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AutopsicografiaO poeta é um fingidorFinge tão completamenteQue chega a fingir que é dor...

Autopsicografia

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

(PESSOA, Fernando. Autopsicografia. In: PESSOA, Fernando. Poesias. Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor. 15. ed. Lisboa: Ática, 1995. p. 235.)

Fernando Pessoa é um dos poetas mais reconhecidos da literatura portuguesa. Sua obra é marcada pela multiplicidade de heterônimos e pela profundidade com que explora a alma humana. Pessoa é conhecido por sua capacidade de criar personagens fictícios com vidas e estilos literários próprios, o que lhe permitiu expressar diferentes visões de mundo. Ele é frequentemente associado ao Modernismo português, um movimento que buscava romper com as tradições e experimentar novas formas de expressão poética. Com base no poema “Autopsicografia” e na contextualização da obra de Fernando Pessoa, é possível inferir que o autor:


A

Considera que a poesia é uma forma de registrar os acontecimentos sociais e históricos de seu tempo.


B

Expressa a ideia de que o poeta sente a dor de maneira mais intensa e verdadeira do que as outras pessoas.


C

Apresenta uma visão romântica sobre a expressão dos sentimentos pessoais e a sinceridade emocional na poesia.


D

Defende que o poeta utiliza a sua habilidade de fingir para transformar sentimentos verdadeiros em obras de arte que provocam emoções nos leitores.