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[...] A centralidade da comunicação museológica está na recepção, posto que não se inicia e tampouco encerra-se no museu, mas no meio cultural e no cotidiano das pessoas. Isso não diminui o papel do museu, e da exposição, mas o recoloca em outros termos, sobretudo no que se refere à integração do processo comunicacional entre as condições de produção, veiculação de mensagens e recepção. Os estudos de recepção, por sua vez, viabilizam o entendimento de como os processos comunicacionais engendrados pelos museus aproximam-se ou distanciam-se da cultura, partindo do pressuposto que cada visitante é um representante da cultura que vive.
(MARTIN-BARBERO, Jesus. 1997.)
No excerto anterior, que considera que “cada visitante é um representante da cultura que vive”, percebe-se uma concepção mais democrática da museologia. Trata-se de uma característica
do modelo hegemônico de museus, que, apesar de praticamente extinto, procura priorizar o público e suas expectativas.
da museologia crítica, que, entre outros fatores, recorre aos estudos de público, e se aproxima mais das preocupações com a comunicação.
da chamada museologia social, que ganha corpo a partir da década de 1990 e coloca em xeque a necessidade da existência de fato de museus.
do “Meta museu”, aquele que é totalmente interativo e dispensa por completo qualquer equipe museológica, sendo o público o hábil articulador do processo.
Nos Museus, o acervo arquivístico pode ser acessado por pesquisadores e usuários externos da instituição. Assinale a alternativa INCORRETA acerca dos procedimentos para acessar estes materiais:
Os itens cujo manuseio não é recomendado por serem frágeis devem estar claramente identificados.
Todos os pesquisadores devem utilizar luvas adequadas para o manuseio de materiais.
Os pesquisadores podem levar garrafas de água para consumo, desde que estejam com tampa.
É imperativo a existência de avisos sobre as regras de manuseio e proibições de atitudes durante o manuseio dos materiais.
A interdisciplinaridade na Museologia, embora fundamental para a compreensão da complexidade do patrimônio cultural, apresenta desafios na sua aplicação prática. Um desses desafios é:
A dificuldade de estabelecer um diálogo horizontal entre diferentes áreas do conhecimento, muitas vezes marcadas por hierarquias e disputas de poder no campo acadêmico.
A falta de recursos financeiros e humanos para desenvolver projetos interdisciplinares, que demandam equipes multidisciplinares e investimentos em pesquisa e formação continuada.
A resistência de alguns profissionais da área, que defendem a especificidade da Museologia e a autonomia de seus métodos e teorias em relação a outras disciplinas.
A necessidade de adaptar a linguagem e os formatos de comunicação para públicos diversos, que possuem diferentes níveis de conhecimento e interesse em relação aos temas abordados.
A pesquisa museológica, como prática fundamental para a gestão de acervos e o desenvolvimento de exposições, exige do museólogo:
A busca por informações em fontes secundárias, como catálogos e publicações, priorizando a rapidez e a praticidade na coleta de dados.
A aplicação de métodos de pesquisa quantitativos, como questionários e entrevistas estruturadas, para obter resultados objetivos e generalizáveis.
A elaboração de projetos de pesquisa com objetivos claros e perguntas norteadoras, utilizando métodos e técnicas adequados à natureza do objeto de estudo.
A divulgação dos resultados da pesquisa em relatórios técnicos e artigos científicos, direcionados a um público especializado, sem preocupação com a comunicação para o público em geral.
O museólogo tcheco Zbynek Zbyslav Stránský é expoente no processo de constituição da Museologia disciplinar no leste europeu, tendo suas perspectivas teóricas circulado internacionalmente, inclusive no Brasil.
Qual é o diferencial referente ao seu pensamento, especialmente no período entre 1965 e 1995?
Delineia a fundamentação necessária para o campo museológico, integrando teoria e prática e pautando como conceitos-chaves musealia, musealidade e musealização para entendimento do processo de atribuição de valor às coisas, tendo sua metateoria constituído o início de uma reflexão científica e social para a Museologia.
Desloca o foco dos estudos dos conceitos-chaves de musealia, musealidade e musealização para colocar os museus como centro do ramo de conhecimentos e práticas específicos, tendo sua metateoria constituído o início de uma reflexão científica e social para a Museologia.
Inaugura uma escola museológica de pensamento ao colocar os objetos sob a guarda dos museus como centro do ramo de conhecimentos e práticas específicos, que foi chamado de Museologia, provocando, assim, o despertar de uma consciência teórica, atualmente indispensável para qualquer estudo nessa área.
Inaugura uma escola museológica de pensamento ao definir que o objeto de estudo da Museologia são os museus em si e os objetos sob sua guarda, inferindo que a configuração de representações a partir dos objetos musealizados privilegia a sintaxe documental e expositiva.
Cunha o conceito de musealidade, no âmbito de sua metateoria, desenvolvida especificamente para o campo da Museologia, modificando esse conceito ao longo dos anos, deixando progressivamente de pensá-lo como a própria orientação específica do valor para interpretá-lo como uma categoria de valor.
A Etnografia teve grande impacto no campo museológico, especialmente no que se refere à maneira como as culturas são representadas e interpretadas nos museus. Considerando as contribuições de antropólogos como Franz Boas e Bronislaw Malinowski, além do desenvolvimento da Etnografia como uma ciência da alteridade, qual das afirmativas abaixo reflete de forma mais precisa essa evolução nas práticas museológicas?
A abordagem etnográfica nos museus contemporâneos, influenciada por Malinowski, consolidou-se pela valorização da pesquisa evolutiva, que permite a comparação objetiva entre diferentes estágios de desenvolvimento cultural, reafirmando a relevância da cultura ocidental sobre as demais.
Os museus etnográficos modernos, influenciados pela metodologia de campo de Boas e Malinowski, passaram a incorporar a observação participante como princípio central, enfatizando uma abordagem êmica que busca representar a totalidade das culturas estudadas e promover o entendimento a partir da perspectiva dos próprios grupos sociais, em vez de meramente expor objetos descontextualizados.
A influência de Franz Boas nos museus etnográficos não limitou-se à catalogação e descrição meticulosa de artefatos, promovendo uma integração efetiva entre a pesquisa etnográfica de campo e as práticas expositivas, ancoradas em uma abordagem externa e descritiva.
A revolução metodológica trazida por Malinowski no início do século XX foi responsável por introduzir nos museus etnográficos uma visão positivista, na qual os dados de campo são tratados de forma objetiva, e os museus atuam como receptores e organizadores de informações fornecidas por observadores externos.
Uma instituição pública arquivística possui um vasto acervo de documentos históricos, mas enfrenta o desafio de torná-los acessíveis ao público e aos pesquisadores. O acervo ainda não está completamente organizado, e a administração precisa criar um instrumento de pesquisa que ofereça uma visão geral dos documentos disponíveis. A intenção é que esse instrumento sirva como um primeiro ponto de contato, orientando os usuários sobre o conteúdo do acervo e facilitando a compreensão do conjunto dos serviços arquivísticos oferecidos pela instituição. A equipe de arquivistas considera várias opções para criar esse instrumento de pesquisa, mas o principal objetivo é proporcionar uma visão global do acervo, utilizando uma linguagem acessível para um público diverso, desde estudantes a pesquisadores especializados. Qual instrumento de pesquisa seria o mais adequado para atender às necessidades da instituição, proporcionando uma visão geral do acervo e sendo o primeiro a ser elaborado?
Guia.
Inventário.
Catálogo.
Repertório.
Sobre a pesquisa museológica, é correto afirmar que
devido a seu caráter teórico, não é prevista no detalhamento dos programas do Plano Museológico na Lei nº 11.904/09.
ao ser realizada por pesquisadores externos ao museu, não integra a cadeia operatória da museologia.
quando realizada por pesquisadores do museu, visa especificamente ao planejamento de exposições, em que os objetos precisam ser significados no contexto de determinada narrativa expográfica.
sem pesquisa precedente e reflexão sobre o acervo, as exposições se transformam em eventos de mera transmissão de informações sobre os atributos intrínsecos dos objetos, destituídas de proposta conceitual.
é necessária, principalmente, para identificar as informações intrínsecas dos objetos que compõem o acervo do museu, visando à construção do conhecimento museológico.
A PNM reconhece a importância da pesquisa e da documentação para o desenvolvimento do campo museal, incentivando a produção de conhecimento sobre o patrimônio cultural e a sua relação com a sociedade. Nesse sentido, a política busca:
Criar um sistema nacional de informação museológica, integrando os acervos e os dados de todos os museus brasileiros, a fim de facilitar o acesso e a pesquisa por parte de profissionais e do público em geral.
Priorizar o financiamento de pesquisas acadêmicas sobre museologia, em detrimento de pesquisas aplicadas e de caráter interdisciplinar, que envolvam outras áreas do conhecimento.
Limitar o acesso de pesquisadores externos aos acervos dos museus, a fim de proteger os bens culturais e garantir a sua preservação para as futuras gerações.
Desestimular a produção de publicações e materiais educativos pelos museus, a fim de evitar a duplicação de esforços e a dispersão de recursos.
O museu é um espaço dialógico e a pesquisa de perfil é fundamental para conhecer seu público. Existem inúmeras metodologias para entender e saber quem é o público (net promoter score, bilheteria, questionário), porém, todas precisam seguir um passo a passo, que é:
levantamento – identificação – análise – conclusão;
organização – investigação – análise – comunicação;
preparação – coleta – consolidação e análise – extroversão e uso dos dados;
mapeamento – categorização – gestão de dados;
concepção – organização – aplicação – avaliação.
A gestão técnica é um conjunto de ações voltadas para alcançar a eficácia das áreas finalísticas do museu, garantindo assim a consolidação do seu tripé conceitual, composto por
preservação, pesquisa e comunicação.
seleção, aquisição e salvaguarda.
salvaguarda, exposição e programação cultural.
documentação, exposição e publicações.
documentação, salvaguarda e conservação.
A museóloga Waldisa Guarnieri definiu como objeto de estudo da Museologia a relação profunda entre o Homem (sujeito que conhece) e o Objeto (fração e testemunho da realidade de que o Homem também participa), em um determinado cenário: o museu. Nessa perspectiva, o objeto de estudo da Museologia, segundo a autora, denomina-se:
Processo de musealização.
Musealidade.
Museália.
Fato museal.
Museificação.
O museu tem sua origem no colecionismo e sua institucionalização foi lenta e gradual. De local reservado para expor a poucas pessoas coleções particulares, transformou-se na instituição voltada para a comunicação do patrimônio cultural preservado. A definição de museologia adotada internacionalmente classifica a museologia como
o estudo da organização e sustentabilidade de museus.
a implementação e integração de um conjunto de atividades visando ao uso da herança cultural e natural.
o estudo dos objetos do museu.
o estudo dos aspectos técnicos do museu, ou seja, a instalação das coleções, o clima, a arquitetura do edifício, os aspectos administrativos e demais atividades de rotina ao universo dos museus.
o estudo da relação específica do homem com a realidade, ou ainda, da relação entre o homem e o objeto cultural em um cenário.
A pesquisa sistemática sobre o perfil de público do museu é um importante subsídio para a definição dos programas, projetos e ações museológicas e, em geral, ocorre por meio de questionários. Os profissionais de museus responsáveis pela aplicação dos questionários devem
posicionar-se na entrada das exposições, evitando abordar o público quando este já estiver cansado e saindo do museu.
focar nos públicos das exposições temporárias e itinerantes, pois elas são a principal atividade de comunicação do museu.
imprimir e tirar cópias de uma quantidade pré-definida de questionários e providenciar todo o material necessário, como pranchetas, canetas e identificação para os pesquisadores.
realizar questionários diferenciados para cada tipologia de público.
evitar abordar grupos grandes para garantir que a resposta seja dada de forma individual.
Peter Van Mensch, grande teórico de Teoria Museológica no Icom e professor da Reinwardt Academy – Museology Department of the Amsterdam University, identifica três matrizes para a abordagem dos objetos museológicos como portadores de informações necessárias para ações de preservação, pesquisa e comunicação, as quais redimensionam o papel da documentação dentro dos museus.
São elas, respectivamente:
propriedades físicas; funções e significados; história;
nome do objeto; classe; categoria;
título do objeto; descrição; assuntos;
referente; características do objeto; termo;
significado; características do objeto; conceito.
O museu é uma instituição complexa, com diferentes áreas atuando internamente e concomitantemente para que ele possa cumprir com suas funções de pesquisa, seleção, documentação-conservação (salvaguarda) e difusão-educação (comunicação). Considerando a realidade dos museus brasileiros, indique as consequências do desequilíbrio entre as áreas da pesquisa e da comunicação:
a falta de perspectiva para a aquisição de novos acervos devido ao baixo apoio das empresas privadas.
de um lado o país conta com museus de pesquisa com seus importantes acervos e pouco público se comparado com os museus “de grande público” e suas grandes exposições, mas que não se destacam pela produção de conhecimento científico.
a pesquisa é de responsabilidade dos museus acadêmicos, que devem receber um investimento maior do poder público para suas as ações de comunicação.
a pesquisa de público é fundamental para que os museus possam se organizar em torno de temas que despertem o interesse do grande público, aumentando, assim, o alcance de suas ações, ainda que isso exija o descarte e aquisição de novos acervos, mais condizentes com a expectativa do público.
na contemporaneidade esse equilíbrio entre a pesquisa e a comunicação não é factível, exigindo que os museus escolham com qual delas pretendem atuar.
No texto intitulado “A pesquisa no museu e sobre o museu”, de Vinos Sofka, é ressaltado que a pesquisa científica nos museus:
é uma das ações primordiais.
deve ser restrita às coleções.
ocorre em museus específicos.
é secundária para a instituição.
define a abordagem das ações educativas.
A análise e levantamento de temas podem orientar o conteúdo da exposição.
Uma das etapas mais importantes na definição do que será exposto é a_____________ , que pode ser histórica, antropológica, ________________ , tecnológica, de conceitos e outras, e que vai fundamentar as diversas escolhas que serão feitas durante todo o processo.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
temática • social
pesquisa • cultural
conceituação • virtual
periodização • econômica
fundamentação • metodológica
Sobre o museu como espaço de pesquisa, ensino e extensão está correto afirmar que
os museus universitários estão estritamente ligados às funções de ensino, extensão e pesquisa tanto quanto são caracterizados como instituições culturais onde essencialmente se desenvolvem os processos museológicos.
os museus são instituições culturais onde o processo educativo é priorizado em relação às atividades de extensão.
no âmbito das instituições museológicas, a pesquisa e a extensão estão fundamentadas nas atividades educativas.
os museus como espaços culturais buscam harmonizar as três funções: pesquisa, extensão e ensino.
os museus universitários estão centrados na realização de pesquisa em detrimento do ensino e da extensão.
Segundo Marília Xavier Cury, estabelecer uma cultura de avaliação é fundamental para o desenvolvimento dos museus, funcionando como ferramenta de aprimoramento e aperfeiçoamento das práticas e refinamento profissional. Para Cury, a avaliação deve ser compreendida como “um meio para um fim”. Nessa perspectiva, a autora propõe seis tipos de avaliação voltadas em específico para as exposições museológicas. O tipo de avaliação que analisa a interação entre a exposição e o público por meio de pesquisas de recepção denomina-se:
Avaliação Técnica.
Avaliação Formativa.
Avaliação Somativa.
Avaliação Conceitual.
Avaliação Corretiva.