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Uma criança de 6 anos é levada à unidade de pronto atendimento após derramar água fervente sobre o braço esquerdo. Ao exame físico, apresenta área avermelhada, úmida, com formação de bolhas íntegras e dor intensa ao toque. O enchimento capilar está preservado e a criança chora à manipulação.
Com base na classificação das queimaduras quanto à profundidade, a lesão descrita é corretamente classificada como:
Queimadura de 1º grau, restrita à epiderme, geralmente indolor e sem formação de bolhas.
Queimadura de 2º grau profundo, com destruição completa da derme e ausência de dor local.
Queimadura de 2º grau superficial, acometendo epiderme e parte da derme, com bolhas e dor intensa.
Queimadura de 3º grau, caracterizada por lesão seca, esbranquiçada e indolor.
Uma criança chega à emergência com vômitos persistentes, dor abdominal intensa e sinais de desidratação. Exames iniciais revelam distensão abdominal e alterações hemodinâmicas. Considerando o manejo de emergências gastrointestinais em crianças, incluindo hemorragias, obstruções, intoxicações e choques, analise as estratégias de intervenção imediata e assinale a alternativa correta.
Intoxicações gastrointestinais leves não requerem vigilância clínica, pois os sintomas geralmente se resolvem espontaneamente sem necessidade de avaliação médica.
Em todas as crianças com hemorragia gastrointestinal aguda, a transfusão sanguínea deve ser evitada até que se identifique a causa endoscopicamente, pois pode agravar o quadro.
Em casos de obstrução intestinal suspeita, a administração de grandes volumes de laxantes pode ser usada como primeira conduta para aliviar o quadro, sem necessidade de avaliação cirúrgica.
Monitoramento hemodinâmico, reposição de líquidos intravenosos, estabilização respiratória e avaliação precoce por equipe cirúrgica são essenciais no manejo inicial de emergências gastrointestinais graves em crianças.
Uma criança de 4 anos com diagnóstico recente de doença celíaca apresenta episódios de dor abdominal e diarreia após ingestão de alimentos fora de casa. Os pais relatam dificuldade em identificar quais alimentos contêm glúten e em adaptar a rotina alimentar da família. Considerando a importância da educação de cuidadores para manejo seguro da criança, analise as estratégias de orientação nutricional e educativa aplicáveis ao caso e assinale a alternativa correta.
A criança deve ser deixada para escolher livremente os alimentos em casa e na escola, sem supervisão, pois a adesão à dieta não impacta diretamente sua saúde.
Educação estruturada aos pais e cuidadores sobre identificação de alimentos, leitura de rótulos, prevenção de contaminação cruzada e planejamento de refeições é fundamental para adesão ao tratamento e prevenção de complicações.
Orientar os pais apenas verbalmente sobre alimentos permitidos é suficiente, dispensando materiais escritos ou acompanhamento nutricional posterior.
Ajustes alimentares não são necessários em situações sociais ou em festas, já que a ingestão ocasional de alimentos potencialmente inadequados não apresenta risco clínico relevante.
Recém-nascido (RN) do sexo masculino, 38 semanas e 5 dias de gestação, peso ao nascer de 3.700 g, filho de mãe com diabetes melito gestacional. O parto foi realizado por cesariana eletiva, sem trabalho de parto. Com 1 hora de vida, o RN evolui com taquipneia (FR de 72 irpm), retrações leves e gemência expiratória discreta. Saturação de O₂ em ar ambiente de 95%. Radiografia de tórax mostra aumento da trama vascular pulmonar e hiperinsuflação. Não há sinais de infecção. Com base no quadro clínico, assinale a alternativa correta.
O quadro é compatível com síndrome do desconforto respiratório, que é causada por deficiência de surfactante.
A condição é autolimitada, geralmente se iniciando nas primeiras horas de vida e relacionada à depuração inadequada do líquido pulmonar.
O tratamento com diuréticos mostrou benefício comprovado na redução da duração dos sintomas.
O principal fator de risco presente nesse caso é a prematuridade.
A doença ocorre exclusivamente em RNs a termo precoce.
Sobre a fisiopatologia e os critérios diagnósticos da síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) em pediatria, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale alternativa com a sequência correta.
( ) A SDRA é caracterizada por inflamação pulmonar difusa, levando à quebra da barreira alveolocapilar, formação de edema intersticial e alveolar e hipoxemia refratária à oxigenoterapia.
( ) A lesão dos pneumócitos tipo II e a inativação do surfactante contribuem para o colabamento alveolar e a redução da capacidade residual funcional.
( ) A hipertensão pulmonar decorrente do aumento da resistência vascular pulmonar pode sobrecarregar o ventrículo direito e reduzir o débito cardíaco.
( ) A mortalidade pela SDRA em pediatria é baixa, raramente ultrapassando 10% dos casos, graças à ventilação mecânica convencional.
V – F – F – F.
F – V – F – V.
V – V – V – F.
F – V – V – F.
V – V – F – F.
Durante a prescrição eletrônica de medicamentos em um hospital pediátrico, um erro de digitação resultou na dose de um antibiótico dez vezes maior do que a prescrita. O sistema, porém, acionou um alerta automático de dose excessiva, e o erro foi corrigido antes que o medicamento fosse administrado ao paciente. Esse evento é classificado como
evento adverso grave.
quase erro (near miss).
evento sentinela.
erro de medicação com dano.
conduta inapropriada.
A resposta endócrino-metabólica ao trauma cirúrgico em recém-nascidos apresenta particularidades importantes quando comparada à em crianças maiores e adultos. Sobre essa resposta no período pós-operatório imediato, assinale a alternativa correta.
A elevação de interleucina-6 ocorre tardiamente, geralmente após 48 horas, e está pouco relacionada à gravidade do estresse cirúrgico no recém-nascido.
O aumento do gasto energético de repouso é sustentado e permanece elevado por vários dias após cirurgias sem complicações em neonatos.
A glicemia pós-operatória tende a permanecer estável, pois recém-nascidos possuem resposta hormonal mínima à dor e ao trauma.
A resposta hormonal ao trauma, incluindo elevação de epinefrina e norepinefrina, é mais rápida e tende a regredir mais precocemente nos recém-nascidos.
A excreção urinária de 3-metil-histidina permanece inalterada nos primeiros dias após grandes cirurgias neonatais, a menos que exista desnutrição prévia.
Recém-nascido de termo, parto vaginal, líquido amniótico claro, apresenta bom tônus, chora logo após o nascimento e respira espontaneamente. O profissional responsável pela assistência avalia que não há necessidade de manobras de reanimação. Considerando as recomendações atuais para o cuidado imediato ao recém-nascido de termo com boa vitalidade, qual deve ser a conduta adequada nesse momento?
Realizar aspiração de vias aéreas e clampear o cordão umbilical imediatamente após o nascimento, prevenindo aspiração de mecônio e anemia.
Separar o recém-nascido da mãe para secagem, avaliação e profilaxia ocular antes do início da amamentação.
Manter o contato pele a pele com a mãe, garantir a normotermia e realizar o clampeamento do cordão umbilical após, no mínimo, 60 segundos, estimulando o aleitamento na primeira hora de vida
Iniciar o banho logo após o nascimento para reduzir o risco de hipotermia e infecção.
Posicionar o recém-nascido em berço aquecido, observando saturação de oxigênio e frequência cardíaca por 10 minutos antes de iniciar o contato com a mãe.
Você está atendendo um paciente de 5 anos, encaminhado por distensão abdominal que, segundo os pais, iniciou com distensão e dor abdominal frequentes há cerca de 6 meses. Os pais notam que os sintomas pioram quando o filho come massas e pães, e a mãe está com medo de que ele seja celíaco, pois um colega da escola abriu o quadro com os mesmos sintomas. Ao exame físico, P 18 kg (z score -0,21), E 100 cm (z score -2,25), abdome distendido, sem outras alterações em exame físico.
Você solicita exames para investigação inicial do quadro: Hb 13,1; PCR 0,01; plaquetas 450.000; Antitransglutaminase IgA 0,2 (VR < 20); IgA 12 (VR 20 – 110); glicemia 88; TSH 1,12 (VR 0,6 – 5,4). Considerando os resultados desses exames, qual é a conduta mais adequada?
Solicitar antigliadina IgA e antiendomísio IgA para complementação diagnóstica.
Tranquilizar os pais quanto a não se tratar de doença celíaca e prosseguir a investigação da distensão abdominal.
Solicitar antigliadina deaminada IgG e, se positivo, solicitar endoscopia digestiva alta com biópsias.
Orientar reduzir ingestão de glúten por quadro sugestivo de sensibilidade ao glúten não celíaca.
Solicitar calprotectina fecal.
Paciente do sexo feminino, 5 anos, é atendida no pronto-socorro com dor abdominal em cólica há três dias, associada à artralgia em punhos e tornozelos. Há relato de manchas arroxeadas, palpáveis, distribuídas principalmente em membros inferiores, variando de milímetros a 3 cm, que não desaparecem à digitopressão. No histórico recente, foi atendida há duas semanas com quadro de tosse, rinorreia e dispneia, e recebeu amoxicilina, utilizada por 10 dias, encerrada há cinco dias. Antecedentes pessoais: asma e dermatite atópica.
Acerca desse quadro, assinale a alternativa correta.
É necessária biópsia das lesões para confirmação diagnóstica.
Deve ser prescrita corticoterapia, considerando os diagnósticos mais prováveis.
Trata-se de provável doença de Kawasaki, devendo ser solicitado ecocardiograma.
A hipótese diagnóstica mais provável é de farmacodermia secundária ao uso de amoxicilina.
Trata-se de vasculite por IgA e a conduta no momento deve ser expectante.
Lactente de 8 meses é admitido em pronto atendimento com febre alta, irritabilidade e abaulamento de fontanela. O líquor revela pleocitose, hipoglicorraquia e aumento de proteínas, compatível com meningite bacteriana.
Considerando a idade da criança e a epidemiologia atual das meningites no Brasil, qual é o agente etiológico mais provável nesse caso?
Streptococcus pneumoniae.
Listeria monocytogenes.
Neisseria meningitidis.
Escherichia coli.
Haemophilus influenzae tipo b.
Uma criança de 3 anos foi internada com pneumonia adquirida na comunidade (PAC). Considerando a idade e a apresentação clínica de uma pneumonia sem gravidade, com tosse e febre moderada, mas sem sinais de toxemia, são levantadas possibilidades sobre o agente etiológico mais provável. Com base no caso relatado, nas evidências epidemiológicas e na faixa etária da criança, assinale a alternativa correta.
As pneumonias nessa faixa etária são predominantemente causadas por Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae, sendo as infecções virais incomuns.
Em crianças especialmente até os 2 anos, os vírus respiratórios — como o vírus sincicial respiratório (VSR) e o influenza — são as causas mais frequentes de PAC.
As infecções bacterianas por Staphylococcus aureus predominam na maioria dos casos de PAC em escolares e adolescentes.
A etiologia viral é restrita ao período neonatal, sendo substituída completamente por agentes bacterianos após os 6 meses de idade.
As coinfecções vírus-bactéria são eventos raros e sem relevância clínica na infância.
Criança de 8 anos é atendida no pronto atendimento com história de febre, tosse seca e dor abdominal há 5 dias. Evolui com piora progressiva, apresentando dispneia, cianose labial e saturação de oxigênio de 90% em ar ambiente. A tomografia de tórax evidencia áreas de consolidação bilateral. Considerando os critérios clínicos de gravidade da COVID-19 em pediatria e a diferenciação em relação às Pneumonias Adquiridas na Comunidade (PAC) de outras etiologias, assinale a alternativa correta.
O quadro descrito é compatível com infecção assintomática por SARS-CoV-2, pois a saturação de oxigênio é pouco reduzida.
O caso deve ser classificado como doença leve, pois a criança apresenta apenas febre e sintomas respiratórios sem alterações sistêmicas.
O achado de consolidação bilateral com sintomas gastrointestinais caracteriza forma moderada de COVID-19, sem necessidade de internação.
Os critérios de gravidade em crianças incluem febre e tosse persistentes, independentemente de sinais de hipoxemia ou dispneia.
A presença de dispneia, cianose e saturação de oxigênio < 92% define COVID-19 grave, sendo indicada hospitalização e monitoramento intensivo.
Lactente, 45 dias de vida, é levado ao pronto-socorro por quadro de febre há mais de 24 horas, vômitos, diarreia, recusa alimentar e irritabilidade. Ao exame clínico, não se determina foco para a febre; exame de urina apresenta 10 leucócitos por campo de grande aumento, nitrito positivo e bactérias abundantes. Diante do quadro clínico descrito, é correto afirmar que é recomendado
aguardar urocultura para tratamento, pois é o exame padrão-ouro para definição diagnóstica.
tratamento com antibiótico oral cefalexina.
tratamento com antibiótico oral nitrofurantoína.
tratamento com antibiótico oral cefaclor.
internamento hospitalar.
Em relação às estratégias de prevenção de doenças respiratórias na infância, assinale a alternativa correta de acordo com as evidências atuais.
A prevenção baseia-se exclusivamente em esquemas vacinais, não havendo impacto relevante de medidas comportamentais.
A amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida reduz a incidência e a gravidade das infecções respiratórias.
A exposição precoce ao tabagismo passivo não interfere no risco de infecções respiratórias.
Medidas de higiene das mãos têm impacto restrito ao ambiente hospitalar.
Estratégias de prevenção não modificam taxas de hospitalização por infecções respiratórias.
Sobre o aleitamento materno, é correto afirmar que
não é considerado alimento ideal para os primeiros 6 meses de vida.
o leite materno carece de alguns nutrientes, sendo necessário suplementação com fórmula infantil.
o lactente alimentado exclusivamente com leite materno nos primeiros 6 meses apresenta maior morbidade em relação a quadros infecciosos.
nas primeiras 4 semanas após o parto, o leite materno apresenta alta concentração de nitrogênio, proteínas com funções imunológicas, lipídeos totais, ácidos graxos, vitamina A, D e E, além do cálcio.
o aleitamento materno não contribui para o desenvolvimento da arcada dentária.
Em pediatria, a maioria dos quadros de constipação são funcionais, e sua definição está nos critérios de Roma IV. Qual característica é necessária para o diagnóstico de constipação funcional em crianças com desenvolvimento maior que 4 anos?
Frequência evacuatória de pelo menos 4 vezes por semana.
Pelo menos um episódio de incontinência fecal por mês.
Evidência de fezes nos cólons no RX de abdome.
Histórico de comportamento de retenção excessiva ou postura retentiva.
Presença de fissura anal em todas as evacuações.
Sobre a HAI na infância, assinale a alternativa correta.
O tipo 2 é mais comum em adolescentes do sexo masculino.
A apresentação clínica é insidiosa, nunca cursando com insuficiência hepática aguda.
O tratamento de escolha inicial envolve a combinação de prednisolona e azatioprina.
A gamaglobulina costuma estar reduzida no diagnóstico.
Ao contrário dos adultos, a HAI pediátrica raramente evolui para cirrose.
Um lactente de 2 meses de idade, em aleitamento materno exclusivo, apresenta hematoquezia e diarreia, mantendo adequado ganho de peso e estatura. Ao exame físico, não apresenta alterações significativas. Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta inicial?
Proctocolite alérgica – manter aleitamento materno e dieta de exclusão de lactose e ovo para a mãe.
Fissura anal – iniciar uso de pomadas cicatrizantes e corticoides tópicos.
Enterocolite induzida por proteína alimentar – suspender aleitamento e iniciar fórmula de soja.
Intolerância à lactose – prescrever enzima lactase para o lactente.
Proctocolite alérgica – manter aleitamento materno e dieta de exclusão de leite e derivados para a mãe.
O coeficiente de correlação de Pearson (r) é uma medida que estabelece o grau de correlação linear entre duas variáveis numéricas. Como regra prática que serve como primeira aproximação para julgar o valor de r, uma correlação perfeita positiva poderia ser representada por:
r ≥ 10.
r = 0,10.
r = +1.
0 < r < 1.
r = 0,50.