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Texto XI
1 É um fato global que homens adolescentes e jovens adultos entre 15 e 29 anos são os que mais apresentam risco de serem vítimas de homicídios. Contudo, conforme se concluiu em um relatório sobre os homicídios em todo o planeta realizado pela United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC) em 2019 (UNODC, 2019a), pesa para essa situação mundial o contexto do continente americano, onde os fatores estruturais que causam a mortalidade violenta são os conflitos frutos da ação do crime organizado e das mortes decorrentes do uso de armas de fogo.
2 Com efeito, no Brasil a violência é a principal causa de morte dos jovens. Em 2021, de cada cem jovens entre 15 e 29 anos que morreram no país por qualquer causa, 49 foram vítimas da violência letal. Dos 47.847 homicídios ocorridos no Brasil em 2021, 50,6% vitimaram jovens entre 15 e 29 anos. São 24.217 jovens que tiveram suas vidas ceifadas prematuramente, com uma média de 66 jovens assassinados por dia no país.
3 Considerando a série histórica dos últimos onze anos (2011-2021), foram 326.532 jovens vítimas da violência letal no Brasil. São centenas de milhares de indivíduos que não tiveram a chance de concluir sua vida escolar, de construir um caminho profissional, de formar sua própria família ou de serem reconhecidos pelas suas conquistas no contexto social em que vivem.
4 Em que pese a extrema gravidade do problema que atinge a juventude brasileira, alguns avanços podem ser observados na comparação com o ano anterior, conforme se pode observar na tabela 7. Em 2021, houve queda de 6,2% no número absoluto de homicídios de jovens em comparação a 2020. A taxa de homicídios a cada 100 mil jovens passou de 51,8 para 49,0, significando uma redução de 5,4% em um ano, conforme apontado no gráfico 7. Essa atenuação nos dados de violência letal de jovens vinha sendo observada desde 2017 e acompanha a queda geral do número de homicídios do país. Com efeito, de 2016 a 2021 essa contração foi de 25,2%.
CERQUEIRA, D.; BUENO, S. (coord). Atlas da violência 2023. Brasília, DF: Ipea; FBSP, p.21-22. DOI: https://dx.doi.org/10.38116/ riatlasdaviolencia2023. Adaptado.
A leitura do Texto XI e o entendimento da organização das informações nele dispostas permitem afirmar que seu enunciador
minimiza o problema do homicídio de jovens no Brasil ao descrever dados que apontam para uma queda no número de mortes dessa natureza nos últimos anos.
inicia descrevendo dados retirados de outros textos, citando suas fontes e gerando, portanto, confiança no leitor sobre as informações selecionadas para sua abertura.
reforça o argumento de que o número de homicídios de jovens no Brasil é um problema grave por meio da inserção de dados teoricamente fundamentados no terceiro parágrafo.
apresenta uma profusão de dados estatísticos como caminho para a construção de argumentos que reforcem a tese de que as causas do índice de homicídio de jovens brasileiros são de natureza global.
constrói uma argumentação baseada na descrição de dados estatísticos, inserindo-os em uma dimensão macrocontextual — a violência no mundo — e em uma dimensão microcontexual — as vidas dos jovens perdidas.