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O debate sobre gênero produziu diferentes respostas para explicar as diferenças e desigualdades entre homens e mulheres. Considerando essa diversidade de respostas, a afirmação que está corretamente relacionada a argumentos essencialistas é:
A especialização de gênero, no espaço público e privado, reforça as diferenças e desigualdades de gênero.
Em uma sociedade patriarcal, os homens reservam para si os espaços de poder.
As diferenças sexuais são a base das distintas formas de percepção entre homens e mulheres.
As instituições sociais têm um papel fundamental no reforço das diferenças de gênero.
“A participação masculina na capoeira é comumente tratada nos livros. Hoje novas pesquisas vêm mostrando a mulher como protagonista dessa prática também nos séculos XIX e XX, mesmo que de forma discreta: ‘Alguns registros existem sobre as mulheres neste universo, como é o caso de Salomé, personagem da memória da capoeira baiana’”. (SILVA, 2015; p.05)
Assinale a alternativa correta acerca da afirmação acima:
Tal descuido se justifica apenas pelo fator objetivo de menos mulheres serem capoeiristas
O fragmento é uma denúncia de como o conhecimento é também meio de reafirmação e reprodução de segregações de gênero
Devido a neutralidade científica a produção intelectual acadêmica está imune a deturpações de gênero
As técnicas de luta são naturalmente artes do fazer masculino, ligadas ao fator biológico do extinto protetor
Por ser a capoeira amplamente difundida poucos estudos sobre a mesma necessitaram ser desenvolvidas, uma vez que se trata de um “domínio popular”
“[…] a tese da dissociação-valor, em síntese, afirma que o feminino, o trabalho de casa etc. sofre uma “dissociação” [Abspaltung] do valor, do trabalho abstracto e das formas de racionalidade que lhe estão ligadas, sendo que determinadas qualidades com conotação feminina como sensibilidade, emocionalidade etc. são atribuídas à mulher; ao homem, pelo contrário, compete a força do entendimento, a fortaleza de carácter, a coragem etc. No desenvolvimento moderno, o homem foi equiparado com a cultura, a mulher com a natureza. Valor e dissociação estão assim numa relação dialéctica recíproca”. (SCHOLZ, 2000; s/p)
Com base na citação acima, assinale a alternativa correta:
Este tipo de abordagem busca nas expressões culturais a base fundamental de suas análises
A questão de gênero tem como principal foco a crítica à não equivalência dos trabalhos masculinos e femininos
A questão de gêneros é entendida pela autora como um fato ontológico e, portanto, a-histórico
A produção de “valor” é remetida na atual sociedade ao âmbito masculino, enquanto que a esfera dissociada remete a figura feminina
Tarefas como as de educar e cuidar são, para a autora, passíveis apenas de serem realizadas por mulheres
Até os doze anos a menina é tão robusta quanto os irmãos e manifesta as mesmas capacidades intelectuais; não há terreno em que lhe seja proibido rivalizar com eles. Se, bem antes da puberdade e, às vezes, mesmo desde a primeira infância, ela já se apresenta como sexualmente especificada, não é porque misteriosos instintos a destinem imediatamente à passividade, ao coquetismo, à maternidade: é porque a intervenção de outrem na vida da criança é quase original e desde seus primeiros anos sua vocação lhe é imperiosamente insuflada.
(BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo (Vol. 2). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980, p. 9-10.)
Os estudos de Simone de Beauvoir (1908-1986) contribuíram incontestavelmente para os debates acerca da situação da mulher e a luta para a igualdade de gênero. A partir do trecho acima, assinale a opção que melhor demonstra o problema apresentado pela filósofa.
Beauvoir afirma a distinção entre os sexos e inaugura o pensamento de uma feminilidade que faz parte da condição humana da mulher. A natureza feminina é que compõe seu ser enquanto mulher.
Beauvoir discute a consolidação da posição social da mulher, pois, biológica e psiquicamente suas distinções se apresentam de forma clara para um tratamento diferenciado em relação aos homens.
Não há, para Beauvoir, qualidades, valores, modos de vida especificamente femininos. Esse é um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas.
A ideia de que “ninguém nasce mulher: torna-se mulher” representa o ápice da filosofia feminista presente em O segundo sexo, afirmando que, por natureza, qualquer um pode-se tornar mulher socialmente.
Em uma das obras fundantes do feminismo contemporâneo, O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir (1949) constatava a existência de uma relação direta entre o controle dos recursos materiais pelos homens e o valor diferenciado de mulheres e homens, o prestígio social do casamento e o fato de que “elas ainda se encontravam em situação de vassalas” (BEAUVOIR, 1949, p. 211). De lá para cá, as sociedades ocidentais que foram objeto de observações de Beauvoir passaram por transformações profundas no que diz respeito à posição social da mulher, EXCETO:
O controle dos recursos está hoje, em muitos sentidos, menos restrito aos homens do que em momentos anteriores.
O prestígio social do casamento parece ter decrescido na mesma medida em que as formas assumidas pelos arranjos familiares se diversificam.
Houve transformações importantes nos valores predominantes e nas expectativas sociais relativas à ideologia de gênero no sentido da eliminação da hierarquia entre mulheres e homens.
Uma maior profissionalização das mulheres e de seu acesso, também ampliado em relação ao contexto de meados do século XX, a posições de poder, no mundo do trabalho e no mundo da política.
O acesso facilitado a meios para o controle da natalidade, como a pílula anticoncepcional, os passos dados para a desnaturalização da dupla moral sexual e doméstica, vinculados ao impacto do acesso ampliado das mulheres ao trabalho remunerado, permitem que se reposicionem nas diferentes esferas da vida social.
Uma das conseqüências da generalização do trabalho em serviços é a feminilização do mercado de trabalho nas cidades, que resultou na equalização dos níveis salariais de homens e mulheres.
A partir do conteúdo do texto abaixo considerar a incoerência de uma das opções que dele se deduz.
A esfera feminina situa-se no âmbito doméstico privado, da produção de valores de uso para o consumo do grupo familiar, da reprodução da espécie e do cuidado das crianças, dos velhos e dos incapazes.
As atividades de produção social e de direção da sociedade, desempenhadas no espaço público, são atribuições masculinas.
A distinção entre trabalho de homens e de mulheres expressa atributos e capacidades inatas aos indivíduos, diferentes em homens e em mulheres.
Os estereótipos de ser homem e de ser mulher sustentam e legitimam a divisão sexual do trabalho.
As mulheres são mais vulneráveis à repressão da organização do processo de trabalho taylorista.