Imagem de fundo

A língua é um código que exige aprendizagem e obediência a...

O texto C é referência para responder às questões de 08 a 13.


TEXTO C


Cara presidente,

Não foi a senhora que inventou essa história de sediar a Copa do Mundo. Foi o Outro. Ele é que era, e continua sendo, louco por futebol. Ele é que criou na cabeça um Brasil tão grande e influente que terminaria com a crise do programa nuclear do Irã, arbitraria a paz, entre árabes e israelenses, ganharia um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e, para encerrar, como a última firula do artilheiro antes de fazer o gol, sediaria o Mundial de 2014. A senhora, ao contrário, e mil desculpas se for engano, aparenta se aborrecer mortalmente diante de um jogo de futebol. Também não é crível, simplesmente não cabe no seu perfil, que acredite no mesmo Brasil fantasioso do Outro. Se deu a entender que sim, isso ocorreu apenas no período eleitoral, em que, como no Carnaval, tudo é permitido.

“Falo, falo, e não digo o essencial”, escrevia Nelson Rodrigues. O essencial é o seguinte: por que não desistir? Não seria a primeira vez. A Colômbia, escolhida para sediar a Copa de 1986, jogou a toalha três anos antes, e o torneio mudou para o México. [...]

[...]

“Falo, falo e não digo o essencial.” O essencial desta missiva, senhora presidente, é sugerir-lhe uma estratégia. Se lhe parece humilhante desistir assim, na lata, a sugestão é a seguinte: brigue com a Fifa. Enfrente-a. Como o mundo inteiro sabe, a Fifa não é flor que se cheire. É uma entidade tão milionária, tão abusada no uso de seus poderes, quanto são milionários e abusados seus dirigentes. Pega bem enfrentá-los. Brigue para que reduzam suas incontáveis exigências. Que aceitem a reforma de estádios existentes em vez de pedirem tantos novos. Que assumam parte das despesas. A Fifa está com a corda no pescoço tanto quanto a senhora. Na melhor das hipóteses, eles romperão com o Brasil e partirão para uma alternativa de emergência. [...]


Revista Veja 4 de maio, 2011.

A língua é um código que exige aprendizagem e obediência a regras e às possibilidades de emprego quanto à variação e unidade. Conforme a intenção do locutor e o tipo de texto, pode ser usada com criatividade, sem a exploração do que é errado por falta de conhecimento do que se chama adequação.


Com relação ao último parágrafo da ''missiva'', (texto C), o autor, para produzir um efeito de expressividade, explorou estilisticamente vários aspectos da língua, por exemplo:


1. metáforas e coloquialismos como na lata, não é flor que se cheire, Pega bem e corda no pescoço.

2. repetição de palavra, para obter um tom enfático: Falo, falo e não digo o essencial.

3. um uso coloquial, ou informal, do pronome oblíquo: Enfrente-a.

4. uso estilístico de flexão da pessoa verbal do modo imperativo, constituindo equívoco de ordem gramatical em Brigue.


Pode-se afirmar que está CORRETO o que se exemplifica apenas em:


A

3.


B

1, 2 e 3.


C

2 e 4.


D

4.


E

1 e 2.