Questões de Concurso sobre Habitus

 
 
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As pesquisas sociológicas conduzidas por Pierre Bourdieu sobre os museus e o consumo cultural nos anos 1960-70 na França lhe permitiram forjar os conceitos de “habitus” e “capital cultural”, duas categorias de análise importantes para analisar as políticas de democratização cultural.


A esse respeito, assinale a afirmativa que caracteriza corretamente um desses conceitos.


A

Habitus é o conjunto das predisposições e dos esquemas de pensamento que mediam as escolhas dos indivíduos.


B

Capital cultural é a soma dos recursos disponíveis aos indivíduos, como a rede de relações institucionalizadas de conhecimento mútuo e reconhecimento à qual pertence.


C

Habitus é a imposição mecânica de uma visão de mundo e de valores que determinam as decisões individuais.


D

Capital cultural é relacionado à honra, ao ato de reconhecimento da comunidade que consolida as dinâmicas de pertencimento dos indivíduos.


E

Habitus é o modo inato de conceber, entender, sentir e julgar a realidade, própria de um indivíduo ou de um grupo

É um sistema de disposições duráveis e transferíveis que, integrando todas as experiências passadas, funciona, a cada momento, como uma matriz de percepções, apreciações e ações, e torna possível a realização de tarefas infinitamente diferenciadas, graças às correções incessantes dos resultados obtidos, dialeticamente produzidas por estes resultados.

-

O trecho acima caracteriza um conceito sociológico de Pierre Bourdieu denominado


A

agência.


B

desvio.


C

habitus.


D

mobilidade.


E

poder.

Certos sociólogos enfatizam a consciência dos agentes individuais de que os outros esperam que se comportem de maneira adequada ao seu contexto social imediato. Pierre Boudieu, Anthony Giddens e Jürgen Habermas combinam uma preocupação com os estoques de conhecimento que os agentes possuem com uma ênfase nas origens e bases sociais das instruções e disposições gerais dadas aos atores.


SCOTT, J. (org.). Sociologia, conceitos-chave. Rio de Janeiro: Zahar, 2010. (Adaptado)


Essa concepção intermediária dos atores, da ação e da agência é exemplificada corretamente pelo conceito de


A

consciência prática, de Bordieu.


B

mundo da vida fenomenológico, de Giddens.


C

ação instrumentalmente racional, de Habermas.


D

práxis, de Habermas.


E

Habitus, de Bordieu.

Partindo do conceito de habitus e da contribuição dada por dois importantes sociólogos contemporâneos, para o entendimento da sociedade e do indivíduo, assinale a alternativa incorreta.


A

Para Norbert Elias, o sociólogo alemão contemporâneo, utiliza o conceito de habitus, e, para ele é algo de segunda natureza, ou melhor, trata-se de um saber social incorporado durante nossa vida em sociedade. Para ele, o destino de uma nação, ao longo dos séculos fica sedimentado no habitus de seus membros. É algo que muda constantemente, mas não rapidamente, e, por isso, há equilíbrio entre continuidade e mudança


B

Para Pierre Bourdieu, habitus são princípios geradores de práticas distintas e distintivas – o que o operário come, e, sobretudo, sua maneira de comer, o esporte que ele pratica e sua maneira de praticá-lo, suas opiniões políticas e sua maneira de expressá-las diferem sistematicamente do consumo ou das atividades correspondentes do empresário industrial; mas são também esquemas classificatórios, princípios de classificação, princípios de visão e de divisão e gostos diferentes


C

A preocupação de Pierre Bourdieu ao retomar o conceito de habitus, é distinto da preocupação de Norbert Elias, pois este quer entender a sociedade, motivo pelo qual desenvolve o conceito de figuração, ao passo que aquele pretende entender o indivíduo, por meio do entendimento dos hábitos dos indivíduos


D

Para Pierre Bourdieu, habitus é o que articula práticas cotidianas – a vida concreta dos indivíduos – como as condições de classe de determinada sociedade, ou seja, a conduta dos indivíduos e as estruturas mais amplas. Fundem-se as condições objetivas com as subjetivas


E

Para Pierre Bourdieu, o habitus é estruturado por meio das instituições de socialização dos agentes (a família e a escola, principalmente), pois são essas categorias e seus valores que estruturarão e orientarão a prática futura dos indivíduos

Pierre Bourdieu, durante conferência realizada em maio de 1983 na cidade suíça de Neuchâtel, ao falar sobre o que chamou de “A Codificação” e lembrar que a regra não é automaticamente eficaz por si mesma porque nos obriga a perguntar em que condições uma regra pode agir, apresentou, então, a noção do que ele chamou de habitus. Para ele, habitus pode ser definido da seguinte forma:


A

Habitus, como sistema de disposições para a prática, é um fundamento subjetivo de condutas regulares.


B

As condutas geradas pelo habitus não tem a bela regularidade das condutas deduzidas de um princípio jurídico: o habitus está intimamente ligado com o fluido e o vazio.


C

O habitus é uma tendência para agir de uma maneira irregular – que, estando seu princípio explicitamente constituído, pode servir de base para uma previsão – não se origina numa regra ou numa lei explícita.


D

Como uma espontaneidade geradora que se afirma no confronto improvisado com situações constantemente renovadas, o habitus obedece a uma lógica teórica, a lógica do fluido, do líquido, que define a relação cotidiana com o mundo.


E

O habitus é um fundamento objetivo da regulação das condutas e, se é possível prever as práticas, neste caso, a sanção associada a uma determinada transgressão, é porque o habitus faz com que os agentes que o possuem comportem-se de determinada maneira em determinadas circunstâncias.

A sociologia clássica difere-se da sociologia contemporânea também no que se refere ao modo de coleta e tratamento de dados, ao uso sistemático de estatísticas e à incorporação de inovações tecnológicas e metodológicas. Na França, Pierre Bourdieu, professor titular de Sociologia no College de France, merece destaque como um dos grandes representantes dessa sociologia contemporânea. Pierre Bourdieu e seus colaboradores dedicaram muitas décadas à análise do sistema de ensino (francês), sem deixarem de observar com atenção outros sistemas educacionais, evidenciando a distância entre a realidade escolar e os princípios preconizados pelas políticas para a educação. Bourdieu desenvolveu uma teoria que chamou de sociologia relacional na qual identifica o conceito de Habitus, que para ele seria(m)


A

a internalização de normas sociais (explícitas e implícitas) que orientam os indivíduos e suas ações.


B

os ritos de interação interpessoais no seio social, determinados a priori pelo que Bourdieu chamou de solidariedade mecânica.


C

a base subjetiva e individual, determinada pelo temperamento e caráter humano, que levam o sujeito a se comunicar.


D

as formas de dominação racional forjadas pela sociedade capitalista para garantir a ordem social e suprimir a motivação e as vontades individuais.

“De fato, por intermédio das condições econômicas e sociais que elas pressupõem, as diferentes maneiras, mais ou menos separadas ou distantes, de entrar em relação com as realidades e as ficções, de acreditar nas ficções ou nas realidades que elas simulam, estão estreitamente associadas às diferentes posições possíveis no espaço social e, por conseguinte, estreitamente inseridas nos sistemas de disposições características das diferentes classes ou frações de classe. BOURDIEU, Pierre (2006) A Distinção. São Paulo, Edusp. p. 13).

O “sistema de disposições” ao qual Pierre Bourdieu refere-se encontra consonância no conceito de:


A

campo.


B

distinção.


C

poder.


D

autoridade.


E

habitus.

O conceito de habitus é central na obra de Bourdieu, como aponta Courcuff (2001) na sua síntese entre teorias que privilegiam a força da ação ou a coerção da estrutura sobre a compreensão das práticas dos atores, no contexto da sociologia contemporânea. Tal conceito – o habitus em Bourdieu - pode ser definido a partir de algumas especificidades e características descritas abaixo. Assinale a alternativa INCORRETA:


A

Podemos compreender o habitus, em Bourdieu, como um modo de ser e de crer de um indivíduo, fragilizado e constantemente modificado pela ampliação das diferentes experiências que este vivencia na sociedade moderna.


B

O habitus é definido como um sistema de disposições duráveis e transponíveis.


C

O habitus, de certo modo, pode ser compreendido como um conjunto de estruturas sociais presentes em nossa subjetividade constituídas através das nossas experiências socializadoras vivenciadas desde a infância.


D

As disposições duráveis que constituem o habitus podem se modificar ao longo do curso de nossas experiências, entretanto, elas são fortemente enraizadas e reproduzidas no cotidiano, tendendo por isso, a resistir à mudanças e mantendo uma certa continuidade ao longo da trajetória de um indivíduo.


E

A noção de transposição do sistema de disposições que constituem o habitus de uma pessoa se dá pelo fato de estas serem adquiridas ao longo das experiências primárias dos indivíduos (no interior de suas famílias, por exemplo), gerando efeitos sobre outros espaços de socialização e de experiências, como na escola e no trabalho

O conceito de habitus tem uma longa trajetória nas ciências humanas. Marque a opção incorreta sobre os diversos conceitos de habitus:


A

Palavra latina utilizada pela tradição escolástica, traduz a noção grega hexis utilizada por Aristóteles para designar então características do corpo e da alma adquiridas em um processo de aprendizagem.


B

Durkheim evocou o conceito de habitus a propósito de duas situações singulares, as sociedades tradicionais e os internatos. Na primeira, considera o grupo realizando de maneira regular uma uniformidade intelectual e moral. Tudo seria comum a todos. No segundo caso, emprega o conceito a propósito da noção cristã como uma forma de educação que englobaria a criança integralmente como influência única e constante.


C

Ao utilizar o conceito de habitus, Panofsky mostra que a cultura não é só um código comum, nem mesmo um repertório comum de respostas a problemas comuns ou um grupo de esquemas de pensamentos particulares e particularizados: é, sobretudo, um conjunto de esquemas fundamentais, precisamente assimilados, a partir dos quais se engendram, segundo uma arte da invenção semelhante à da escrita musical, uma infinidade de esquemas particulares, diretamente aplicados a situações particulares.


D

Para Bourdieu, Habitus é um sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando todas as experiências passadas, funciona a cada momento como uma matriz de percepções, de apreciações e de ações – e torna possível a realização de tarefas infinitamente diferenciadas, graças às transferências analógicas de esquemas.


E

O conceito de habitus expressa uma ordem social funcionando pela lógica da reprodução e conservação; a ordem social constitui-se através da posição de cada indivíduo na estrutura social que é dada previamente: seu habitus. A plena coerência e a reprodução total das estruturas é uma perspectiva intrínseca e inerente ao conceito de habitus que pressupõe uma ação do indivíduo diretamente associada à sua classe de origem, agindo de forma coerente para mantê-la e conservar uma dada realidade.

Segundo Bourdieu (in Dubar, 2005), os conceitos de habitus ligado à trajetória familiar e de capital cultural das famílias, para o campo escolar,


A

são irrelevantes, pois o que define o sucesso ou o fracasso escolar é o interesse individual, de foro íntimo.


B

estão ultrapassados pelas teorias cognitivas de desenvolvimento de habilidades e competências.


C

orientam a trajetória escolar no sentido de expectativas para ampliação do capital cultural e econômico da família.


D

relacionam-se a uma única geração, que está na escola para ampliação de seu capital cultural.


E

negam a possibilidade de mudar a estrutura de capitais simbólicos e culturais de cada família, já que estes capitais não se intercambiam.

 
 
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