, além do surgimento mais proeminente de movimentos em defesa de gays e lésbicas.
A contracultura foi um momento de reboliço nos movimentos político-sociais nos EUA, afirmando uma necessidade de hierarquizar manifestações das massas em detrimento dos valores conservadores, como, por exemplo, o Festival de Woodstock serviu para exigir que o rock fosse sobreposto à música erudita.