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Leia o texto a seguir.


Obviamente, o papel de uma educadora crítica, amorosa da liberdade, não é impor ao educando o seu gosto da liberdade, a sua radical recusa à ordem desumanizante; não é dizer que só existe uma forma de ler o mundo, que é a sua. O seu papel, contudo, não se encerra no ensino, não importa que o mais competente possível, de sua disciplina. Ao testemunhar a seriedade com que trabalha, a rigorosidade ética no trato com as pessoas e dos fatos, a professora progressista não pode silenciar diante da afirmação de que “os favelados são os grandes responsáveis por sua miséria” [...]. A educadora progressista não se permite a dúvida em torno do direito, de um lado, que os meninos e as meninas do povo têm de saber a mesma matemática, a mesma física, a mesma biologia que os meninos e as meninas das “zonas felizes” da cidade aprendem, mas, de outro, jamais aceita que o ensino de não importa qual conteúdo possa dar-se alheado da análise crítica de como funciona a sociedade.


FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Unesp, 2000, p. 22.


O extrato acima apresenta diversos aspectos próprios à pedagogia de Paulo Freire, educador brasileiro cuja obra é mundialmente reconhecida. Considerando o referido extrato, é possível afirmar que a concepção pedagógica freireana se caracteriza por


A

afirmar o caráter reprodutor das relações sociais capitalistas de dominação de classe no interior das diversas instituições, concebendo a escola como aparelho ideológico do Estado e os educadores como meros agentes desses mecanismos de dominação.


B

reconhecer que o processo de ensinar e aprender envolve e exige que se considere os contextos e as histórias de vida dos educandos, tomando-os como ponto de partida em direção a uma educação dialógica que favoreça o aprendizado escolar, a leitura crítica do mundo e a autonomia.


C

associar de maneira inédita a alfabetização ao processo educativo de jovens e adultos trabalhadores, cujo propósito pedagógico é a estrita aquisição da competência cognitiva, circunscrevendo o que os educandos devem aprender aos conteúdos escolares.


D

defender que o aprendizado escolar é essencialmente um ato de liberdade expresso na dimensão política da educação, o que implica reconhecer como secundário o conteúdo das disciplinas escolares, a organização do trabalho pedagógico da escola e o lugar do professor no processo de ensino-aprendizagem.