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Gabriela apresenta sintomas de anorexia, que, segundo os critérios definidos no DMS-IV, é uma síndrome que se caracteriza pela recusa em manter o peso nos limites considerados normais para altura/idade, pelo medo de ganhar peso, por problemas com auto-imagem corporal, pela negação da gravidade da doença e pela amenorréia.
A anorexia nervosa é doença comum entre os adolescentes, independentemente do sexo, e, embora tenha sido mais freqüente em meninas, atualmente sua prevalência é equivalente entre os sexos.
O uso de contraceptivo oral não deve ser prescrito nesse caso devido ao fato de que a paciente faz uso de corticóide e betabloqueador.
A disfemia, ou gagueira, significa falar com repetições, hesitar na fala, bloquear as palavras. Entre as razões diversas, a gagueira na faixa etária de Marcos existe pela desorganização entre o pensamento e a linguagem, sem que ocorra anormalidade nos órgãos fonadores, como lábios, língua e dentes. Na adolescência, costuma aparecer entre os 10 e 12 anos de idade.
Na adolescência, até três anos após a menarca, os ciclos são anovulatórios e irregulares, portanto o tipo de queixa apresentado pela adolescente não é sintoma de um problema de saúde.
A possibilidade de doença de Osgood-Sclater deve ser considerada nesse caso, pois é essa a osteocondrose mais prevalente na adolescência. Essa enfermidade acomete a tuberosidade anterior da tíbia, local de inserção dos tendões patelares e do quadríceps, está associada à prática de esportes, é de natureza benigna e cursa com remissão após uso de sintomáticos e repouso.
Na abordagem da questão da repetência escolar, observa-se que somente uma pequena parcela das crianças e adolescentes repetentes apresentam problemas de saúde, tais como distúrbios visuais, auditivos ou neurológicos. A repetência escolar, portanto, constitui um problema exclusivo do aluno, com que a escola e a família podem colaborar.
Entre as complicações mais graves da anorexia, destaca-se a osteopenia, cujo manejo torna-se mais difícil na faixa etária da paciente descrita no caso clínico, uma vez que as mulheres incorporam cerca de 60% de sua massa óssea durante a adolescência.
Como o trauma no testículo leva ao risco de torção de testículos, o médico deve solicitar que sejam realizados, de imediato, exame de ultra-som e dosagem da testosterona desse adolescente.
Os casos de adolescentes com menarca ausente aos 16 anos de idade e desenvolvimento puberal normal; ou com menarca ausente aos 14 anos de idade e sem desenvolvimento puberal; ou com menarca ausente até dois anos após a maturação sexual completa da adolescente são classificados com amenorréia primária.
O médico que atendeu Márcia deve pautar-se pelo princípio da ética, sem perder de vista o Código de Ética Médica, que estabelece a prestação do serviço médico com dignidade e decoro, a promoção do bem sem causar dano ao paciente (primum non nocere), e, entre as posturas, a manutenção da privacidade, da confidencialidade, do sigilo e do princípio da autonomia, mas sem desconsiderar o artigo 5.º do Código Civil brasileiro, que julga como incapazes todos os menores de 16 anos de idade e como relativamente incapazes os menores de 21 anos de idade.
Na adolescência, período de grandes transformações físicas e psicológicas, o indivíduo tende a se isolar e a questionar a autoridade dos pais, que devem apoiar, orientar e colocar limites durante essas mudanças. Entretanto, quando o comportamento do adolescente começa a atrapalhar seu desempenho nas atividades diárias, tais mudanças tornam-se preocupantes.
O uso do álcool pelos pais e pelos amigos é um dos principais motivos geradores de consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens, entretanto, se esse consumo for irregular, não constitui fator de risco para o adolescente.
Ao manter contato sexual sem proteção com múltiplos parceiros, Márcia corre o risco de ter vulvovaginite, que, na adolescência, na maioria dos casos, apresenta patógenos específicos, como clamídia, Trichomonas vaginalis, Neisseria gonorrhoeae e Gardnerella vaginalis. A vulvovaginite necessita de tratamento específico e estudos atuais demonstram que a Gardnerella vaginalis pode estar presente na flora vaginal de crianças e adolescentes sem contato sexual e sem apresentar sintomatologia específica.
O abuso sexual é caracterizado por atos ou jogos sexuais, hétero ou homossexual, cujo agente encontra-se em estágio de desenvolvimento biopsicossocial mais avançado que o adolescente, como ocorre no caso de Márcia. Embora o abuso sexual se realize muitas vezes sob ameaças, induções ou agressões físicas, não se enquadra no crime de maus tratos à infância e adolescência, previstos no Código Penal.
A hipertensão arterial, um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, se caracteriza por aumento das pressões arteriais sistólica e(ou) diastólica acima dos níveis normais para os parâmetros de idade e sexo. Segundo a OMS, é considerado hipertenso o indivíduo que apresente pressão maior ou igual ao percentil 85 para idade e sexo, em pelo menos três medições feitas em ocasiões diferentes e em condições ideais.
A exploração sexual é atentado grave aos direitos da criança e do adolescente e caracteriza-se por uso sexual de crianças e adolescentes com fins lucrativos, seja pela prostituição, seja pela produção de materiais pornográficos, como revistas, fotografias, vídeos, filmes e sítios na Internet. O profissional que atende o adolescente vítima de exploração sexual deve encaminhá-lo ao conselho tutelar e(ou) à vara da infância e juventude de sua cidade, pois, nesse caso, a denúncia é obrigatória.
Deve-se solicitar raio X de mão e punho esquerdo para avaliar a maturação óssea desse adolescente. O alvo genético deve ser avaliado pela média da altura dos pais, acrescentando-se mais ou menos 6,5 cm. O médico deve recomendar a suspensão do uso de anabolizantes, considerando a possibilidade de maturação precoce da cartilagem de crescimento.
A sexualidade humana não é o sexo do registro nem o biológico, mas o resultado de um processo de escolhas e de identificações. O indivíduo, no percurso de tornar-se homem ou mulher, passa por dois períodos críticos: a organização genital infantil e a organização genital da vida adulta, que ocorre na adolescência. Portanto, o hebiatra deverá orientar a paciente no sentido de que a escolha do parceiro é fator determinante nesse período da vida, pois dela dependerá a identidade sexual futura.
Em caso de ciclos irregulares na puberdade, como o da paciente em apreço, deve-se investigar a ocorrência de ovários policísticos e solicitar ecografia pélvica e dosagem dos esteróides.