Questões de Concurso sobre Oncologia Pediátrica

 
 
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O diagnóstico diferencial das massas cervicais na infância é amplo. Uma criança de 4 anos apresenta abaulamento indolor em linha média cervical, na altura do osso hioide, que se move +verticalmente à protrusão da língua. A principal hipótese diagnóstica e a conduta cirúrgica definitiva (Operação de Sistrunk) baseiam-se na exérese do cisto associada à:


A

Ressecção da porção central do osso hioide.


B

Esvaziamento ganglionar cervical seletivo.


C

Lobectomia tireoidiana ipsilateral.


D

Ligadura do ducto torácico.


E

Cauterização do forame cego na base da língua.

Com incidência máxima entre os 2 e 10 anos, qual é o câncer mais comum em crianças com menos de 15 anos?


A

Leucemia mieloide aguda.


B

Leucemia mieloide crônica.


C

Leucemia linfoblástica aguda.


D

Leucemia linfoblástica crônica.


E

Linfoma de Hodgkin.

Garota de 10 anos com LLA-B recidivada/refratária recebe terapia com CAR-T-cells anti-CD19 e atinge remissão completa com MRD negativa. A equipe discute os mecanismos de recaída pós-terapia CART. Acerca do tema, os dois principais mecanismos de recidiva reconhecidos após terapia com CAR-T antiCD19 são:


A

Desenvolvimento de anticorpos neutralizantes contra IL-2 e resistência a linfodepleção.


B

Exaustão das CAR-T-cells e perda da expressão de CD19 pelas células leucêmicas.


C

Rejeição imunológica do enxerto de CAR-T-cells e mutagênese insercional pelo vetor viral.


D

Expansão clonal de células T regulatórias do receptor e fibrose medular pós-infusão.


E

Hipogamaglobulinemia persistente e reativação de infecções virais latentes com supressão medular.

Criança de 11 anos apresenta puberdade precoce, diabetes insípido e hemianopsia bitemporal. A ressonância magnética revela lesão expansiva na região suprasselar com extensão para o hipotálamo. As dosagens séricas e liquóricas de AFP e β-hCG são normais. A biópsia estereotáxica revela germinoma puro. A ressonância magnética de neuroeixo demonstra segundo foco de captação na região pineal. A citologia do líquor é negativa. Nesse contexto, o estadiamento CORRETO dessa lesão é:


A

A presença de lesão na região pineal associada à lesão hipofisária configura doença metastática M2, exigindo irradiação craniospinal com 36 Gy.


B

Tumores bifocais envolvendo simultaneamente as regiões pineal e hipofisária são considerados não metastáticos.


C

A presença concomitante de lesão pineal e suprasselar indica disseminação leptomeníngea (M3) e requer quimioterapia intratecal.


D

Tumores bifocais pineais e hipofisários correspondem ao estadiamento M4 pela classificação de Chang para germinomas.


E

Lesões sincrônicas em região pineal e suprasselar são consideradas tumores independentes que requerem abordagens terapêuticas distintas.

Adolescente de 12 anos foi tratado para osteossarcoma de fêmur distal com cirurgia de salvamento de membro e quimioterapia contendo cisplatina (dose cumulativa de 480 mg/m²), doxorrubicina e metotrexato em altas doses. Na consulta de seguimento tardio, o oncologista pediátrico deve priorizar o rastreamento de efeitos tardios relacionados à cisplatina. Os exames adequados para esse fim são, CORRETA e respectivamente:


A

Provas de função pulmonar e radiografia de tórax.


B

Avaliação audiológica e dosagem de ureia e creatinina séricas.


C

Densitometria óssea e dosagem de cálcio ionizado.


D

Avaliação neurocognitiva e ressonância magnética de crânio.


E

Hemograma e mielograma completos e leucograma.

Adolescente de 15 anos com leucemia promielocítica aguda inicia tratamento com ácido all-trans-retinoico. No quinto dia de tratamento, evolui com febre, desconforto respiratório, edema periférico, ganho de peso e derrame pleural bilateral. Dessa forma, a conduta terapêutica específica para essa complicação é:


A

Tocilizumabe 8–12 mg/kg IV.


B

Metilprednisolona 0,5–1 mg/kg a cada 12 horas, com manutenção do ácido all-trans-retinoico em dose reduzida.


C

Dexametasona 0,5–1 mg/kg (máximo 10 mg/dose) IV a cada 12 horas.


D

Hidrocortisona 100 mg/m² a cada 8 horas associada à suspensão do ácido all-trans-retinoico.


E

Prednisona 1,5–2,0 mg/kg/dia com adição de furosemida para controle do derrame pleural.

Uma criança de 6 anos apresenta tumor renal unilateral submetido a nefrectomia radical. O anatomopatológico revela sarcoma de células claras do rim, estádio III. A investigação de estadiamento por imagem deve incluir, além da tomografia computadorizada de tórax e abdome, os exames:


A

Dosagem sérica de alfafetoproteína e ultrassonografia hepática com Doppler.


B

Cintilografia óssea e ressonância magnética de encéfalo.


C

PET-CT de corpo inteiro e punção lombar com análise de líquor.


D

Ecocardiograma com estimativa de fração de ejeção e eletroencefalograma.


E

Análise citogenética periférica para pesquisa de deleção em 11p13 e FISH para WT1.

Garota de 8 anos é submetida a investigação de tumor cerebral hemisférico. A equipe solicita ressonância magnética com espectroscopia e gadolínio-DTPA para melhor caracterização da lesão. Considerando as vantagens do contraste paramagnético gadolínioDTPA na avaliação de tumores do SNC pediátrico, é CORRETO afirmar que:


A

O gadolínio-DTPA destaca áreas de ruptura da barreira hematoencefálica que ocorrem nos tumores e auxilia na diferenciação entre componentes císticos e sólidos do tumor


B

O gadolínio-DTPA é utilizado para avaliação da vascularização tumoral, sendo superior à angiografia por ressonância magnética.


C

O gadolínio-DTPA melhora a resolução das imagens ponderadas em T2 e difusão, permitindo mapeamento funcional mais preciso de áreas eloquentes.


D

O gadolínio-DTPA permite a quantificação do metabolismo tumoral por meio da mensuração das razões de creatina/colina e n-acetil aspartato/colina.


E

O gadolínio-DTPA é contraindicado na avaliação de tumores cerebrais pediátricos devido ao risco elevado de fibrose nefrogênica sistêmica.

Uma adolescente de 15 anos apresenta massa mediastinal volumosa com razão massa/tórax de 0,40 na radiografia de tórax em incidência posteroanterior. Tem linfonodos cervicais e axilares bilaterais acometidos, sem sintomas B, sem extensão extranodal e sem envolvimento de órgãos. Na classificação de Ann Arbor, o estádio e o grupo de risco terapêutico para essa paciente são, CORRETA e respectivamente:


A

Estádio IIA com doença volumosa, classificada como risco intermediário.


B

Estádio IIIA, classificada como risco alto por acometimento bilateral supradiafragmático.


C

Estádio IIB com extensão extranodal, classificada como risco alto.


D

Estádio IIA sem doença volumosa, classificada como risco baixo.


E

Estádio IIIA com envolvimento esplênico, classificada como risco intermediário.

Adolescente de 14 anos com osteossarcoma de fêmur distal completa quimioterapia neoadjuvante e adjuvante com MAP e apresenta remissão completa. A equipe planeja a vigilância pós-tratamento. Em relação ao protocolo de seguimento recomendado para osteossarcoma após término da terapia, é CORRETO afirmar que:


A

A TC de tórax sem contraste é recomendada a cada 3 meses nos primeiros 2 anos, seguida de intervalos semestrais por 1 ano e depois anuais por mais 2 anos.


B

A radiografia de tórax deve substituir a TC de tórax imediatamente após o término da quimioterapia para redução de exposição à radiação.


C

A avaliação do sítio primário por radiografia convencional é recomendada a cada 6 meses nos primeiros 2 anos e anualmente nos 3 anos seguintes


D

A PET/CT de corpo inteiro é o exame padrão para vigilância do sítio primário durante os primeiros 5 anos após o tratamento.


E

A cintilografia óssea com tecnécio-99 deve ser realizada semestralmente nos primeiros 3 anos de seguimento pós-tratamento.

Criança em quimioterapia apresenta trombocitopenia grave e refratariedade plaquetária. Nesse contexto, a alternativa que indica a conduta transfusional CORRETA é:


A

Transfusão de hemácias, para corrigir trombocitopenia.


B

Transfusão de plasma fresco congelado, para corrigir trombocitopenia.


C

Transfusão de plaquetas HLA compatíveis, reduzindo risco de refratariedade por aloimunização.


D

Transfusão de albumina, para corrigir trombocitopenia.


E

Transfusão de crioprecipitado, para corrigir trombocitopenia.

Um Oncologista pediátrico avalia um lactente de 6 meses com retinoblastoma bilateral avançado (Grupo D bilateral). Os pais questionam sobre o risco de retinoblastoma trilateral. Em relação a essa entidade, a estrutura anatômica do sistema nervoso central envolvida e a estratégia de rastreamento indicada são, CORRETA e respectivamente:


A

Hipotálamo; tomografia computadorizada de crânio anual até os 3 anos.


B

Tálamo; ressonância magnética de crânio anual até os 10 anos.


C

Cerebelo; ressonância magnética de crânio e coluna a cada 6 meses até os 5 anos.


D

Corpo caloso; ressonância magnética funcional anual até os 8 anos.


E

Glândula pineal; ressonância magnética de crânio a cada 6 meses até os 5 anos.

Criança de 9 anos com tumor de Wilms, em quimioterapia, apresenta perda ponderal de 8% em relação ao peso basal, com ingesta oral reduzida e sem resposta a orientação dietética e suplementos calóricos. Conforme o caso, a intervenção nutricional CORRETA deve ser:


A

Iniciar nutrição parenteral total por cateter venoso central.


B

Prescrever acetato de megestrol.


C

Instituir alimentação enteral por sonda nasogástrica.


D

Iniciar mirtazapina como estimulante de apetite com monitorização clínica.


E

Realizar gastrostomia endoscópica percutânea para suporte a longo prazo.

Criança de 7 anos apresenta hemiparesia progressiva à direita e crises convulsivas focais. A ressonância magnética evidencia lesão talâmica esquerda infiltrativa com áreas de necrose central, pseudopaliçada e células gigantes multinucleadas à histopatologia. A análise molecular revela mutação H3K27M. Segundo a classificação dessa neoplasia, assinale CORRETAMENTE:


A

A presença de mutação H3K27M é associada a glioma difuso de linha média grau IV, que abrange predominantemente gliomas pontinos e talâmicos difusos.


B

A mutação H3K27M é encontrada em gliomas de baixo grau (graus I e II) localizados em hemisférios cerebrais com prognóstico intermediário.


C

A mutação H3K27M é exclusiva de gliomas do tronco encefálico e não ocorre em tumores supratentoriais.


D

Gliomas com mutação H3K27M apresentam prognóstico favorável quando associados a morfologia de grau II-III, diferentemente dos gliomas de grau IV.


E

A mutação H3K27M envolve genes da histona 2A e 2B, sendo característica de oligodendrogliomas difusos pediátricos.

Lactente de 8 meses, em tratamento de leucemia mielóide aguda, evolui com febre de 39,2°C, contagem absoluta de neutrófilos de 0,08 × 10⁹/L e mucosite oral grau 3. Hemoculturas são colhidas de cada lúmen do cateter venoso central. Em relação à antibioticoterapia empírica inicial, assinale a conduta CORRETA:


A

Cefepima associada a vancomicina e metronidazol.


B

Meropenem em monoterapia com reavaliação em 48–72 horas.


C

Ceftazidima associada a tobramicina em esquema de dose fracionada.


D

Piperacilina-tazobactam em monoterapia.


E

Cefepima em monoterapia com adição de antifúngico empírico.

Um adolescente de 15 anos com linfoma de Hodgkin clássico é submetido a biópsia excisional de linfonodo cervical. A análise molecular das células de Reed-Sternberg revela rearranjos dos genes da região variável de imunoglobulinas. Sobre a biologia dessas células e o papel da via NF-κB na patogênese, a sequência de eventos que permite a evasão da apoptose pelas células RS envolve:


A

Produção eficiente de imunoglobulinas funcionais pelas células RS, ativando a via de sobrevivência autócrina mediada por BCL-xL.


B

Fosforilação de IκBs pelo complexo IKK, levando à degradação proteassomal de IκBs, liberação de dímeros de NF-κB e translocação nuclear com ativação transcricional.


C

Inativação constitutiva de NF-κB nas células precursoras B, impedindo a expressão de genes pró-apoptóticos dependentes de NF-κB.


D

Ligação direta de LMP2 do EBV ao complexo IKK, promovendo estabilização de IκBα e sequestro citoplasmático permanente de NF-κB.


E

Ativação de caspase 3 em níveis elevados nas células RS, promovendo resistência paradoxal à apoptose por retroalimentação negativa.

Criança de 5 anos apresenta macrocrania progressiva, irritabilidade e vômitos. Ao exame dermatológico, observam-se múltiplas máculas hipopigmentadas em folha de freixo e rabdomiomas cardíacos detectados ao ecocardiograma. A ressonância magnética de crânio revela lesão subependimária com crescimento progressivo. De acordo com o enunciado, a alternativa que apresenta CORRETAMENTE a síndrome genética, a neoplasia associada e a terapia-alvo é:


A

Neurofibromatose tipo 1, com astrocitoma subependimário de células gigantes responsivo a inibidores de BRAF.


B

Esclerose tuberosa, com astrocitoma subependimário de células gigantes responsivo ao inibidor de mTOR everolimo.


C

Síndrome de Von Hippel-Lindau, com hemangioblastoma subependimário responsivo a bevacizumabe.


D

Síndrome de Gorlin, com meduloblastoma desmoplásico responsivo a vismodegibe.


E

Síndrome de Li-Fraumeni, com carcinoma de plexo coroide responsivo a temozolomida.

Escolar de 6 anos é submetido a ressecção de tumor de fossa posterior. A histopatologia confirma meduloblastoma de subtipo clássico indiferenciado. A ressonância magnética pré-operatória de coluna demonstra nódulos leptomeníngeos captantes de gadolínio em coluna torácica e lombar. A citologia do líquor lombar é positiva para células neoplásicas. O resíduo tumoral pós-operatório mede 2,0 cm². A equipe planeja irradiação craniospinal. Acerca do caso, assinale CORRETAMENTE a estratificação de risco e a dose de radioterapia craniospinal indicada:


A

Risco padrão com irradiação craniospinal de 23,4 Gy e reforço no leito tumoral até 54 Gy.


B

Alto risco com irradiação craniospinal de 36 Gy e dose no tumor primário de 54 a 55,8 Gy.


C

Risco padrão com irradiação craniospinal de 18 Gy e reforço no leito tumoral até 54 Gy.


D

Alto risco com irradiação craniospinal de 23,4 Gy e reforço no leito tumoral até 60 Gy.


E

Risco padrão com irradiação craniospinal de 36 Gy e dose no tumor primário de 50 Gy.

Menino de 12 anos, submetido a TCTH alogênico de doador não aparentado há 9 meses para tratamento de LMA, desenvolve DECH crônica refratária a corticosteroides. A equipe considera terapia de resgate com sirolimus associado a tacrolimus. De acordo com o caso, o limite recomendado para a soma das concentrações séricas de sirolimus e tacrolimus em receptores de doadores não aparentados incompatíveis é:


A

2–4 ng/mL.


B

5-8 ng/mL.


C

8–12 ng/mL.


D

14-16 ng/mL.


E

16–20 ng/mL.

 
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